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quarta-feira, 18 de maio de 2022

cientistas cultivaram plantas em solo lunar pela primeira vez


 A experiência recorreu a amostras de “terra” recolhidas na Lua durante as missões Apollo, entre 1969 e 1972.
Numa experiência inédita em parceria com a NASA, investigadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos da América, conseguiram cultivar plantas em terreno lunar. Foi a primeira vez que tal aconteceu. Para espanto dos cientistas, ao fim de dois dias as sementes brotaram em solo recolhido na Lua. O material foi trazido do satélite da Terra durante as missões Apollo que a NASA ali realizou entre 1969 e 1972.
“Não posso dizer o quanto ficámos surpresos”, afirmou Anna-Lisa Paul, docente de ciências hortícolas que liderou o projeto. “Todas as plantas – quer em amostras lunares quer nas de controlo – estavam iguais até ao sexto dia.
Os investigadores Rober Ferl e Anna-Lisa Paul, da Universidade da Florida, observam as plantas cultivadas em solo lunar

A par das sementes plantadas em três pequenas amostras de solo trazidas da Lua há cerca de 50 anos, os cientistas replicaram o processo com recurso a solo vulcânico, de modo a estabelecerem um ponto de comparação. Depois, juntaram-lhes água, nutrientes e luz, em ambiente fechado. O resultado, publicado esta quinta-feira, 12, no jornal científico Communications Biology, constitui um marco histórico na exploração espacial.
“Esta pesquisa é fundamental para os objetivos de exploração humana de longo prazo da NASA, uma vez que vamos precisar de usar recursos encontrados na Lua e em Marte para desenvolver fontes de alimento para os futuros astronautas a viver e a operar no espaço”, declarou Bill Nelson, o administrador da NASA, acrescentando que “esta pesquisa fundamental de crescimento de plantas é também um exemplo importante de como a NASA está a trabalhar para desbloquear inovações agrícolas”, com o propósito de perceber “como as plantas podem superar condições de stresse em áreas com escassez de alimentos aqui na Terra”.
Após o sexto dia de cultivo, as plantas em crescimento nas amostras lunares começaram a atrofiar. Até ao 20º dia, as folhas desenvolveram-se menos do que as do grupo de controlo. Ao mesmo tempo, também se observaram diferenças nas plantas germinadas no solo da Lua, devido a características distintas das amostras utilizadas. Testes genéticos posteriores mostraram que estas plantas se encontravam sob stresse, devido à escassez de nutrientes. Mas todas brotaram, como assinalam os autores da experiência, que recorreram à planta Arabidopsis thaliana, muitas vezes utilizada em experiências científicas, devido ao tamanho reduzido e à rapidez com que cresce. @ Sapo

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