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sexta-feira, 29 de maio de 2020

pela sua saúde, não fume!

No próximo domingo, dia 31 de maio, comemora-se mais uma vez o Dia Mundial sem Tabaco.



Esta efeméride, criada pela Organização Mundial de saúde em 1987, tem como objetivo aumentar a consciencialização sobre os efeitos prejudiciais do uso do tabaco e da exposição ao fumo passivo, e desencorajar o uso do tabaco em qualquer uma de suas formas.

Este ano a OMS produziu uma série de documentos que poderá encontrar em: https://www.who.int/news-room/campaigns/world-no-tobacco-day/world-no-tobacco-day-2020/campaign-materials

Pela sua saúde, não fume!

a importância do toque

     Numa altura em que o distanciamento social pode condicionar as relações afectivas, o psiquiatra Júlio Machado Vaz analisa, em mais um episódio de Por Falar Nisso, a importância do toque e a sua relevância em termos físicos e emocionais.
     Os tempos assim o exigem. Para combater a propagação da pandemia do novo coronavírus, recomenda-se distanciamento social, medida que deve ser continuamente respeitada durante este gradual período de desconfinamento, mesmo que as saudades apertem, e, como refere o psiquiatra Júlio Machado Vaz, em mais um episódio de Por Falar Nisso, um projecto conjunto com a Multicare, serão «poucos os que não estejam a ressacar de se tocarem», que não sintam um entrave às relações afectivas. 
     E, quando se acumula a vontade de «nos abraçarmos, de beijar aquelas bochechas rosadas das crianças, de enfiar o braço num amigo», sublinha o psiquiatra, «os políticos e especialistas da área da saúde alertam para o facto de o novo normal não ser o normal a que estávamos habituados, e o toque entra nisso». Ou seja, a pandemia, como já percebemos, vai influenciar as relações emocionais e os laços afectivos, pois, «quando falamos de distanciamento, estaremos também a falar de alterações na possibilidade de tocar», sendo que esse gesto vai além da questão do carinho, reforça Júlio Machado Vaz.​
     Trata-se de uma problemática complexa, principalmente nos povos latinos como nós, pouco habituados ao distanciamento social, quando, por exemplo, comparado com os nórdicos, pois «somos muito mais de beijos e abraços». Mais, «alguns de nós são incapazes de falar com outra pessoa sem lhe mexer, e nem se quer é um toque afectivo, é quase um tique», indica o psiquiatra.
A ciência do(s) afecto(s)
      É também devido a essa complexidade que o toque, o contacto físico, e os seus efeitos nas relações, tem sido amplamente estudado pela ciência e, como revela Júlio Machado Vaz, trata-se de uma «manifestação de afecto com capacidades terapêuticas». Por exemplo, alguns estudos concluíram que «o toque numa outra pessoa que está stressada com muita frequência, provoca uma diminuição de stress e uma redução da frequência cardíaca, ou seja, acalma», diz o especialista.​
Júlio Machado Vaz, refere mesmo uma pesquisa em particular, «em que as pessoas, metem os antebraços através de orifícios, e, do outro lado, são tocadas por outras, e pede-se que quem toca, o faça do modo que acha que tocaria para exprimir um determinado tipo de sentimento», por exemplo, «preocupação, ou irritação, etc.». Alguns dos participantes conseguiram «acertar entre 50 a 60% das vezes, o que é impressionante». Além disso, essa experiência permite perceber que, além de «conseguirmos discriminar os toques, beneficiaremos deles».
      Isto porque, de acordo com a fisiologia – ciência que estuda as funções dos seres vivos –, «o toque físico liberta mais oxitocina, que é considerado, digamos assim, o composto químico da ligação», indica o psiquiatra, não sendo «por acaso que nas situações da maternidade, ou em tudo o que tem a ver com crianças, essa hormona está no top ten daquilo que se passa em termos bioquímicos», diz o psiquiatra. Outra experiência provou que em situações de «sensibilidade à dor», no caso de, por exemplo, alguém estar de mão dada com a seu ou sua namorada(o), se sente «menos dor do que quando está sozinho(a)». 
     Para Júlio Machado Vaz, essas conclusões mostram «bem que o contacto físico próximo pode proteger, não só psicologicamente, mas também em termos físicos», sendo «um ato muito nobre no amor».
     Talvez um dos exponentes dessa mistura entre afectos e emoções, e a validação científica da importância do toque, acontece com «as crianças prematuras, pois, quando elas são tocadas, por exemplo, em intervalos de 15 em 15 minutos, ganham peso mais depressa do que se isso não acontecer». Ou também que «em orfanatos onde não há contacto caloroso com as crianças, o seu desenvolvimento cognitivo e afectivo é muito mais prejudicado do que naquelas que têm uma família à sua volta». 
     Resumindo, todos: «estamos, e é mais do que aceitável, cheios de vontade de tocar, não sabemos o que nos vai ser permitido, mas uma coisa temos obrigação: aquilo que não nos for permitido, devemos transmiti-lo de outras formas», pois, «quando o afecto está lá, até um olhar pode simular o toque de uma mão»@ Público

quinta-feira, 28 de maio de 2020

registos sobre o regresso à escola

Os alunos e os professores de 11º ano e de 12º ano, com disciplinas que serão alvo de exame, voltaram à escola na passada semana. Voltaram a uma escola diferente, que teve de se preparar para receber em segurança os que nela entraram.
O CRESCER quis saber como alunos e professores viveram essa primeira semana de uma escola que nunca mais será a mesma.


Voltar à escola pareceu-me assustador e regressei com algum receio do que ia encontrar. 
A nossa escola está bem organizada, com gel e máscaras à entrada e com locais próprios para entrar e sair do recinto escolar. Senti-me segura!
Entrar na sala de aula é muito, muito estranho. Os alunos usam máscara e estão mais quietos e calados do que é habitual.
Os meus alunos já não parecem os meus alunos e a minha escola já não parece a minha escola. Falta o ruído, as gargalhadas e o convívio.
Não é fácil explicar matéria aos alunos durante 100 minutos com a máscara posta. Mas o desafio está a ser cumprido para que os discentes estejam preparados o melhor possível para fazer o exame nacional e fico contente por ajudar nessa tarefa.
Quando saio da escola, retiro a máscara e entro no carro, parece que o mundo "quase" voltou ao normal!
Teresa Vieira, docente de Matemática


Ao chegar à escola reparamos logo na mudança de ambiente, onde o uso da máscara e a desinfeção das mãos é agora obrigatório à entrada. Vemos funcionários ao longo de todo o percurso até às salas. Já na sala, não há dificuldade em mantermos uma distância de segurança, ao escolhermos os nossos lugares. Assim foi toda a semana.
Apesar de não existir proximidade física com os professores, sentimos a presença deles, o que definitivamente é melhor do que vê-los através de um ecrã. 
Existe uma maior flexibilidade em termos de horário e nos intervalos. A redução da carga horária foi uma mais-valia, pois torna o tempo que temos mais útil e menos "morto". Isto, complementado com o trabalho feito fora das aulas, desenvolve em nós a capacidade de pesquisa e de autonomia. 
Nas disciplinas que tivemos, foi possível uma flexibilização dos intervalos, pois apesar de existir um intervalo predefinido de dez minutos, algumas professoras adotaram um sistema de pausas consoante a matéria dada, tornando as aulas menos maçadoras.
O individualismo a que a saúde nos obriga impede o trabalho de grupo, que é essencial na aprendizagem dos nossos dias. Ele torna-se quase impossível por questões de proximidade.
Algumas aulas continuaram a ser dadas por videoconferência, mas na sala de aula, por indisponibilidade legítima dos professores. Alguns por problemas de saúde, outros por não terem quem tome conta dos filhos não têm condições de participar em aulas presenciais, o que é perfeitamente aceitável. Mas qual a necessidade de os alunos terem aulas deste modo, sujeitando professores coadjuvantes (que ficam na sala durante as aulas), a irem à escola para ligarem e desligarem o computador e para nós assistirmos ao que podíamos fazer em casa, participando muito mais e estando mais confortáveis? 
O desconforto da máscara, que humedece rapidamente quando se fala, é muito grande. E as aulas dadas por esta forma conduzem a uma menor participação dos alunos e a aulas mais expositivas.
Em conclusão, o regresso permitiu a presença que todos nós ansiávamos. Temos, até, uma flexibilidade que não tínhamos quando estávamos sobrecarregados de aulas, mas receio que algumas disciplinas não consigam acabar a matéria. 
Uma coisa é certa, o sistema de ensino jamais será o mesmo.

Júlia Meira, aluna de 11º ano

18 de maio de 2020
Ansiedade. Nervosismo. Expectativa. Reencontro.
Reencontro. Foi a palavra e o sentimento mais marcante do dia. Tudo o resto passou ao lado: as máscaras, o desconforto, o cuidado com o desinfetante, o esforço para respirar.
E sorrisos de ‘estamos cá’, embora só reconhecidos pelo canto dos olhos, num esgar de rugas, já que a máscara abafava essa libertação facial. E (quase) tudo parecia normal, pese embora o cumprimento das regras de distanciamento social, mais afastados fisicamente que nunca, mais próximos e juntos que outrora.
E a matéria, os conteúdos programáticos, foram fluindo. Sem atropelos, em confiança. Fazemos todos o melhor que podemos, o melhor que sabemos: nós, os professores; eles, os alunos. E num ato de coragem e de acolhimento, regressamos todos para partilharmos e sermos – professores e alunos – o que sempre fomos, duas partes da mesma moeda, unidos pelo saber e pelo querer saber; unidos pela empatia de vivermos um propósito comum, teimosamente mais forte que a pandemia que nos assola e ensombra a nossa realidade e a vida.
E continuamos juntos. Seguimos juntos.

Aurélia Domingos, docente de Inglês


No primeiro dia de aulas cheguei à escola por volta das 9h25, encontrei-me com uma colega e foi estranha a sensação de não a poder cumprimentar nem de me aproximar dela.
Trouxe uma máscara de casa e coloquei-a antes de entrar, mas estavam a ser distribuídas máscaras à entrada da escola para quem não tinha. Todas as pessoas tiveram que desinfetar as mãos à entrada da escola.
Fui diretamente para a sala e só saí de lá às 12h10 quando a aula terminou. A turma foi dividida em duas partes para que se mantivesse uma distância de segurança. Mantivemos sempre a máscara colocada, exceto quando tivemos um intervalo de 10 minutos para comer. Caso algum aluno sentisse a necessidade de ir à casa de banho teria de ir acompanhado por uma auxiliar da escola, mas eu não tive essa necessidade.
Foi estranho voltar às aulas nestas condições e alguns professores e alunos estavam contra este regresso, mas acho que foi bom para todos voltar a ver os seus amigos e voltar a ter aulas presenciais, ainda que, bem diferentes do que estas costumavam ser. 
                                                                                                                                                               Pedro Branco, aluno de 11º ano

Gostei de voltar. Sobretudo porque não estava com os meus colegas há muito tempo! Mas também tinha saudades da escola e dos professores, particularmente dos intervalos e das conversas. Igualmente tinha saudades de aulas com todos, onde cada um responde sem ter de estar à espera de ligar o microfone e onde interagimos muito mais.
Mas o que vi foi uma escola diferente: gel à entrada; muitos funcionários de olhar atento; corredores enormes vazios; pessoas com máscaras; um silêncio profundo, algo constrangedor. Subimos pelas escadas largas, mas, quando descemos, fizémo-lo pelas escadas estreitas, quase todos ao mesmo tempo, o que não me pareceu muito certo.
Gostei de ver os amigos e de conversar com eles, mas não gosto de estar tanto tempo de máscara, nem de fazer os intervalos nas salas de aula. Parece castigo.
Aprecio o esforço dos professores, que tentam comunicar connosco da melhor maneira, mantendo a distância social que se impõe. Mas não gosto de ir à escola para ter aulas à distância. Acho que nesses casos era mais proveitoso ficarmos em casa, mantendo o que já antes se fazia. Até porque a nossa turma era e é cumpridora. 
Creio que este vírus veio mudar muita coisa e que a escola que conhecemos até 13 de março jamais será igual. 
Agora, curiosamente, o que mais receio não são os exames, é o próximo ano letivo, o último do meu ensino secundário. Será que vai funcionar assim?

aluno de 11º ano
19 de maio
Aulas presenciais! Um novo desafio…
No primeiro momento é a sensação de vazio… na entrada um funcionário que indica onde está o gel desinfetante, outro que nos entrega uma máscara, não medem a temperatura e continuo pelo caminho mais direto para a sala de aula.
Num primeiro momento, a escola assumiu uma dimensão gigantesca pelo silêncio, pelo espaço vazio, pela ausência de professores e alunos; no percurso até ao segundo andar, senti que uma sensação estranha me tinha invadido…  não estava habituada a tanto silêncio!
No 2º andar encontrei a auxiliar da educação que me disse que a sala estava desinfetada e preparada para nos receber. Pouco a pouco e com a mesma estranheza, usando máscara, começaram a chegar os alunos do primeiro turno, pois a turma teve de ser dividida em duas partes por serem muitos. Hesitantes, aguardaram que lhes fosse indicado o lugar de forma a respeitar o distanciamento social previsto.
Depois de nos cumprimentarmos, com olhares e poucas palavras, fiquei feliz quando os alunos manifestaram o seu agrado por eu estar ali presencialmente e ao lado deles para enfrentar o resto do 3º período. Todos nos sentíamos incomodados com as máscaras porque tornam a comunicação menos amistosa, acrescentam dificuldades para falar durante muito tempo e provocam calor. Sentíamo-nos ansiosos, o nosso dia a dia alterara-se!
Notaram-se outros constrangimentos, porque não se podem realizar trabalhos em grupo, fazer aqueles comentários em surdina e até o simples ato de falar com máscara é uma aprendizagem.
Procurei que a aula não fosse demasiado expositiva.
Entretanto, toca, são horas de mudar de sala e encontrar o segundo grupo da turma.
Se desde o momento em que entrei na escola me senti ansiosa, agora piorou! Os alunos, como não podem sair das salas, estavam a comer e a beber, sem máscaras e conversando com proximidade física. Depois de convidados a respeitar as normas, foi necessário estabelecer contacto, através do Google Meet, com o aluno que não tem condições para se deslocar à escola. Os alunos já tinham tido uma aula, estava calor e eles estavam saturados pelo uso da máscara, por isso foi mais complicado começar. Também eu me sentia cansada de falar com a máscara…. Mas começámos a aula e quando terminou encaminhamo-nos para a saída pelo lado contrário ao da entrada na escola, mais uma alteração!
Separámo-nos à saída, cada qual com uma vivência nova que talvez nos marque ou não.
A mim marcou-me, pois ao fim de 40 anos de ensino, foi preciso inovar, obter mais conhecimentos informáticos para lecionar à distância durante o confinamento, agora é preciso reinventar-me para lecionar com os condicionalismos do desconfinamento.

Na realidade, esta pandemia obrigou-nos a aprender a viver de modo diferente, alterando a nossa vida; também, a Escola teve necessidade de se reinventar, de recriar, de se adaptar a novas situações.   

Ana Bandeira, docente de Português 

A primeira semana de aulas depois do desconfinamento foi muito estranha para mim!  Eu vivo muito longe da escola e, por isso, tenho de apanhar transportes públicos que não se ajustam ao meu horário. Então, passo grande parte do dia fora de casa, entre transportes - cada vez mais cheios - e a escola - cada vez mais vazia.
Não sei se merece o esforço. Sei que temos de nos habituar a "desconfinar", mas questiono a razão de só serem os alunos de 11º e de 12º. É por causa dos exames? Mas se só vão contar as questões em que tivermos mais cotação, para quê tudo isto? Até os professores se mostram exaustos! Não deve ser fácil falar tanto tempo com a máscara! Para mim, é horrível, pois faço alergia ao fim de algum tempo.
É claro que gosto de ver os meus colegas e professores, mas assim, só nós, e por tão pouco tempo, acho que não havia necessidade. Afinal, todos os nossos colegas até ao 10º ano, estão em casa!
Fico muito cansada com o meu dia-a-dia e, quando chego a casa, já nem me apetece assistir a mais aulas síncronas, nem fazer as tarefas que me são solicitadas.
Espero que chegue rápido o dia 26 de junho!

aluna de 11º ano

opinião: ensino de emergência… até quando?


"Creio que quando a nossa vida voltar à normalidade... a escola acolherá os seus queridos alunos e professores de braços abertos, com a saudade própria que cresceu a par do isolamento e do individualismo que a Educação não comporta. Os alunos perceberão o quão importante é estar e aprender na presença dos colegas, partilhar, em colaboração e respeito, espaços coletivos (salas de aula, recreio, biblioteca, cantina,...), desenvolver atividades em grupo, brincar e até fazer pequenas traquinices", In TSF, 22.03.2020, Filinto Lima*

Poucos dias decorridos desde a adoção de recurso do "Ensino de emergência", comumente designado por Ensino à Distância, expus nestas páginas algumas das naturais consequências implicadas, e a importância de retornar ao espaço escolar.
A Organização do Ano Letivo 2020/2021 será, inevitavelmente, diferente do que nos foi permitido constatar nas duas últimas semanas do 2.º período letivo, do que nos encontramos a assistir ao longo deste 3.º período, e, sem dúvida, desigual ao adotado e desenvolvido até ao dia 13 de março. A tutela estará, seguramente, já a estudar vários cenários possíveis, tendo em conta o regresso de todos os alunos às suas escolas, cumprindo a necessária manutenção do distanciamento social, e que determina alterações na carga curricular, no número de alunos que uma sala de aula deverá comportar, antecipando, ainda, a eventual existência de novas vagas de Covid-19, entre diversas outras questões que surgirão, por inerência.
Realisticamente, este modelo é insustentável para as famílias, muitas depauperadas pelas condições económicas e sociais que as colocam nas mãos da solidariedade; quase todas psicologicamente exaustas, uma vez que passaram a exercer uma multiplicidade de funções para as quais não tinham habilitação ou preparação prévia, adaptando-se e reajustando-se no correr dos dias.
Não se estranha, por conseguinte, a promessa do primeiro-ministro no concernente à cedência de material informático aos alunos, no início do próximo ano letivo, nem mesmo quando o ministro da Educação, cautelosamente, equaciona a "conjugação entre o ensino à distância e presencial".
Estou ciente que o fatíloquo "mais vale prevenir que remediar" imperará nas tomadas de decisão pelo aumento das incertezas que pairam sobre o futuro da Educação.
A previsibilidade de um ano híbrido, no que respeita ao local onde decorrerão as aprendizagens, conduz-nos a nova e inevitável adaptação de rotinas e contextos, pese embora não se deseje que o processo ensino-aprendizagem ocorra nos lares dos nossos alunos e professores.
A distância não se coaduna com as práticas do ensino não superior, quer pela ausência de tradição (e ainda bem!), quer também pelas características próprias da faixa etária que abrange. Não se pode renegar ou restringir a necessidade dos relacionamentos e das interações na forma do contacto presencial e que, promovendo o currículo oculto, é indispensável para a construção do Eu em relação ao outro e na relação que estabelece com os outros, num processo preparatório e fundamental para a vida em sociedade, valorizando-se a cooperação e o coletivo.
A Escola, da qual todos têm imensas saudades, ainda que em moldes diferentes, será de acesso universal a partir de setembro, assim nos ajude o comportamento exemplar dos portugueses, e a Ciência, que vai dando passos firmes na descoberta da tão almejada vacina.

               * Professor; diretor; presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas

terça-feira, 26 de maio de 2020

desafio "PÚBLICO na escola"

Luís de Camões: 5 coisas que talvez não saiba | ncultura

O "PÚBLICO na escola" desafiou e os nossos alunos deram resposta. Aqui segue uma entrevista imaginária ao nosso grande poeta Camões.

Homenagear a Língua Portuguesa
Desafio "Público na escola" (dia 3)

Entrevista a Luís Vaz de Camões
Luís Vaz de Camões é um nome que une todo o povo português. Raro é o indivíduo que desconheça a origem deste grandioso apelido. Conhecido pelas suas palavras escritas em verso, Camões é considerado uma das maiores figuras da literatura lusófona e um dos grandes poetas da tradição ocidental.
Tendo nascido em Lisboa, com origens humildes, mudou-se para Coimbra com apenas 3 anos, na companhia dos seus pais. Em 1544, com 20 anos, deixou as aulas de Teologia, curso que iniciara, e ingressou no curso de Filologia. Nessa altura, já era conhecido como poeta. 
Mais tarde, foi preso, devido ao envolvimento numa rixa com um empregado do paço, permanecendo um ano encarcerado. Posto em liberdade, Camões embarca para as Índias. Esteve em Goa e tomou parte de várias outras expedições militares. É nomeado provedor em Macau e também na China. Decidiu partir novamente para Goa, mas a sua embarcação naufragou na foz do rio Mekong. Talvez mito ou não, Camões conseguiu salvar-se nadando, levando consigo o manuscrito original de Os Lusíadas. Chegado a Goa, é preso novamente, em consequência de novas intrigas. 
 
Entrevistador: Obrigada, por ter aceitado o nosso convite. É uma honra e uma imensa responsabilidade, tê-lo connosco e poder fazer-lhe algumas perguntas…
Alguma vez imaginaria que o seu nome seria uma parte tão importante de Portugal?
Antes de começar a responder, quero dizer-lhe a si e a todos os portugueses que foi com enorme prazer que acedi ao convite de uma dama tão formosa e delicada… A minha vida, nos últimos séculos tem sido um bocadinho monótona… (risos)
Agora respondendo à sua pergunta! Deveras! Nunca achei que pudesse vir a obter tamanho sucesso, mas fico-vos eternamente agradecido por este reconhecimento. Trabalhei em Os Lusíadas para que tal acontecesse e alegro-me por saber que o meu povo soube dar o devido valor a uma obra que foi imensamente trabalhosa, mas sempre feita com o maior carinho. O meu maior orgulho é pertencer a este meu povo lusitano, uma autêntica fonte de inspiração para os outros povos.
 Como descreveria a sua passagem pela prisão?
Nunca achei que fosse possível o tempo passar tão devagar, mas admito que foi merecido. Sempre fui muito impulsivo, receio dizer que talvez um pouco barraqueiro também (ri-se), mas, infelizmente, não foram uns tantos meses passados em celas que me mudaram. Por muito que tenha estudado diferentes filósofos e autores nunca nenhum deles me tinha feito ter a visão que tive lá, sobre a vida. Nunca a liberdade me tinha fascinado tanto. Como digo num poema meu «Vi mágoas, vi misérias, vi desterros» e depois destas vivências ninguém fica indiferente ao descobrir novas terras e viajar sobre o mar. Talvez graças a esse fascínio, à minha vontade de enaltecer o meu grandioso povo ou ao aborrecimento enfrentado nesses tempos, comecei a escrever Os Lusíadas a primeira vez que estive encarcerado, lá em Lisboa.
E agora a pergunta inevitável… como perdeu o seu olho direito?
Tem noção das vezes que já respondi a esta pergunta? Continuam iguais os
Portugueses, sempre à procura das fragilidades do ser humano… (suspiro) Perdi-o em Ceuta na guerra, a lutar pelo meu país e, por isso, fá-lo-ia de novo. Primeiramente custou-me a habituar-me à pala (como imagino que esteja a acontecer-vos com a máscara) e as pessoas na rua olhavam-me de lado, divertiam-se a criar suposições sobre o que teria acontecido. Dizer que tinha a beleza a meu favor seria mentir, mas depois daquele acontecimento ainda mais “afeiado” fiquei. Disseram-me isto algumas vezes.
O seu aspeto físico não o afetava?
Fui alvo de alguns insultos, mas nada que me afetasse, não. Sempre tive a o meu intelectual para disfarçar o resto, e, sinceramente, ele era um sucesso com as senhoras. (sorri)
Com certeza a Índia era muito diferente de Portugal. Como lidou com essa diferença cultural e linguística?
A Índia...a minha velha compincha. Sim, sem dúvida que era muito diferente da minha terra lusitana, mas o distinto sempre me encantou. Explorei muito, vi coisas que jamais veria no meu amado país e conheci algumas pessoas interessantes. Mas lá sentia falta de alguém para conversar sobre algumas teorias minhas e temas mais ousados, parecia que nada entendiam sobre as palavras que declamava, e também não eram grandes fãs das minhas obras. Aquele povo não tinha curiosidade sobre o saber e isso intrigava-me, mas lá me habituei. Falava-lhes muito sobre o meu ilustre povo lusitano, quanto mais falava mais tinha saudades dele. Nesses momentos só pensava em regressar à querida Lisboa, ainda para mais o trabalho que exercia era aborrecido e monótono e faltava-me o dinheiro...

E na China?
A China traz-me muitas recordações e ainda mais emoções.
Como Dinamene?
Sim, como Dinamene. (suspira) O grande amor da minha Vida! 
Talvez nos pudesse falar mais nela.
Ao longo da minha vida apreciei muitas mulheres, mas nenhuma como Dinamene. Se existe isso a que chamam alma gémea ela foi a minha. Esta era, sem dúvida, a mulher mais gentil, amável e doce que até hoje conheci. Nunca parava de sorrir e tinha um enorme coração. Tudo me encantava nela. Cada detalhe de Dinamene, cada traço me dava a inspiração para escrever dez Lusíadas, mas apenas sobre esta e sobre a felicidade que me proporcionou.
Como lidou com a sua perda?
Com a ajuda de um amigo íntimo ia voltar a Portugal, e ela aceitou vir comigo também. Nunca tinha sentido tamanha felicidade igual à que senti quando ela aceitou a minha proposta, mas também nunca senti tanta dor como a que senti quando me apercebi que o mar a tinha levado de mim. Foi na viagem de regresso que a perdi. Vivi anos muito amargurado, sempre a pensar nela, a imaginar o que teríamos vivido os dois em Lisboa. Não foi fácil conformar-me com uma realidade onde ela não estava mais presente. Desabafava muito a escrever, essa foi, mais uma vez, a minha maior ajuda.
Por falar no naufrágio, é verdade que nadou com uma mão a segurar Os Lusíadas?
É verdade, sim. O meu braço ficou dormente por dias, mas valeu mais do que a pena. Aquela obra era tudo o que eu tinha, o meu esforço e dedicação de anos, recusei-me a perdê-lo assim tão facilmente, em vão.
Em poucas palavras, o que Luís diria sobre a vida que viveu?
Foi uma vida cheia de experiências maravilhosas, tentei sempre vivê-la da melhor forma, apesar do tempo perdido em celas (ri-se). Por outro lado, foi bastante amargurada também, fui pouco amado, mas acredito que estou diariamente a ser apreciado por todos vocês que estudam as minhas obras, e recebo o amor que nunca consegui obter, desta forma .Sou um marco para Portugal e para o mundo, o meu nome nunca vai ser esquecido, por isso já valeu mais do que a pena.

Benedita Teixeira, 10ªG
Conteúdo inspirado na visualização, em aula, da reportagem RTP2
«Grandes Portugueses-Luís de Camões», por Helder Macedo

jovens adultos são agora os mais afetados pela Covid-19

Atenção: desconfinar não é descontrair.

Os dados foram divulgados pela ministra da Saúde, Marta Temido.


      Este domingo, 24 de maio, Marta Temido apresentou um relatório sobre as últimas estatísticas da Covid-19 em Portugal. Segundo a ministra da Saúde, no período entre 13 e 21 de maio, 36 por cento dos casos ocorreram no grupo etário entre os 20 e os 39 anos.
     Quer isto dizer que, neste momento, os jovens adultos são aqueles que mais estão a ser infetados com o vírus. De acordo com o mesmo boletim, foi utilizada uma amostra de 1504 casos. 
     Marta Temido sublinhou ainda que “o distrito de Setúbal passou a ser o segundo com mais novos casos de contágio, com 13 por cento do total, passando o Porto a ser o terceiro, com 11 por cento”. De acordo com os últimos dados divulgados, há 1.316 mortes provocadas pela Covid-19 no nosso País. No total, 30.623 já foram infetadas. @ New in Town (foto e texto)


e de Moutidos chegou... o "Jornal da Tarde"

 cortesia de Ricardo Mazzei

segunda-feira, 25 de maio de 2020

nenhuma delas é apenas um número


Página histórica do "The New York Times"


O jornal norte-americano The New York Times dedicou a primeira página da edição deste domingo a mil vítimas mortais do coronavírus, para assinalar a iminente passagem do número de 100 mil mortes nos Estados Unidos. 
"Estas mil pessoas representam apenas um por cento do total. Nenhuma delas era apenas um número", escreve o jornal na capa, que se encontra totalmente preenchida por texto. 

sexta-feira, 22 de maio de 2020

"Ei! Hoje eu mando um abraçaço..."

Um abraço é o melhor dos cumprimentos.
Dizem que hoje é o dia dele, do abraço.
Na impossibilidade de nos abraçarmos, aqui vai um "abraçaço" do CRESCER para toda a comunidade, pela voz do Caetano Veloso.


Dei um laço no espaço, Pra pegar um pedaço, Do universo que podemos ver. Com nossos olhos nús, Nossa lentes azuis, Nossos computadores luz. Esse laço era um verso, Mas foi tudo perverso, Você não se deixou ficar. No meu emaranhado, Foi parar do outro lado, Do outro lado de lá, de lá.
Ei! Hoje eu mando um abraçaço... Ei! Hoje eu mando um abraçaço... Ei! Hoje eu mando um abraçaço... Ei! Hoje eu mando um abraçaço! Um amasso, um beijaço, Meu olhar de palhaço, Seu orgulho tão sério... Um grande estardalhaço, Pro meu velho cansaço, Do eterno mistério. Meu destino não traço, Não desenho, disfarço, O acaso é o grão-senhor. Tudo que não deu certo, E sei que não tem conserto, No silêncio chorou, chorou... Ei! Hoje eu mando um abraçaço... Ei! Hoje eu mando um abraçaço... Ei! Hoje eu mando um abraçaço... Ei! Hoje eu mando um abraçaço... Ei!