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segunda-feira, 17 de outubro de 2022

pobreza: hospitais acolhem pessoas que se fingem doentes para comer nas urgências

Há utentes que se deslocam às urgências não para receber tratamento mas para comer, denunciou esta sexta-feira o jornal ‘Expresso’, que apontou que a procura de refeição gratuita nas unidades de saúde do SNS é regular e pode ficar mais expressiva, conforme a crise económica vai fazer efeito e agravar o fenómeno.

Em geral, os utentes em situação difícil não são propriamente idosos e costumam, na triagem, fazer queixas gerais e sem gravidade. Tendem a permanecer em observação até à distribuição de comida, seja ao almoço ou ao jantar. Algumas unidades têm já pessoas sinalizadas, dada a regularidade da comparência e do comportamento.
“Estão identificados, pelo menos, três casos que uma a duas vezes por mês recorrem a esse ‘expediente’. Normalmente vêm à hora de almoço e antes de terem alta pedem uma refeição”, descreveu a equipa do Hospital de Portalegre ao semanário. O mesmo cenário em Castelo Branco: “A situação sempre existiu, principalmente nas horas de almoço, assim garantindo uma pequena alimentação quente enquanto aguardam pelo atendimento, exame ou tratamento.”

O Hospital de São José, em Lisboa, também atravessa o fenómeno. Segundo a administração, há “uma pequena percentagem de atendimentos a que são atribuídas pulseiras verdes pode estar relacionada com a necessidade de uma refeição”. “Os utentes habituais frequentadores das urgências, nomeadamente sem-abrigo, não se queixam diretamente de fome. Falam de problemas dermatológicos ou dores corporais, por exemplo, quase sempre sem gravidade, e há igualmente relação estreita com alcoolismo”, referiu.

No Hospital de Beja, o padrão já foi identificado. “As equipas percebem o comportamento e identificam as pessoas. Depois sinalizam os casos para o serviço social do hospital, que procura soluções nas instituições da comunidade ou junto dos serviços sociais da área de residência”, que garantiu ainda que a procura de companhia é, além da fome, outra das carências que leva muitos utentes, sobretudo idosos, ao hospital (...) Temos a clara noção de que há doentes que aqui vêm para alimentação e companhia. Fazem queixas que não o são verdadeiramente e vão ficando. Ainda recentemente tivemos um doente que comeu a sopa sofregamente e logo depois se foi embora.”

A subida do custo de vida pode potenciar o fenómeno. Mas segundo Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares “Há referência a casos, que sempre existiram, mas não temos a perceção de que seja um fenómeno em crescimento”. @ Sapo

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