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sexta-feira, 17 de maio de 2024

50 anos ESÁS: "conta-me como foi..." (2)

Antes de começarem a ler o que o CRESCER tem para contar, convém lembrar que a Escola Secundária de Águas Santas, com morada na Rua Nova do Corim e nome próprio, “nasce” a 26 de maio de 1975, em Diário da República. Por isso, se considera que fará 50 anos em maio de 2025. Porém, antes de aqui chegar, na tentativa de haver uma escola de ensino secundário na zona, existiu uma secção da Escola da Maia a funcionar na Escola Primária das Enxurreiras, em 1973/74, com quatro turmas (duas de Comércio e duas do Liceu). Os alunos dessa escola passaram no ano letivo seguinte, 1974/75, para as instalações da EB2/3 de Pedrouços, já com mais alunos.

cartão de estudante de Aurora Sereno (1974/75)
 já com o nome da ESÁS

Ora, os alunos que frequentaram a Escola das Enxurreiras sentem-se os verdadeiros fundadores da ESÁS e comemoraram o aniversário dos 50 anos ainda este ano letivo. Curioso é ver que os seus cartões de estudante os consagram como alunos da Escola Secundária de Águas Santas desde 1974/75. 

Confuso? Esperamos que não.


Vamos, então, ao “conta-me como foi…” (2)

Aurora Sereno

O CRESCER esteve à conversa com Aurora Sereno, uma das alunas da Escola das Enxurreiras, a tal escola que era uma secção da Escola da Maia e que funcionou com quatro turmas no ano letivo 1973/74.

A Aurora foi aluna de uma turma feminina do curso de Comércio e, por isso, colega do Joaquim Sampaio, entrevistado pelo CRESCER no dia 7 de maio.

Dotada de uma memória prodigiosa e de uma determinação incrível em querer colaborar, trouxe até ao CRESCER memórias e histórias fantásticas. Daqui mesmo telefonou para vários colegas de então para poder ser o mais fiel possível à verdade da memória. Reuniu, por iniciativa própria, com alguns dos seus colegas para recolher depoimentos que partilhou com o CRESCER. Trouxe fotografias que aqui não se publicam, mas serão essenciais para a monografia da ESÁS. Só o amor à causa justifica a sua disponibilidade. A escola agradece.

Tal como o Joaquim Sampaio, Aurora Sereno é de opinião que aquela foi uma escola especial, porque existiam apenas quatro turmas e todos se tornaram amigos. Segundo ela, apesar de as turmas não serem mistas, no recreio todos se juntavam e brincavam. “Brincávamos, jogávamos à bola e no Natal havia uma festa e a família ia ver.”

Aurora Sereno viveu o 25 de abril de 74 nas Enxurreiras e só no ano letivo seguinte, 1974/75 é que passou para a escola que hoje é a EB2/3 de Pedrouços. Segundo ela, lá já eram mais alunos, havia mais turmas, mas os fundadores da escola “de baixo” (veja foto do grupo das Enxurreiras) "continuaram amigos e unidos".

alguns dos alunos das Enxurreiras
De tal forma, que conseguiram reunir 40 pessoas num almoço, 25 anos depois, entre professores e alunos. E quando fizeram 50 anos de escola, voltaram a reunir-se, desta vez 70 pessoas, recordando velhos tempos de criança e peripécias várias. Alguns não se viam há 47 anos e, mesmo assim, marcaram presença.

Os grandes responsáveis por estes encontros são a Aurora Sereno, o Joaquim Sampaio e a Maria do Carmo, dizem. Mas todos fazem os possíveis por acalentarem este grupo que se criou pela vontade de um ensino secundário na zona e que se afirmou pela diferença e em Liberdade.


José Condesso
José Manuel Condesso é um desses ex-alunos. Guarda memórias muito boas da escola, sobretudo da preocupação dos professores pelos alunos e da camaradagem entre eles. Recorda com saudade “os jogos de andebol de equipas femininas e masculinas, entre as turmas do Comércio e do Liceu”, com uma "rivalidade comparável ao Porto-Benfica", a viagem ao Gerês e a festa do fim do ano letivo. 
O que o José Manuel não disse, mas o CRESCER soube, é que ele era o melómano da escola, que dava música e garantia o baile com o seu gira-discos e a sua discografia. 
Também ele esteve presente nas comemorações dos 25 e 50 anos da escola.


José António Pereira (Zé Tó)
José António Pereira (Zé Tó para os colegas), mais um ex-aluno,  considera que o facto de aquela escola ser pequena e ter as tais quatro turmas foi responsável por ali se ter “criado um caldo de cultura completamente distinto” dos que eram vulgares à época. Recorda que “este grupo de alunos era proveniente das mais diferentes escolas preparatórias, industriais, comerciais e liceus do Porto e arredores” e que os alunos vinham “de distintos ambientes sociais”. A par disso, elogia cultura: o cinema português está de parabéns

“A amizade, o respeito e o interesse comum” foram fundamentais para o José António e, segundo ele, ficaram “para a vida”. “Esse ambiente distinto fez com que transformássemos o nosso dia-a-dia numa festa.”

Se o José António recorda com nostalgia “as viagens épicas, as aventuras, os passeios a cavalo, os piqueniques” e até “os banhos nos lagos dos peixes pelo Serafim Sakrovsky”, o Toneco (António Manuel Terra de Almeida Cardoso) é recordado pela sua habilidade tecnológica, uma vez que era ele que “colocava as luzes de celofane a piscar, com arrancadores, nos bailes” que organizavam.

Aliás, o Zé Tó, o Toneco
Manuel António Bastos
e o Manuel António Rocha
Bastos
uma "Mobylette" de 1973
- colega inseparável do Serafim do lago -, compraram, sem conhecimento dos pais, uma “Mobylette”. (Ai, ai, ai!) Como apenas o Bastos tinha carta de condução de velocípedes, ele era o condutor oficial. E tudo correu bem até serem intercetados pela GNR na Estrada da Circunvalação, quando iam quatro a tripular a motoreta. (Ups!) Aconselhados a ir para casa para evitarem “sarilhos com a justiça”, tiveram de vender a
Mobylette. Como os pais não tinham tido conhecimento desta compra, eles tinham alugado uma garagem para a guardar, mas o dinheiro não chegava para a manterem guardada e isso conduziu à venda do velocípede.

E é destas pequenas grandes histórias que se alimenta a memória. Já sorriu, certamente, o leitor. E a equipa do CRESCER também. Mas o que é mais precioso é que independentemente de uns comemorarem 50 anos de escola este ano letivo e outros no próximo, todos estão unidos e sentem-se orgulhosos com o facto de serem pertença da ESÁS. 

A equipa do jornal CRESCER agradece a todos quantos, tão generosamente, colaboraram neste trabalho.

                                                                                                                                                                                      texto de Manuela Couto, docente de Português
colaboração (fotos e áudio) de Cândido Pereira, diretor do Centro de Formação maiatrofa

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