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quinta-feira, 4 de junho de 2020

o teatro (ainda) online

Algumas sugestões de teatro e dança para ver sem sair do sofá.
foto de Maria Leonor Nunes

     O ator António Fonseca irá dizer Os Lusíadas a 10 de junho, Dia de Camões, da Língua e das Comunidades Portuguesas, com transmissão online, no Facebook e no canal YouTube do Teatro nacional D. Maria II (TNDMII). A leitura integral e sem interrupções dos dez cantos da epopeia de Luís Vaz de Camões tem início às 10h da manhã e prolonga-se até às 19h, numa maratona de nove horas em direto nas redes sociais do teatro.

     “Verso por verso, estrofe por estrofe, episódio por episódio, canto por canto. Foi-se-me revelando uma grande história de vida, uma grande história da condição de ser humano, uma metáfora enorme da nossa condição de seres históricos, em qualquer sítio, em qualquer contexto cultural, em qualquer tempo”, diz numa nota o ator, que começou a trabalhar sobre Os Lusíadas em 2008, que chegou a decorar por inteiro, num projeto que apresentou em vários palcos em Portugal e no Brasil. Volta agora ao poema camoniano, a convite do TNDMII e depois da apresentação em direto ficará disponível no D. Maria II em Casa, onde já estão acessíveis mais de duas dezenas de antigos espetáculos, de diferentes criadores e autores, que passaram pelas salas do Nacional, nos últimos anos.
     A programação online do D. Maria, que só reabrirá ao público em setembro, irá decorrer até ao fim de junho, encerrando a 28, com a divulgação da programação da próxima temporada, depois de, a 27, ‘subir à cena’ digital Romeu e Julieta, de Shakespeare, numa encenação de John Romão, um dos últimos espetáculos que esteve em cena no teatro.
     Todas as sextas-feiras e sábados vão estrear, às 21h, na Sala Digital, ao correr do mês, novos espetáculos: Beaumarchais, de Jorge Andrade, pela Mala Voadora, já a 5; Parlamento Elefante, de Eduardo Molina, João Pedro Leal e Marco Mendonça, a 6; Sweet Home Europa, encenado por João Pedro Mamede, a partir de Davide Carnevali, a 12; Tiranossauro Rex, com texto e encenação de Alex Cassal, a 13; Terreno Selvagem, de Miguel Castro Caldas, Pedro Gil e Raquel Castro, a 19; A Divina Comédia – Inferno, de Dante pelo Bando, encenado por João Brites, a 20; e E Todas as Crianças são Loucas, uma criação de João Cachola, inspirada em Coração das Trevas, de Joseph Conrad, e Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, a 26.
     Aos sábados e domingos, às 11h, continua a programação dedicada aos mais novos, com atores a lerem diferentes histórias. E, às terças-feiras, às 17h, há Clube dos Poetas Vivos, no Instagram, o encontro de Teresa Coutinho com a palavra de vários poetas, com diferentes atores a lerem poesia em direto, numa parceria do TNDMII com a Casa Fernando Pessoa. Neste mês, abordar-se-ão nas sessões os temas Poesia Experimental Portuguesa, Letrista é Poeta: de Buarque a Dylan e Poesia Erótica e Satírica.
S. João online até agosto

     No Porto, o Teatro Nacional S. João (TNSJ) já reabriu as suas portas, depois dos meses de confinamento pela emergência sanitária, mas o teatro só entrará em cena em agosto. E logo a 6, com a estreia, no Teatro Carlos Alberto (Teca), de O Burguês Fidalgo, uma criação do grupo Palmilha Dentada, a partir de Molière, com encenação de Ricardo Alves, que irá ficar em cartaz até 23 desse mês. E a 20 de agosto será a vez de Castro, de António Ferreira, encenada por Nuno Cardoso, diretor do TNSJ, chegar ao palco do S. João. O espetáculo, uma produção própria do TNSJ, que estreou no Teatro Aveirense antes da pandemia, e que foi apresentado online no Dia Mundial do Teatro, tendo tido ainda um ensaio aberto digital, irá permanecer em cena até 12 de setembro.
     O TNSJ antecipa dessa forma a nova temporada, tendo reprogramado para 2021 todas as criações e co-produções nacionais que estavam previstas para os meses em que esteve encerrado.
      Até agosto, prossegue a programação online do São João, com destaque para dois projetos digitais criados especialmente neste período em que foram envolvidos 12 atores, que têm feito parte do elenco das produções próprias nos últimos anos: Pedro Almendra, Jorge Mota, Paulo Freixinho, João Castro, Diana Sá, Pedro Frias, Paulo Calatré, Miguel Loureiro, Luís Araújo, Mafalda Lencastre, António Afonso Parra e Pedro Manana. Um “Glossário Intempestivo de Teatro”, um “compêndio de termos técnicos, conceitos, jargão”, a prática e a história teatral, um “dicionário performativo”, como se explica em nota, é uma dessas criações. A outra tem que ver com a leitura de Vou ao Teatro Ver o Mundo, do dramaturgo e ensaísta francês Jean-Pierre Sarrazac, editado em 2016, numa edição conjunta do TNSJ e da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, com tradução de Alexandra Moreira da Silva e ilustrações de Abigail Ascenso.
Ainda online
     Entretanto, os Artistas Unidos, que irão retomar os espetáculos a 28 de agosto, no Teatro da Politécnica, já parcialmente reaberto, com Uma Solidão Demasiado Ruidosa, de Bohumil Hrabal, numa criação revisitada por António Simão, que a 16 e 17 de julho estará no palco do Teatro da Rainha, nas Caldas da Rainha, continua com algumas criações antigas no Facebook e no YouTube em Uma Peça de Cada Vez. Por tudo e por Nada, de Nathalie Sarraute, está agora acessível.
     A oferta online de teatro, dança e performance, é vasta e variada. De destacar, por exemplo, no âmbito da iniciativa RHI Think (www.rhi-think.com), do Arte Institute, ‘Tudo Quanto Vi – um poema coreográfico para Sophia’, de Fernando Duarte, da Dança em Diálogos, ainda disponível para visualização no site.
     E Sónia Baptista, a criadora e performer de quem a Culturgest disponibilizou online Direito à Tristeza, Hoje, integra as Consultations Poétiques do Theatre de la Ville, de Paris, dirigido pelo lusodescendente Emmanuel Demarcy-Mota, um “projeto revisto para este período de quarentena e confinamento”. As pessoas inscrevem-se e podem escolher fazer as suas consultas poéticas em várias línguas. E Sónia Baptista colabora com telefonemas, conversa e poemas na língua portuguesa. @Visao.Sapo

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