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quinta-feira, 18 de junho de 2020

melhorar a saúde e salvar o planeta


MELHORAR A SAÚDE E SALVAR O PLANETA: É ASSIM QUE SE DEVE COMER
“Se consomes um produto mais barato, mas o custo ambiental é elevadíssimo, na realidade não é assim tão barato porque vais pagá-lo no futuro. GENTE PEQUENA, EM SÍTIOS PEQUENOS, FAZENDO COISAS PEQUENAS, são as que podem mudar o mundo.”
Ana Marcén, padeira


Atualmente, a nível mundial, existe um paradoxo nutricional, por um lado subnutrição, por outro, obesidade, problemas cada vez mais frequentes devido às mudanças alimentares. A gestão de forma não sustentável, tanto da produção alimentar, como no consumo, para além de interferirem diretamente na saúde, têm um grande impacto no ambiente, na biodiversidade, nos ecossistemas locais, nas alterações climáticas e na estabilidade do sistema terra.
Segundo um relatório da comissão de especialistas da revista científica Lancet, o planeta não terá capacidade de alimentar a população mundial, sem uma alteração nos hábitos alimentares, uma melhoria na produção e uma redução do desperdício.
Deve aumentar-se o consumo diário de alimentos frescos, optando pelos produtos locais e de origem vegetal. Estes apresentam uma pegada ecológica inferior à dos de origem animal e aos produtos com maior grau de processamento. Não faz sentido importar maçãs da Argentina ou da Nova Zelândia, que percorrem milhares de quilómetros, quando temos maçãs portuguesas, que, muitas vezes, os agricultores deitam ao lixo.
Quanto à produção e utilização dos recursos, atualmente estamos a exceder a capacidade do planeta, num desrespeito pelo meio ambiente e pela biodiversidade, que põe em risco a nossa própria sobrevivência. Uma prática agrícola mais sustentável e precavida é, assim, urgente. A defesa das florestas, o bom uso dos recursos hídricos, o aproveitamento da água da chuvas, a utilização mais eficiente de maquinaria agrícola, a diminuição na aplicação de pesticidas e fertilizantes químicos (substituindo-os por alternativas mais amigas do ambiente) serão alguns dos passos a cumprir neste domínio.
No entanto, mesmo produzindo de forma sustentável e adquirindo hábitos alimentares mais saudáveis, ainda há muito a fazer em termos de desperdício alimentar. Segundo a FAO, “a cada ano, os alimentos produzidos sem ser consumidos causam um gasto de água equivalente à vazão anual do Volga” (rio mais longo da Europa), sendo responsáveis por gerar “3,3 biliões de toneladas de gases de efeito estufa”, o que representa aproximadamente 8% das emissões globais anuais desses poluentes. “A água vai ser o petróleo do séc. XXI” pelo que é necessário preservá-la.
Aliada à sustentabilidade alimentar, surge a questão dos alimentos biológicos. Cada vez mais a diferença entre os preços dos produtos biológicos e de origem vegetal e os preços dos produtos processados e de origem animal aumenta, levando os compradores a preferir estes últimos pelo seu baixo custo. A produção animal é uma das grandes preocupações dos dias de hoje. A pecuária é uma das principais causas para a produção e emissão de metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), gases com efeito de estufa. Na atividade agrícola, a utilização de fertilizantes químicos nos solos contribui também com 79% das emissões de N2O.
Assim, é essencial criar uma consciência ambiental, tanto por parte das empresas como da população, em geral, e adotar soluções e alternativas sustentáveis que permitam conciliar o crescimento económico e populacional, a promoção da saúde e a preservação do meio ambiente.
Está nas mãos do consumidor o maior poder na capacidade de gerir os alimentos e voltar a ensinar a capacidade de controlar o seu desperdício massivo”.

Adaptado de: RIBEIRO, JOANA e outros, (2019) Sustentabilizar o futuro através da alimentação, Projeto de Educação para a sustentabilidade alimentar, Associação Portuguesa de Nutrição, Santillana, Porto
                                                                                                                           Alunos do 11º B, turno 1
Professora de Biologia e Geologia

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