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02/06/2026

Poesia: "Ser Criança", Marisa Barradas

A propósito do Dia da Criança, publicamos um poema, da autoria de Marisa Barradas, assistente operacional da ESAS.


Ser Criança

freepik

Ser criança é um jardim em flor,
onde a inocência caminha de mãos dadas com o amor.
É um tesouro raro, um raio de luz,
uma estrela que nos guia e nos conduz.

Quando uma criança sofre,
o coração da humanidade chora.
Pois nelas habita a esperança
que renasce a cada aurora.

As crianças são a nossa bússola,
o norte que nos ensina a viver.
São mestres da simplicidade,
da arte de sonhar e crescer.

São pássaros belos e cintilantes,
que nos mostram como voar.
Abrem as asas da imaginação
e ensinam a alma a acreditar.

São pinceladas de cor na vida,
desenhando sorrisos sem fim.
São versos de uma eterna poesia,
florescendo dentro de mim.

Batamos palmas à sua pureza,
à sua alegria sem igual.
Pois o mundo seria mais belo
se escutasse a criança interior de cada mortal.

Que nunca percamos a capacidade
de brincar, sonhar e acreditar.
Porque ser criança é um estado da alma,
uma luz que jamais deve apagar.

Marisa Pires Barradas
(assistente operacional na ESAS)
1/06/2026

20/05/2026

Poesia: "Musicologia da Dança", Marisa Barradas

A vida pode ser um caos, mas é em ti que encontro força e ânimo.
No palco, o meu corpo desliza livre, sem medo do amanhã.
Sou criação em movimento — imaginação sem limites.
Ardo em cada gesto, em cada passo que me percorre.
Pinto o palco com cores vivas, cintilantes, como sonhos que recusam apagar-se.
A dança é a música que pulsa em mim,
um dom sem palavras, mas cheio de verdade.
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Por onde passo, deixo a marca —
uma assinatura viva que o tempo não apaga.
Na minha dança habita a luta:
a resistência de quem insiste em viver e sentir,
mesmo no peso dos dias.
A dança é a minha voz —
encantada, forte, profundamente minha.
És o meu refúgio, o meu casulo…
minha dança querida.

Marisa Barradas
(assistente operacional na ESAS)
30/04/2026

24/03/2026

"Poesia: A Eternidade que Habita em Mim", Marisa Barradas

 Poesia: A Eternidade que Habita em Mim

freepik
Não te quero efémera, Poesia.
Não te quero leve ao ponto de desapareceres
no primeiro sopro do esquecimento.
Quero-te densa.
Quero-te viva.
Quero-te com o peso das verdades
que poucos ousam carregar.
Quero-te feita de carne e alma,
de feridas abertas que sangram realidade,
de cicatrizes que contam histórias
que o tempo nunca conseguiu apagar.
Não te quero breve —
porque a minha alma não é breve.
Não te quero pequena —
porque o que sinto não cabe em limites.
Quero-te infinita.
Como o eco de um grito no vazio a memória de quem ama
mesmo depois da perda,
mesmo depois do fim.
Quero-te como abrigo,
mas também como confronto.
Quero que me acolhas
e, ao mesmo tempo, me obrigues a ver
tudo aquilo que tento esconder de mim.
Quero-te companheira —
não de momentos,
mas de existência.
Que caminhes comigo
nos dias em que sorrio por fora
e desabo por dentro.
Nos dias em que a vida pesa,
em que o mundo fere,
em que a esperança vacila.
Quero subir-te como quem enfrenta uma montanha colossal,
onde cada passo custa,
onde cada queda ensina,
onde cada lágrima se transforma em força.
E mesmo quando o cansaço me consumir,
quero continuar a subir-te…
Porque sei
que no teu topo
não existe apenas descanso —
Existe transformação.
Quero-te eterna em mim,
em todos os caminhos que ainda não conheço,
em todas as versões de mim que ainda vou descobrir.
Quero que sejas voz
quando o silêncio me aprisionar.
Que sejas luz
quando a escuridão me tentar vencer.
Que sejas verdade —
crua, nua, inegável —
mesmo quando essa verdade doer.
Porque é na dor que me encontro.
É na queda que me reconstruo.
É em ti…
que me torno infinita.
E se um dia o mundo esquecer o que escrevo,
que ao menos permaneça aquilo que senti —
Porque a verdadeira eternidade
não está nas palavras,
mas naquilo que elas conseguem tocar.
E é por isso que te escrevo, Poesia.
Não para ser lida —
mas para ser sentida.
Não para existir —
mas para permanecer.
Dedico-te
a todos os que escrevem com a alma rasgada,
a todos os que transformam dor em arte,
a todos os que recusam o superficial
e escolhem o eterno.
Porque nós não escrevemos por vaidade —
escrevemos para não desaparecer.

Marisa Pires Barradas, 
(assistente operacional da AESAS)
21/03/2026

10/03/2026

"Mulher: Chama que Não se Apaga", Marisa Barradas

A propósito do Dia Internacional da Mulher, publicamos um poema, da autoria de Marisa Barradas, assistente operacional da ESAS. 

Mulher: Chama que Não se Apaga 🌹

As duas Fridas, Frida Khalo 1939
Neste Dia Internacional da Mulher,
não celebro apenas a beleza da mulher,
celebro a sua coragem escondida
nas cicatrizes que o mundo nem sempre vê.
Há mulheres que carregam marcas no corpo,
mas no coração guardam uma força infinita.
Porque a vida pode ferir a pele,
mas nunca consegue queimar a alma.
Mulher é renascimento constante,
é levantar-se depois da queda,
é transformar lágrimas em esperança
e o sofrimento em sabedoria.
Mesmo quando o destino parece duro,
a mulher aprende a caminhar com dignidade,
de cabeça erguida,
com fé no amanhã.
Mulher é luz no meio da tempestade,
é voz que se levanta contra o silêncio,
é abraço que cura
e coragem que inspira o mundo.
Por isso hoje e sempre,
celebramos a mulher que luta,
a mulher que sonha,
a mulher que nunca desiste
de ser quem é.
Porque ser mulher
é ser chama viva,
é ser coragem,
é ser vida. ✨


Marisa Pires Barradas, 
08/03/2026

06/03/2026

"Grito da Noite", Marisa Barradas

GRITO DA NOITE 

"O Grito", Edvard Munch
pintor norueguês

O grito não tem dogma.
Não se curva.
Não se explica.
O grito nasce onde a palavra falha —
no abismo da alma.
É sede.
É urgência.
É o coração a bater contra as grades do próprio peito.
Ecoa no horizonte como trovão sem céu,
sobe a escada invisível da montanha da dor,
rasga o vento com a fúria de quem se recusa a desaparecer.
O grito pode ser alegria —
um clarão brutal por te ter.
Mas pode ser também o choro que ninguém vê,
a ausência que me atravessa como lâmina,
a saudade que grava o teu nome
no meu silêncio.
O grito é desejo em combustão.
É luxúria que incendeia o corpo.
É febre que não pede perdão.
Carrega pinceladas violentas de coragem,
traços firmes de fé,
como um quadro pintado às cegas
no escuro absoluto da noite.
Ó grito —
meu companheiro feroz!
Quando o cansaço deforma o meu corpo
e o mundo pesa como pedra nos ombros,
és tu que me manténs desperta.
Não me deixas cair.
Não me deixas esquecer.
Não me deixas morrer por dentro.
Tu não queres silêncio.
Queres eco.
Queres infinito.
E se a noite tentar sufocar-me,
se a escuridão me fechar as portas,
eu gritarei até que o universo me reconheça.
Porque o grito que vem da alma
não é ruído —
é identidade.
E na noite mais profunda,
quando tudo parece ruir,
o meu grito não é desespero.
É prova.
Prova de que estou viva.
Prova de que amo.
Prova de que resisto.
E enquanto houver noite,
haverá voz.
E enquanto houver voz,
haverá luz. 

Marisa Pires Barradas, 
(assistente operacional da AESAS) 
26/02/2026