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terça-feira, 24 de março de 2026

"Poesia: A Eternidade que Habita em Mim", Marisa Barradas

 Poesia: A Eternidade que Habita em Mim

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Não te quero efémera, Poesia.
Não te quero leve ao ponto de desapareceres
no primeiro sopro do esquecimento.
Quero-te densa.
Quero-te viva.
Quero-te com o peso das verdades
que poucos ousam carregar.
Quero-te feita de carne e alma,
de feridas abertas que sangram realidade,
de cicatrizes que contam histórias
que o tempo nunca conseguiu apagar.
Não te quero breve —
porque a minha alma não é breve.
Não te quero pequena —
porque o que sinto não cabe em limites.
Quero-te infinita.
Como o eco de um grito no vazio a memória de quem ama
mesmo depois da perda,
mesmo depois do fim.
Quero-te como abrigo,
mas também como confronto.
Quero que me acolhas
e, ao mesmo tempo, me obrigues a ver
tudo aquilo que tento esconder de mim.
Quero-te companheira —
não de momentos,
mas de existência.
Que caminhes comigo
nos dias em que sorrio por fora
e desabo por dentro.
Nos dias em que a vida pesa,
em que o mundo fere,
em que a esperança vacila.
Quero subir-te como quem enfrenta uma montanha colossal,
onde cada passo custa,
onde cada queda ensina,
onde cada lágrima se transforma em força.
E mesmo quando o cansaço me consumir,
quero continuar a subir-te…
Porque sei
que no teu topo
não existe apenas descanso —
Existe transformação.
Quero-te eterna em mim,
em todos os caminhos que ainda não conheço,
em todas as versões de mim que ainda vou descobrir.
Quero que sejas voz
quando o silêncio me aprisionar.
Que sejas luz
quando a escuridão me tentar vencer.
Que sejas verdade —
crua, nua, inegável —
mesmo quando essa verdade doer.
Porque é na dor que me encontro.
É na queda que me reconstruo.
É em ti…
que me torno infinita.
E se um dia o mundo esquecer o que escrevo,
que ao menos permaneça aquilo que senti —
Porque a verdadeira eternidade
não está nas palavras,
mas naquilo que elas conseguem tocar.
E é por isso que te escrevo, Poesia.
Não para ser lida —
mas para ser sentida.
Não para existir —
mas para permanecer.
Dedico-te
a todos os que escrevem com a alma rasgada,
a todos os que transformam dor em arte,
a todos os que recusam o superficial
e escolhem o eterno.
Porque nós não escrevemos por vaidade —
escrevemos para não desaparecer.

Marisa Pires Barradas, 
(assistente operacional da AESAS)
21/03/2026

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