A poesia contemporânea infiltrou-se, sem qualquer amarra ou contenção, nas aulas de Português do 12º Ano. Durante alguns dias, lemos poesia, ouvimos poesia, saboreamos poesia e… escrevemos poesia.
Eis alguns dos textos escritos na Oficina de Poesia 2020/2021 das turmas do 12º A e 12º G.
Para o frio, é o calor
Havia menos pessoas a olhar para o seu umbigo
Porque, melhor que o Sá Pinheiro
É impossível, ele é o nosso dinheiro.
O teu adeus deixou em mim um misto de emoções
Na barriga senti um frio
E o coração a perfurar os pulmões.
Mas aprendi que é assim o teu amor.
Dias cinzentos
E outros sem cor.
A noite é como um paraíso. Tudo sossegado e calado, onde o único som que se ouve é o silêncio. A luz que a lua irradia espeta a terra como um punhal, destruindo todas as sombras cruéis e almas inseguras que ainda não estão a dormir.
Poema da sala:
No aquário encontra-se o silêncio do adeus.
Anónima do séc XXI
No frio da noite, ela sentia o amor a escapar-lhe pelas mãos. Ouvia os seus discursos e acreditava, ou fingia que acreditava.
Acreditava que o amor era um sentimento de não querer largar, não deixar fugir e sempre proteger. Mas tudo se resume no adeus entre duas almas que se tocaram em tempos e se separam por um amor inexistente.
Branca de Neve
As lágrimas escorrem-lhe a cara como o orvalho da manhã.
Gostava que o meu amor lhe curasse a tristeza e a acordasse do sono da maçã.
Ainda bem que o caçador ficou sem força e mesmo que agora esteja morta, pelo menos parece sã.
Príncipe Encantado
Água que me envolves,
Não me lembrei que era inútil
Para que tu me deixasses
No desperto quente onde a sede
É o teu sinal de adeus.
Quero dar-te o tratamento do silêncio, até lágrimas caírem dos teus olhos. Napoleão Bonaparte
A guerra é como um incêndio
Um conflito cheio de dor
É criado com base na raiva
Causando bastante ardor
Deixando as pessoas desamparadas
As mesmas acabam sem aqueles que amam
Deixando de se sentir amadas
Da falta que sentem daqueles que partiram
Mas eles já não estão presentes
Nem o sentimento que no passado sentiram
Valerão as guerras a pena?
Visto que provêm de um lugar cruel e severo
Ou serão apenas as marcas de um regime austero?
Henrique Madureira
É uma realidade misteriosa,
Repleta de sombras e segredos.
É uma aguarela de cores frias
A noite oculta quem nela se aventura
É um vazio, cheio de vida.
Como se de um paraíso se tratasse
Enquanto sentia o caminho de orvalho,
Leve e tranquilo.
Mas o paraíso desapareceu
E a luz que me guiava se perdeu.
Foi como um punhal no coração
Em que a noite me deu a desilusão.
De momentos passados
Aqueles cheiros e cores
Que movimentam os amados
São alegria, mas são arrependimentos
Flores sem sentimentos
Que sempre trazem um sentimento
Em pétalas de ressentimento
Mas são estações do ano
Sem medo de ressentimento
Das
antigas memórias
Tiremos
as doces lembranças
Os
beijos apaixonados
As
noites festejadas
E
relembremos!
O
quão felizes já fomos!
Tomás
o dia é sóbrio e claro.
Mas a clareza é difusa
e a escuridão traz amparo.
e o escuro é translúcido.
E o conhecimento é fraco
quando não é esclarecido.
e o saber é tomar como garantido.
Então, mais vale afirmar-se ignorante com firmeza,
Do que dar-se por sabido e acabar perdido.
Onde no orvalho, o sol brilhava,
e era nostálgica a aragem,
que lá passava.
Todos os dias lá ficava,
Refletindo até o sol cair.
Era aquilo que eu mais amava,
Aquilo que me fazia existir.
Mas agora não passa de lembranças,
Já não tenho razão para cá ficar,
Pois aquela aragem não passa de esperanças
Que eu tenho de a voltar a encontrar.
Dono da sua complexidade
Com um calor que espalha saudade
Daquilo que o verão pode transmitir
Se há algo que gosto de ouvir
É o belo sabor da vida
Misturado com o que faz rir
Não importa se me vão ouvir
Só me importa aquilo que sinto
Que me prova que não estou a dormir.
Não tenho nenhuma ideia
Levaste com um pau??!!
Alguns selvagens são mais racionais que certos humanos
E assim é a sociedade do nosso mundo!
Uma cena random
Tenho saudades do bigode do Duarte
E hoje a cantar aquela canção, daquele lugar, do meu coração
Criança que fui e homem que sou, e nada mudou.





















