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24/04/2017

escolas públicas obrigadas a comunicar falhas nos boletins de vacina dos alunos

Apesar de ser prática as escolas pedirem o boletim de vacinas, ninguém pode ser barrado da inscrição. Mesmo se estiver em falta, diz o Ministério da Educação.

As escolas públicas estão obrigadas a comunicar ao centro de saúde da sua zona as falhas nos boletins de vacina dos alunos, informa o gabinete de comunicação do Ministério da Educação (ME). Mas, apesar de na hora das matrículas, ser prática os estabelecimentos de ensino pedirem o boletim de vacinas em dia, nenhum aluno pode ser impedido de se inscrever se não o tiver, acrescenta o ME.
O período de matrículas para o próximo ano lectivo começou na segunda-feira. E as práticas quanto à exigência do boletim de vacinas em dia variam consoante o agrupamento ou a direção escolar. No entanto, nenhuma das escolas ou associações contactadas pelo PÚBLICO se deparou com o incumprimento deliberado da vacinação do Programa Nacional de Vacinas por pais "anti-vacinas"
O tema foi levantado recentemente por causa do surto de sarampo: desde Janeiro foram confirmados 21 casos, um ano depois de a doença ter sido considerada eliminada em Portugal. Uma adolescente de 17 anos estava internada no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, depois de ter sido infectada por um bebé de 13 meses, não vacinado — morreu nesta quarta-feira de madrugada. Em Portugal, mais de 95 mil jovens não estarão vacinados. @ Público

19/04/2017

vacinar é o melhor remédio

O sarampo espalha-se com facilidade. Por gotículas. A transmissão é direta, por tosse, espirros, fala ou respiração. E quando se pensava que a doença estava adormecida, até mesmo extinta, eis que desperta e entra em Portugal, provavelmente trazida da Venezuela.
Os mais recentes dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) dão conta de 26 casos: 15 confirmados e 11 em fase de investigação. Sete estão no Algarve e os restantes na região de Lisboa. Neste momento, faleceu, no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.uma jovem de 17 anos que contraiu o vírus de uma bebé de 13 meses não vacinada.
A DGS fala num surto, está atenta à situação, e alerta para a vacinação. As vacinas são gratuitas e as crianças devem ser vacinadas contra o sarampo aos 12 meses com reforço da dose aos cinco anos, segundo o recomendado no atual plano de vacinação. As que não foram vacinadas de acordo com o atual programa, podem fazê-lo entre os 11 e os 13 anos.
«Nos últimos anos, tem havido por parte de algumas famílias a ideia que as vacinas podem ser prejudiciais para as crianças. A vacinação, num ou noutro caso, pode ser um problema, mas o que se consegue com a vacinação é muito mais do que o risco que se pode correr com as vacinas», avisa o médico. Rui Sarmento não tem dúvidas. A vacinação é a melhor forma de prevenir o sarampo e se o número de casos continuar a subir a DGS deve, na sua opinião, insistir nesta matéria. «Quem está imunizado não terá esse problema. Quando não havia um plano de vacinação muitas crianças eram infetadas, chegavam à idade adulta e já estavam imunizadas», diz.
Os dias do sarampo estão contabilizados. Depois do contacto com alguém infetado, surgem os sintomas. O período de incubação é de 10 a 12 dias. Depois o corpo sente uma espécie de gripe com febre alta, tosse, olhos vermelhos, corrimento nasal. Três ou quatro dias depois, manchas avermelhadas na cara que vão descendo e pintando o corpo. As manchas não têm prurido, nem provocam comichão, e demoram cerca de uma semana a desaparecer.
Não há um tratamento específico, nem pomadas para as manchas. «É o próprio organismo que vai resolver o problema. Uma semana depois das manchas, começa tudo a desaparecer e a criança recupera totalmente. Se não houver nenhuma complicação, não há tratamento», explica Rui Sarmento. Baixa-se a febre, reforça-se os líquidos na alimentação. Tratamento à medida dos sintomas. Das dores de cabeça, da falta de apetite, da sonolência.
Se houver complicações, a conversa é outra. «O vírus ataca, diminuiu as defesas do organismo, se não há uma resposta adequada à virulência criam-se condições para criar bactérias nos pulmões, por exemplo». E aparece uma pneumonia que tem de ser tratada com antibióticos e que pode ou não ser mortal. Haverá casos que necessitem de internamento e de isolamento e, por isso, é importante evitar o contacto com os não imunizados. «Alguém trouxe o sarampo para Portugal, já não tínhamos casos há muitos anos, e é muito fácil disseminar o vírus, transmite-se por gotículas, a tossir, a falar, a cantar», refere o médico.
O sarampo chegou a ser dado como extinto pela DGS. No ano passado, Portugal recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) um diploma em que o país estava oficialmente livre de sarampo. Mas não foi assim. Segundo o diretor do Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar do Porto, nunca se pode afirmar que uma doença está erradicada enquanto não houver a certeza absoluta que ela deixou de existir em todos os cantos do mundo e para sempre. @ NM