Número total de visualizações de páginas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Projeto BootStRaP analisa uso problemático da Internet

Por intemédio de Ana Andrade, as investigadoras do projeto BootStRaP, no qual a escola está a participar, solicitam a colaboração para que a divulgação do projeto chegue a todos os que pertencem à comunidade dos participantes. 

"BootStRaP analisa uso problemático da Internet em 9 países

Estudo internacional com adolescentes mostra que o uso problemático da Internet vai além do tempo de ecrã e está ligado à regulação emocional e ao autocontrolo.
O projeto BootStRaP acaba de lançar uma nova publicação científica que apresenta novos dados sobre o uso problemático da Internet entre adolescentes, com base num estudo realizado em nove países e que envolveu mais de 2500 jovens. O trabalho, que contribui para uma compreensão aprofundada dos fatores psicológicos, emocionais e cognitivos associados aos comportamentos online na adolescência, está publicado em acesso aberto na Comprehensive Psychiatry, uma revista científica internacional com revisão por pares.
A investigação do BootStRaP apoia-se em evidência acumulada que indica que os
adolescentes recorrem frequentemente à Internet não apenas para entretenimento ou
comunicação, mas como estratégia para lidar com o stress, a ansiedade e outras emoções negativas. A elevada acessibilidade dos ambientes digitais proporciona formas rápidas de alívio emocional que, em alguns casos, podem conduzir a dificuldades de autorregulação e a impactos negativos no sono, na aprendizagem, nas relações interpessoais e no bem-estar emocional.
Mais do que quantificar a tempo de exposição aos ecrãs, o estudo enfatiza a importância de compreender as motivações subjacentes ao uso da Internet e os mecanismos psicológicos envolvidos, nomeadamente as dificuldades em interromper a atividade online e o papel da Internet como principal estratégia de regulação emocional.
“O objetivo é compreender como o uso problemático da Internet se desenvolve através da interação entre a acessibilidade tecnológica, fatores de risco individuais, processos emocionais e capacidades de autocontrolo”, afirma Célia Sales, professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), membro do Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUP) e investigadora responsável pelo BootStRaP.

Avaliação em tempo real do quotidiano dos adolescentes

Uma das principais inovações metodológicas do estudo BootStRaP reside no facto de não se basear exclusivamente em inquéritos retrospetivos. O comportamento online, os estados emocionais e determinados processos cognitivos — como a atenção, o controlo de impulsos e a concentração — são avaliados em tempo real, através de uma aplicação móvel desenvolvida especificamente para o projeto, complementada por questionários periódicos. O processo de co-criação tecnológica desta aplicação móvel foi liderado por Hernâni Oliveira, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto – ISPUP.
Esta abordagem permite analisar as inter-relações entre atividade online, emoções e funcionamento cognitivo em contextos reais do quotidiano, reduzindo o enviesamento associado à recordação retrospetiva.
De acordo com Carolina Cordeiro (CPUP) e Teresa Dias (Centro de Investigação e Intervenção Educativas – CIIE), investigadoras do projeto, os adolescentes assumem um papel ativo no estudo, participando no desenvolvimento dos procedimentos de investigação e no design da aplicação.
A equipa de investigação sublinha que a promoção do bem-estar emocional dos adolescentes exige uma abordagem integrada, que considere não apenas o tempo de exposição aos ecrãs, mas também os fatores individuais de risco e os processos de regulação emocional. O estabelecimento de limites claros entre o uso de dispositivos digitais e outras atividades essenciais do quotidiano é apontado como um elemento-chave para promover um equilíbrio saudável.
O BootStRaP – Boosting Societal Adaptation and Mental Health in a Rapidly Digitalising, Post-Pandemic Europe é um projeto de investigação com a duração de cinco anos, financiado pelo programa Horizonte Europa, e desenvolvido em 14 países, incluindo Portugal, através da FPCEUP. O comportamento dos adolescentes, em concreto, é analisado em nove países europeus, recorrendo a uma aplicação móvel dedicada e a questionários periódicos, permitindo uma caracterização abrangente dos hábitos online, do bem-estar emocional, do funcionamento cognitivo e dos padrões comportamentais em contexto."

Podem consultar a notícia completa na  Newsletter e no LinkedIn do projeto.

envio de Ana Andrade

Sem comentários: