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23/11/2010

a (re)ler

Breve sinopse de "Ensaio sobre a Lucidez" de José Saramago:

Num país qualquer, num dia chuvoso de votação, poucos eleitores compareceram para votar, durante a manhã. As autoridades eleitorais, preocupadas, chegaram a supor que haveria uma abstenção gigantesca. À tarde, quase no encerramento da votação, centenas de milhares de eleitores compareceram aos locais de votação. Formaram-se filas quilométricas, e tudo pareceu normal. Mas, para desespero das autoridades eleitorais, houve quase setenta por cento de votos em branco. Uma catástrofe. Evidentemente que as instituições, partidos políticos e autoridades, haviam perdido a credibilidade da população. O voto em branco fora uma manifestação inocente, um desabafo, a indignação pelo descalabro praticado por políticos pertencentes aos partidos da direita, da esquerda e do meio. Políticos de partidos diferentes, mas de actuações iguais, usufruindo de privilégios que afrontavam a população. Os eleitores estavam cansados, revoltados. Os governantes, sentindo-se ameaçados, trataram de agir em nome da ordem, perseguindo, prendendo, maltratando, eliminando. Alguns que viveram os horrores da cegueira branca, novamente sofreram. Os governantes, preocupados em salvar a própria pele, em garantir o poder, não perceberam que a cegueira branca de outrora, demonstrativo de que há muito o homem estava cego, tinham paralelo com o voto branco de agora, indicativo de que a população não perdera a lucidez.

balanço desafio III

Foi a mais vista das mensagens deste blogue, como podem verificar na coluna da direita, que, simpaticamente, vai fazendo as contas desta casa.

Não é que A Nêspera ganhou à circular da DGRHE? Devemos tirar daqui alguma ilação?
Bolas, ou será que vale a pena ser nêspera? :) Ou ser velha? :)

Nós cá achamos que o que vale mesmo a pena é ser desafiado.

Muito gratas a todos os que aqui aparecem. Em especial aos alunos e aos professores da casa. São a nossa inspiração.

21/11/2010

desafio III

Desta vez, o desafio é solicitar que interpretem a metáfora contida no poema que apresentamos. Aguardamos comentários inspirados e contextualizados :)

(Pedimos desculpa pela incoerência da imagem, mas não encontrámos nenhuma foto em que a nêspera estivesse deitada, caladita, na cama.)

A Nêspera

uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse,
olha uma nêspera!
e, zás, comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

in Novos Contos do Gin, Mário Henrique Leiria

20/11/2010

uma imagem vale mais do que mil palavras

definição oportuna: paz

paz  (latim pax, pacis)
s. f.1. Quietação de ânimo.
2. Sossego, tranquilidade.
3. Ausência de guerra, de dissensões.
4. Boa harmonia.
5. Concórdia, reconciliação.
6. Paciência, pachorra.
7. Relig. catól. Cerimónia em que, na missa, o celebrante beija a pátena e abraça o diácono.
8. A pátena.
9. A relíquia ou imagem que nas catedrais se dá a beijar ao coro, etc.
abraço de paz: o que o corpo docente dá ao que se gradua em doutor.
anjo da paz: pessoa que trata de reconciliar desavindos.
gente de paz: gente pacífica e amiga.
paz octaviana!otaviana: paz profunda e inalterável.
paz podre: silêncio profundo.
símbolo da paz: a oliveira.

in PRIBERAM

19/11/2010

estados de alma

Muitos de NÓS estão esgotados.
A falta de condições de trabalho, as responsabilidades imputadas ao professor, a demissão das famílias na educação dos seus filhos, as horas de trabalho improdutivas, a falta de respeito pela profissão e pela pessoa do "mestre", derrotam paulatinamente qualquer educador bem-intencionado.
Mesmo aquele que, encantado com a ideia de partir à "tripla aventura" (como diz Steiner, citado no post "ser professor ainda é?"), se vê preso a "cabos na viagem" e rema "contra ventos e marés".
MC

ESTADOS DE ALMA

Estou cansada, cansada
Psicologicamente...
Mas tenho lido muito, muito
Muitos poetas
E cheguei à conclusão
Que há cabos nas nossas viagens
Tão difíceis de ultrapassar...
Sobretudo, remando, remando
Sempre contra ventos e marés!

Izilda Ribeiro (professora)

18/11/2010

para sempre???

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou hoje no Parlamento que os cortes aplicados aos vencimentos a partir de Janeiro de 2011 serão «para sempre».

16/11/2010

sugestão do Ricardo

Na nossa escola há cursos Profissionais. Também há Cursos Científico-Humanísticos.
Há turmas melhores do que outras. Há alunos mais empreendedores do que outros. Há professores mais dedicados do que outros.
, sobretudo, pessoas.
E essas, TODAS, querem um futuro melhor, zangadas ou não com o sistema, frustradas ou não com a sorte. Querem um futuro tão belo quanto a arte destas mãos o fazem.



Este post não tem nada a ver com Educação, mas foi um aluno, o Ricardo, que nos mostrou este vídeo. E o Ricardo é um aluno de um Curso Profissional vindo de um Curso Científico-Humanístico e é, sobretudo, uma pessoa que está a tentar fazer com que o seu futuro seja melhor.

15/11/2010

e o que é ser aluno de um curso profissional?

O espaço abaixo será acrescido dos comentários aqui chegados ao post ou ao email do blogue. A imagem é pura provocação.

14/11/2010

ser professor ainda é?

«Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra.»

George Steiner

13/11/2010

desafio II

O Elmo é uma das mais doces personagens da Rua Sésamo (quem não se lembra?) e compôs a sua própria canção "Elmo's Song".
Em dias cinzentos, e em fim-de-semana, sozinhos ou com a família ou amigos, o desafio é sugerir-vos que façam como ele: criem a vossa própria canção :)
Por exemplo: la la la... la la la... ESÁS song
"See what Elmo did":

12/11/2010

alguém duvida?

No processo de ensino/aprendizagem, metaforicamente visto como uma maratona, "tão bom é o atleta que chega à meta em 1º lugar, sem qualquer dificuldade, como o coxo que chega em último, cheio de dificuldades, mas chega. Todos devem ser premiados."
J. Q.
Alguém duvida? Nós, não.

11/11/2010

pode ser um problema do belili? do proxis?

Ó malta da informática, colegas, amigos, "entendidos" no assunto, desculpem lá, mas o Bruno tem mesmo razão. Ora vejam lá isto:

09/11/2010

este país não é para velhos?

"Um velho pobre é uma abomina­ção. É uma condenação à solidão, à doença, à miséria e à injustiça. Um ve­lho pobre é invisível aos olhos ingra­tos da sociedade. (...) Portugal é um país cruel com os seus velhos, desleixa-os, abandona-os e esquece-os. O Estado tem, a seu modo, cumprido essa fun­ção de velar pelos cidadãos que não podem velar por si. (...) Este Orçamento do Estado é cruel para com os velhos e reformados, os das esqueléticas pensões, os destituídos. Os velhos com direito a um Complemento Solidário do Idoso, os que têm rendimentos até 5 mil euros por ano (como é que alguém vive com este dinheiro?) ou rendi­mentos conjugais de cerca de 8 mil euros, não têm direi­to a sigilo bancário e são inspecionados e fiscalizados. (...) Na solidão das casas e dos quartos, aguardam a chegada do inverno e do frio que lhes rói os ossos porque não têm dinheiro para as faturas da eletricicidade. Alguns morrerão gelados ou da gripe. Prescindiram do banho quente. Quem não conhece estes velhos não conhece o pobre país que temos. Obrigá-los a pagar uma fatia, mínima que seja, do orçamento, é uma obscenidade. "
Clara Ferreira Alves, ÚNICA, 06-11-2010

porque o PORTO faz mais SENTIDO

... cantado pelo Rui Veloso, que anda há 30 anos nisto e enche Coliseus com público de todas as idades, cá vai uma homenagem à nossa cidade e ao seu intérprete:

08/11/2010

há fome nas escolas

foto Expresso
"Um pouco por todo o país, cada vez mais crianças chegam à escola com fome e é de estômago vazio que tentam aprender. Pouco ou nada comeram de manhã. Pouco ou nada jantaram na noite anterior. Sentam-se irrequietas, estão desconcentradas e algumas queixam-se de dores de barriga. Há alterações de comportamento associadas à fome que os professores já aprenderam a detetar e que garantem serem mais notórias este ano letivo. Com a crise, os estabelecimentos de ensino desdobram-se em soluções para o problema. As escolas são cada vez mais instituições de solidariedade social."
in Expresso, 6 Novembro de 2010

07/11/2010

ao Luís e à Diana

actriz Joana Mocarzel
Ontem vimos o Luís. Grande, adulto, falador, simpático. Fez 18 anos e está orgulhoso de si. É  um belo rapaz.
A Diana  tem quase a mesma idade. Tem 17. É uma menina-mulher criada com muito amor. Gosta de música e de dançar e é aprumadíssima nas tarefas domésticas.
São os dois muito amados.
Sorte de ambos, que encontraram nas suas famílias o suporte que muitas crianças nunca encontram, mesmo não sendo portadoras de qualquer deficiência.
Um abraço do tamanho do mundo a todos os Luís e a todas as Dianas e às famílias dessas crianças.

"A pessoa com Síndrome de Down quando adolescente e adulta tem uma vida semi-independente. Embora possa não atingir níveis avançados de escolaridade, pode trabalhar em diversas outras funções, de acordo com o seu nível intelectual. Ela pode ter a sua vida social como qualquer outra pessoa , trabalhar, praticar desporto, viajar, frequentar festas."
in weblones
A pessoa com síndrome de Down precisa, sobretudo, de muito amor.

este sexagenário é um encanto!

Inspirado em Spike, o cão preto e branco da família Shulz, Snoopy é da raça Beagle. É esperto, sonhador e apesar de nunca falar (afinal, era um cão) comunicava com os leitores através de expressões faciais e balões de pensamento. Snoopy sabe escrever, jogar basebol e tão depressa fantasia ser um piloto de aviões como um escritor consagrado. É corajoso e a única coisa de que tem medo é do gato do lado. Duas das suas actividades favoritas são beijar Lucy e roubar o cobertor de Linus. Tem como confidente (e vítima das suas partidas) Woodstock, um passarinho amarelo que sabe escrever à máquina e comunica através de pontos de exclamação. Tal como Snoopy, também Woodstock faz parte da equipa de basebol de Charlie Brown. Talvez por isso esta equipa nunca tenha ganho um único jogo.

Cada personagem de "Peanuts" é uma espécie de caricatura de uma determinada personalidade e forma de estar. Está lá tudo: a preguiça, a criatividade, o egoísmo ou a sensibilidade. E é por isso que 60 anos depois Snoopy e os amigos continuam a ser intemporais.

in jornal I

06/11/2010

vamos confiar-vos um segredo

A qualquer leitor (colega, aluno, amigo, visitante).
À Cristina, ao Ricardo, à Diana, ao Bruno, ao Rúben, à Mónica, ao Tiago, à Marta, ao Zé, à Raquel, ao João, à Ana, ao Luís, à Catarina, ao Alexandre, à Raquel, à Eduarda, ao António, à Cátia, ao Manel, à Sara...

A propósito de uma rosa (podia ter sido sobre qualquer outra coisa), disse o Principezinho à raposa:

"É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. É o tempo que perdeste com a tua rosa que torna a tua rosa tão importante. Os homens esqueceram-se desta verdade. Tornas-te responsável para sempre por aquilo que cativaste. És responsável pela tua rosa..."
in O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry

cursos diferentes, matrizes curriculares iguais!?

O excerto abaixo apresentado é parte de um texto datado de 2003, publicado no jornal "A Página". Alguém nos explica, muito devagarinho, o que mudou desde aí? É que podemos estar distraídos e a tal perplexidade que se destaca abaixo já não existir. Quiçá!

"No que diz respeito à proposta de revisão curricular do ensino profissional é perfeitamente legítimo o enquadramento estratégico apontado para a necessidade de dotar os jovens de um conjunto de saberes humanísticos, científicos e técnicos que lhes permitam exercer de forma activa o seu papel de cidadãos e lhes possibilitem uma efectiva inserção no mercado de trabalho.
(...)
No entanto, é com perplexidade que se extrai do documento a definição de uma matriz curricular que a aproxima das matrizes curriculares das outras modalidades do ensino secundário. Com esta medida perde-se, completamente, a especificidade do ensino profissional que tem sido tão sublinhado por todos os governos e pelos agentes sócio-económicos.
(...)
É, pois, com grande expectativa e confiança que se espera que o ensino profissional seja melhorado e que se permita às escolas continuarem a percorrer o caminho que desbravaram, senão perdem todos, os alunos, as instituições, as empresas , as comunidades... o país.
Amadeu Dinis, A Página, 2003
Nota: os destaques são da nossa responsabilidade. 

sem comentários

05/11/2010

solução desafio I: "O Falso Espelho"

O Luís desvendou o mistério do "olho".
É, de facto, "O Falso Espelho", de René Magritte e data de 1928.
"O olho, ao mesmo tempo que é um espelho da alma, é um falso espelho para o mundo concreto, porque ele não reflecte exactamente a realidade, na medida em que o que vemos sofre a interferência de cada um de nós." in Arts and Education
Verdade, não?
Surreal(ista)? Talvez.

04/11/2010

desafio I

A tela tem nome, mas o exercício de a tentarem "baptizar" é um desafio curioso. Não vale googlar :)

então a DGRHE orienta e nós não percebemos? mau, mau!!!

Pensamos porque razão tanto se regulamenta e depois é necessário ofícios sobre ofícios a esclarecer. Das duas, uma: ou estamos a ficar "lerdinhos" ou as regulamentações são estranhas. Nós votamos na segunda hipótese.                                                                                   Pode ler-se no AD DUO, blogue que se ocupa da legislação para docentes:                                                                                   "1.º, antes do ECD de 2007, a Formação Contínua só era exigida no momento em que se operava a progressão, ou seja, quando coincidisse com a data em que perfazia o tempo de serviço e somos de opinião que para operar as regras do novo ECD, não se pode exigir que se tivesse feito FC quando não era exigida.

2.º, no ciclo 2007-09 da ADD e sobre os pressupostos do ECD de 2007, a solução encontrada para a falta de oferta formativa pública foi considerar aquela que ainda não tinha sido utilizada desde que não tivessem sido tomadas em consideração em anteriores avaliações (art.º 6.º do DR 1-A/2009).
Foi considerada, certamente, formação realizada já no escalão em que se situavam. Desconhecemos se algum professor não terá progredido ou não tenha sido avaliado por falta da realização da FC no ciclo em causa. Atrevemo-nos a considerar que seja uma situação que não ocorreu.

3.º, faltava encontrar uma solução para o ciclo ADD 2009-2011. E só poderia ser nestes termos. Consideramos que não é desajustada a solução e neste sentido, não penalizará quem realizou FC assim como quem não a realizou por falta de acesso a oferta formativa pública.

O Arlindovsky, depois, acrescentou e muito bem, que a maioria dos docentes (os bacharéis) com mais de 6 anos no índice 299 são os que por força do DL 312/99, 10.ago, estavam impedidos de subirem ao índice 340 por se encontrarem no topo da sua carreira.

Consideramos que está encontrada a solução para os Directores não terem que exigir 100 horas de FC e é bom que se sublinhe que o que está em causa não é uma benesse."
in AD DUO, 04-11-2010

então a DGRHE orienta e nós não percebemos? mau, mau!!!

Pensamos porque razão tanto se regulamenta e depois é necessário ofícios sobre ofícios a esclarecer. Das duas, uma: ou estamos a ficar "lerdinhos" ou as regulamentações são estranhas. Nós votamos na segunda hipótese.                                                                                   Pode ler-se no AD DUO, blogue que se ocupa da legislação para docentes:                                                                                   "1.º, antes do ECD de 2007, a Formação Contínua só era exigida no momento em que se operava a progressão, ou seja, quando coincidisse com a data em que perfazia o tempo de serviço e somos de opinião que para operar as regras do novo ECD, não se pode exigir que se tivesse feito FC quando não era exigida.

2.º, no ciclo 2007-09 da ADD e sobre os pressupostos do ECD de 2007, a solução encontrada para a falta de oferta formativa pública foi considerar aquela que ainda não tinha sido utilizada desde que não tivessem sido tomadas em consideração em anteriores avaliações (art.º 6.º do DR 1-A/2009).
Foi considerada, certamente, formação realizada já no escalão em que se situavam. Desconhecemos se algum professor não terá progredido ou não tenha sido avaliado por falta da realização da FC no ciclo em causa. Atrevemo-nos a considerar que seja uma situação que não ocorreu.

3.º, faltava encontrar uma solução para o ciclo ADD 2009-2011. E só poderia ser nestes termos. Consideramos que não é desajustada a solução e neste sentido, não penalizará quem realizou FC assim como quem não a realizou por falta de acesso a oferta formativa pública.

O Arlindovsky, depois, acrescentou e muito bem, que a maioria dos docentes (os bacharéis) com mais de 6 anos no índice 299 são os que por força do DL 312/99, 10.ago, estavam impedidos de subirem ao índice 340 por se encontrarem no topo da sua carreira.

Consideramos que está encontrada a solução para os Directores não terem que exigir 100 horas de FC e é bom que se sublinhe que o que está em causa não é uma benesse."
in AD DUO, 04-11-2010

03/11/2010

(in)confidências

Hoje recebi esta sms de um amigo:

"Não sem bastante emoção, no silêncio do meu gabinete, navego, com muitas memórias, através de um certo blog! :) Um abraço para todos... até que os braços me doam!"

Respondi, emocionada, como sempre lhe respondo:

"Que nunca te doam as mãos de uma escola que fizeste. Abracinho."

Eu sei que tu me perdoas a inconfidência, José Queirós! :)

cães ajudam crianças autistas

Um estudo recente desenvolvido por investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, concluiu que os cães desempenham um papel importantíssimo no desenvolvimento das crianças com necessidades especiais, segundo o site Softpedia, citando um estudo publicado na revista Psiconeuroendocrinologia. Sonia Lupien, investigadora sénior, professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Montreal e directora do Centro de Estudos de Stress Humano do Hospital Louis-H. Lafontaine, e os seus colegas, mediram a quantidade de cortisol presente na saliva de crianças autistas, para detectarem os níveis de stress. O corpo humano produz a hormona do cortisol em resposta ao stress, que atinge o seu pico meia hora depois do acordar e estabiliza ao longo do dia. “Tentámos avaliar o efeito que os cães tinham no nível de stress das crianças em três momentos diferentes: antes e durante a introdução do cão e família e depois de o cão abandonar a família”, explicou Sonia Lupien. Aos pais foi-lhe pedido que preenchessem um questionário sobre o comportamento das crianças nesses três momentos, os revelaram que as crianças revelaram 33 comportamentos problemáticos antes e depois de o cão chegar à família e apenas 25 quando o cão estava com eles. Este estudo permitiu concluir que cães devidamente treinados ajudam a diminuir os níveis de ansiedade nestas crianças e contribuem para incrementar a sua socialização. Lupien acrescentou ainda que a investigação “conclui que os cães têm um verdadeiro impacto nos níveis da hormona do stress nas crianças”.

Há várias décadas que é aconselhado às famílias com crianças autistas a terem um cão, mas este é o primeiro estudo científico que mede o impacto psicológico dos cães nestas crianças.
in JN, 02-11-2011