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10/01/2017

texto de Saramago, inédito em língua Portuguesa, publicado na revista Blimunda


Um texto do escritor José Saramago sobre a Europa, originalmente publicado no jornal francês Libération, é publicado pela primeira vez em língua portuguesa no último número da revista digital Blimunda, disponível no site da Fundação José Saramago.
Só um pedacinho para aguçar a vontade de ler mais:
"Nenhum país, por mais rico e poderoso que seja, deveria arrogar-se uma voz mais alta", nem "propor-se como mentor ou guia dos restantes", porque as culturas não são melhores nem piores, nem mais ricas ou mais pobres, umas que as outras, e é pela diferença que se justificam."

16/11/2012

dia do desassossego

José de Sousa Saramago (16 de Novembro de 1922 / 18 de Junho de 2010)


Casa dos Bicos muda aspeto da fachada


Aniversário do escritor será assinalado com o primeiro "Dia do Desassossego". Do programa constam várias iniciativas, quase todas inspiradas na obra de José Saramago. O Expresso divulga alguns pormenores, mas só amanhã se verá tudo. 
A Casa dos Bicos, em Lisboa, vai mudar de aparência, ao meio-dia. Janelas e varandas serão transformadas em quadros do pintor José Santa-Bárbara, com cenas do "Memorial do Convento". A iniciativa é apenas uma das muitas preparadas para a comemoração do 90º aniversário de nascimento do escritor José Saramago.
A Fundação José Saramago, cuja sede é na Casa dos Bicos, escolheu fazer desta sexta-feira, data em que o escritor português faria mais um aniversário, para ser o primeiro "Dia do Desassossego", como "chamada de atenção".
"Somos seres pensantes e queremos viver enquanto tal. Não somos massa, nem um número, nem uma estatística, e muito menos um rebanho dirigido. Somos homens e mulheres capazes das maiores proezas, incluindo a de sorrir em tempos sombrios, porque decidimos que ninguém nos gela o sangue nem nos corta a respiração", lê-se no manifesto .
Quanto ao programa da Fundação, ao meio dia, a sua sede sofrerá uma intervenção. As janelas e varandas da Casa dos Bicos exibirão telas do pintor José Santa-Bárbara, com cenas do "Memorial do Convento".
A exposição na fachada é dada a conhecer antes do início de um espetáculo de teatro e música, com a teatralização de excertos do "Memorial" e a interpretação de árias de Domenico Scarlatti, a partir das janelas. À mesma hora, no 4º andar da Fundação, pode ser visitada uma exposição de retratos de Saramago da autoria de nove artistas plásticos portugueses e espanhóis, com textos de José Saramago.
Durante a tarde, as celebrações passam para as ruas da Baixa lisboeta, com a realização de leituras de "O Ano da Morte de Ricardo Reis".
Às 18h, no Teatro de São Carlos - e com entrada gratuita (mas sujeita à lotação da sala) - serão interpretados o Requiem, de Fauré, e a Sinfonia Fantástica, de Berlioz, num concerto de homenagem ao escritor. @ EXPRESSO

13/06/2012

Fundação Saramago é, desde hoje, um "novo centro cultural" aberto ao mundo

O presidente da Câmara de Lisboa afirmou, esta quarta-feira, que a Fundação José Saramago é um "novo centro cultural" aberto "à cidade e ao mundo", tendo como missão a fidelidade ao legado do escritor e à sua "atualização criativa".

No discurso de inauguração da Fundação, na Casa dos Bicos, António Costa afirmou que este projeto, que tem o apoio da autarquia desde 2008, "é um grande motivo de satisfação e de orgulho para a Câmara Municipal de Lisboa".
Lisboa conta a partir de hoje, no "edifício memorável da Casa dos Bicos", com "um espaço aberto a atividades culturais diversas".
"Aqui se dá corpo e alma a um desígnio essencial da cultura, que a torna inseparável da consciência que temos do estado do mundo e da nossa vontade de liberdade e de justiça para todos", sublinhou o autarca.

Para António Costa, "a fidelidade ao legado de José Saramago e à sua atualização criativa são o fundamento e a missão deste novo centro cultural".
"Esse legado tem muitas dimensões e alcances. Nele, é fundamental a atenção à cultura e à língua portuguesas, mas também a promoção de uma cultura universalista, fundada na defesa dos direitos humanos, segundo a matriz da Declaração Universal, e incluindo a defesa do meio ambiente e do futuro da terra", sublinhou.

08/05/2012

daquela CLARABOIA viu o que ninguém viu

"Claraboia" é um livro "perdido" por Saramago aos seus 30 anos e reencontrado mais tarde, na sua maturidade. Ainda bem!

05/05/2012

Lua onde estás, Sol aonde vais?


daqui

"Tu és Sete-Sóis porque vês às claras, tu serás Sete-Luas porque vês às escuras, e, assim, Blimunda, que até aí só se chamava, como sua mãe, de Jesus, ficou sendo sete-Luas, e bem baptizada estava, que o baptismo foi de padre, não alcunha de qualquer um. Dormiram nessa noite os sóis e as luas abraçados, enquanto as estrelas giravam devagar no céu, Lua onde estás, Sol aonde vais."

"Memorial do Convento", José Saramago

17/10/2011

"Claraboia"


O romance que José Saramago escreveu na juventude e deixou inédito até ao fim da vida está a partir de hoje à venda, numa tiragem de 50 mil exemplares, duas semanas depois de ter sido disponibilizado em formato e-book. Este é um romance publicado postumamente pois Saramago, depois de ter visto recusada a sua publicação bem como o retorno do documento original, não mais o quis publicar e deixou a responsabilidade do destino de "Claraboia" a quem o sucedesse.

A Fundação José Saramago emitiu um comunicado onde explica a origem deste romance.
Saiba mais, aqui.

28/04/2011

não temos um projecto de país

"Mas a realidade é esta: não temos um projecto de país. Vivemos ao deus-dará, conforme o lado de que o vento sopra. As pessoas já não pensam só no dia-a-dia, pensam no minuto a minuto. Estamos endividados até às orelhas e fazemos uma falsa vida de prosperidade. Aparência, aparência, aparência - e nada por trás. Onde estão as ideias? Onde está uma ideia de futuro para Portugal? Como vamos viver quando se acabarem os dinheiros da Europa? Os governos todos navegam à vista da costa e parece que ninguém quer pensar nisto, ninguém ousa ir mais além."

José Saramago, in "Entrevista revista Visão, 2003"

26/11/2010

pensamento do dia

"Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos.

Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir."

  José Saramago

23/11/2010

a (re)ler

Breve sinopse de "Ensaio sobre a Lucidez" de José Saramago:

Num país qualquer, num dia chuvoso de votação, poucos eleitores compareceram para votar, durante a manhã. As autoridades eleitorais, preocupadas, chegaram a supor que haveria uma abstenção gigantesca. À tarde, quase no encerramento da votação, centenas de milhares de eleitores compareceram aos locais de votação. Formaram-se filas quilométricas, e tudo pareceu normal. Mas, para desespero das autoridades eleitorais, houve quase setenta por cento de votos em branco. Uma catástrofe. Evidentemente que as instituições, partidos políticos e autoridades, haviam perdido a credibilidade da população. O voto em branco fora uma manifestação inocente, um desabafo, a indignação pelo descalabro praticado por políticos pertencentes aos partidos da direita, da esquerda e do meio. Políticos de partidos diferentes, mas de actuações iguais, usufruindo de privilégios que afrontavam a população. Os eleitores estavam cansados, revoltados. Os governantes, sentindo-se ameaçados, trataram de agir em nome da ordem, perseguindo, prendendo, maltratando, eliminando. Alguns que viveram os horrores da cegueira branca, novamente sofreram. Os governantes, preocupados em salvar a própria pele, em garantir o poder, não perceberam que a cegueira branca de outrora, demonstrativo de que há muito o homem estava cego, tinham paralelo com o voto branco de agora, indicativo de que a população não perdera a lucidez.