Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta blogosfera. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta blogosfera. Mostrar todas as mensagens

29/01/2015

da blogosfera: o regresso das hienas

São os do costume (aqui e aqui), fingem que a prova foi aplicada aos professores que estão a leccionar e não a aspirantes que muito poucas aulas deram. Escamoteiam que estes candidatos profissionalizados à docência são o produto dos cursos criados ou certificados pelos seus ídolos no MEC (ou será que não foram, na sua larga maioria, formados já à bolonhesa neste milénio?) e que dificilmente se pode considerar que são os que estão a ensibnar “os nossos filhos” nas escolas (que eles indicam ser sempre as públicas, pois não sabemos o que resultaria de uma PACC aplicada no ensino privado).
Eu poderia adjectivar estes senhores, mas eles sabem bem o que penso deles e da sua postura de arrogância pseudo senatorial num caso ou, no outro, de “investigador” que nada fez até ao momento que justifique a atitude de condescendência para com toda uma classe profissional que ele parasita nas suas diatribes.
Os textos que escrevem não ofendem apenas aqueles que fizeram a prova, pois são feitos de modo a lançar publicamente dúvidas sobre todos os professores. É esse o seu objectivo, voluntário, recorrente.
Podem dizer que não e até argumentar que “eu até tenho muitos amigos professores” ou “tenho professores na família”, mas já sabemos que nesses casos são todos bons, excepto uns conhecidos deles da Faculdade que eram idiotas e foram para professores. E também temos sempre aqueles exemplos dos alemães do pós-guerra que até tinham imensos amigos judeus nos anos 30.
É tudo treta, da mais rasteirinha.
Em nenhum momento eu produzi aqui um texto sobre “os (maus) jornalistas” ou “os (maus) investigaodres” só por este ou aquele palerma ser um lamentável exemplo para o jornalismo ou a investigação. O chuveirinho de lama que esta gente com rosto produz procura achincalhar todos os professores e, repito, é algo deliberado e nascido de um preconceito de “linhagem” pacóvia como a prova que exaltam e não sei se saberiam fazer.
Quero lá saber se depois tuítam pelas costas ou produzem anátemas nas suas tertúlias sobre mim e a minha “arrogância” como já aconteceu com outras luminárias de alguma comunicação social de “opinião” (as câncios, as rolos duartes, os queriduchos de um lado, os insurgentes e blasfemos do outro). A verdade é que me sinto realmente muito superior, exactamente por ser professor, a esta cambada de desocupados, que vive das conexões e conhecimentos e muito raramente das verdadeiras capacidades ou competências. E não tenho dúvidas que milhares e milhares de professores são imensamente superiores do ponto de vista intelectual e ético a quem sobre eles opina na base do achismo ou da investigação por encomenda.
Porque a melhoria dos resultados dos alunos portugueses é facilmente mensurável, enquanto o declínio de outras actividades é bem evidente. @ A educação do meu umbigo, Paulo Guinote

16/12/2014

da blogosfera: o habitual falso recuo

Ao que parece, o Conselho de Escolas vai, mais do que tardiamente, pronunciar-se hoje sobre esta questão.
Quanto ao mais, penso que as formalidades que o próprio desgoverno apresentou para avançar com esta municipalização educativa não foram cumpridas, mas quase toda a gente assobia para o lado.
Teremos, assim, em 2015, muitas escolas dirigidas à distância, em diversos casos, por malta que mal conseguiu se pirou das escolas, pois não aguentava uma semana de aulas a sério." @ A Educação do meu Umbigo, Paulo Guinote

03/10/2014

da blogosfera: conselhos muito simples…

Gastem uns 10 minutos por dia para relembrar-lhes coisas muito simples e básicas para o bom convívio de todos.
  • O pátio, corredores e espaço diante das salas de aula não são ringues de wrestling.
  • O tom de voz deve depender da distância a que se encontra o interlocutor e não do máximo que podem atingir as respetivas cordas vocais, sejam quais forem os locais ou circunstâncias.
  • A forma de responder a um@ professor@ ou funcionári@ não deve começar obrigatoriamente por um “não” ou “não fui eu” ou “não fui o único a fazer isso”.
  • A forma de se sentar e estar numa sala de aula não é a mesma de se sentar ou estar numa esplanada.
  • Se todos acharem que devem ser @s primeir@s a falar, acaba por ninguém se entender.
  • O vocabulário a utilizar no espaço escolar e na sala de aula deve ser mais ou menos equivalente ao que se deve usar, sem perigo, num jantar de família.
Há mais coisas, mas se isto for lembrado todos os dias, ou dia sim, dia não, mesmo atingindo quem se comporta bem, muita coisa poderá melhorar.
Ahhh… e não se esqueça: nem sempre o voss@ filh@/educand@, lá por ser @ voss@, tem automaticamente razão em todas as situações. Mesmo que tenha em 80% (uma proporção muito razoável), haverá sempre uma ou outra vez em que não tem e é aconselhável averiguar primeiro, antes de dispara(ta)r." @ A Educação do meu Umbigo, Paulo Guinote

12/06/2014

da blogosfera: serão cada vez menos no ensino superior


"Menos alunos inscritos para exames e também menos candidatos ao ensino superior — é este o cenário do final deste ano lectivo", informa o Público. E acentuar-se-á a redução de alunos no ensino superior e nada disso terá uma qualquer relação com a natalidade.
 Mais de 50% dos alunos do ensino secundário não frequentam as escolas públicas que em muitos concelhos têm condições para todas as ofertas necessárias. O mercado (selvagem) da Educação atingiu um pico inaceitávelSe o que acabou de ler não for invertido, o ensino superior reduzir-se-á a números de frequência equivalentes às décadas de setenta e oitenta do século passado. Continuam a existir jovens que "desistem" ainda nos segundo e terceiro ciclos e dos que chegam ao ensino secundário mais de 50% nem sequer fazem os exames do 12º ano. 
Se continuarmos com as políticas dos últimos três anos, a médio prazo teremos números que nos voltarão a envergonhar e o desenvolvimento do país seriamente comprometido. Será o empobrecimento comprovado. @ Correntes

19/05/2014

da blogosfera: o novo desconto para a ADSE por índice de vencimento

O Novo Desconto para a ADSE por Índice de Vencimento

O quadro seguinte apresenta a diferença do valor de pagamento para a ADSE por índice de vencimento, em função da alteração do desconto de 2,5% para 3,5%.
A última coluna apresenta o valor pago para a ADSE em função de 14 meses de vencimento. Retirando os descontos para o IRS e a CGA/SEG SOCIAL cada docente quase paga um vencimento líquido para beneficiar deste sub-sistema de saúde ao longo do ano.
Muitos docentes vão fazer contas a estas despesas e é quase certo que o saldo final das receitas da ADSE com este aumento vão cair em relação a anos anteriores, o que pode vir a tornar insustentável a própria ADSE.

18/02/2014

da blogosfera: ano após ano

Desde 2006 que diminui o número de professores dos ensinos básico e secundário. A redução ultrapassaos milhares todos os anos. Não se julgue que a diminuição se deve apenas às reformas com brutais penalizações. Houve despedimentos colectivos entre os professores contratados e todos os que ficaram no sistema sofreram cortes salariais na ordem dos 20% a 30%.

Perante os números, podemos afirmar que metade da austeridade do país caiu em cima dos professores. É bom que se refira que nos 129312 professores (eram cerca 195000 em 2005) estão incluídos os docentes que leccionam nas escolas privadas e nos estabelecimento de ensino cooperativo (serão perto de 30000). @ CORRENTES

22/01/2014

da blogosfera: esquecimentos do MEC

Esquecimentos do MEC

. Devolver o dinheiro da PACC;

. Publicar a lista de dispensados do período probatório;

. Despachar as colocações ao Plano Casa;

. Publicar a lista de colocados do Concurso Externo Extraordinário – Execução da Sentença.

. Lançar a Reserva de Recrutamento 15, quanto mais não seja para dizer que todos os professores ficam na mesma escola com as tarefas atribuídas no início do ano letivo.

Mais alguma coisa?  

in BlogDeArlindo

18/11/2013

da blogosfera: termina hoje o prazo

… para os professores classificadores darem resposta por mail à Drª Paula Meneses para a participação no “projeto” como classificador da PACC.
Não conheço qualquer voluntário para este “projeto” e acho que o MEC vai tomar decisões em função do número de classificadores que lhe chegarem. Se o número for bastante reduzido quase aposto que dispensará os docentes com mais de 5 anos de serviço de fazerem a prova de avaliação este ano.
E amanhã é o último dia de prazo para sair o aviso de forma a que a prova se realize dia 18 de Dezembro. @ Blog DeAr Lindo

07/11/2013

da blogosfera: de humilhação em humilhação

Ver um telejornal e deparar com a polémica à volta da prova de avaliação de professores é humilhante para este grupo profissional. Lá aparece o ministro a dizer sei lá o quê e seguem-se os sindicatos a ameaçarem com tribunais ou professores a manifestarem a sua justa indignação.

Há cerca de oito anos que é assim e quase diariamente: a vida profissional dos professores portugueses é a mais devassada do sistema solar. Se o MEC desconfia da credibilidade de algumas instituições que se dedicam à formação inicial dos professores, que as aponte e encerre ou que as sujeite a uma qualquer avaliação credível. Dá ideia que é isso, mas os lóbis do costume prevalecem e as verdades tornam-se inconvenientes. Mas o que não devia acontecer é esta forma indigna de nivelar por baixo, atingindo todos, e com o detalhe dos 20 euros; e imaginam-se os próximos episódios.
Paulo Prudêncio in Correntes

28/06/2013

da blogosfera: as provas da 1ª fase


Nesta 1ª fase, as provas evidenciam um exagerado grau de dificuldade acrescida, quiçá para justificar a mudança de paradigma/programas de algumas das disciplinas.
O que se pretende? Resultados negativos, para poder haver argumentos válidos contra o "antigamente"? 
Muitas das provas apresentam o cúmulo do disparate cognitivo que prolifera na mediocridade de quem tem o queijo e a faca na mão. (adaptado de "Secos e Molhados")

27/06/2013

da blogosfera: resultados da luta dos professores

"- a Direcção de Turma que o MEC tinha tirado da Componente Lectiva regressa à casa de partida (3 mil horários que continuam);
- há actividades até agora por regulamentar que passam directamente para a componente lectiva, o que significa mais horários;
- 6 mil docentes com a aposentação pedida não irão ter serviço a 1 de Setembro. São mais 3 mil horários;
- a componente lectiva fica como está, ou seja, não aumenta o nosso tempo de aulas. Falava-se em 3 horas a mais na componente lectiva. Se fossem 3h por cada um dos 100 mil professores no sistema…
- a redução por idade na componente lectiva não sofre qualquer alteração;
- a componente individual fica claramente definida, algo até agora mutável ao sabor de cada Director;
- um professor só será enviado para horário zero se não tiver mesmo qualquer hora na sua escola.
Podia ser mais e melhor?
Claro. Poderia até haver um ponto sobre o aquecimento global e a caça às baleias..." @ AVENTAR

21/06/2013

da blogosfera: duas semanas de greve...


… e uma adesão que leva à não realização de 100% das reuniões de avaliação na maioria das escolas.

Mais um recorde de que este governo se pode orgulhar, embora finja publicamente que nada se está a passar e que tudo não passa de uma guerra de “cúpulas sindicais radicais”. @ A Educação do meu Umbigo de Paulo Guinote

29/05/2013

da blogosfera: "A falta de senso dos defensores do consenso"

A falta de senso dos defensores do consenso
Santana Castilho*
Diariamente, grandes e pequenas coisas, afinal aquilo de que é feita a vida, desfilam em alardes de falta de senso, mesmo quando os seus intérpretes, por inerência dos cargos que ocupam, dele nunca devessem prescindir. O país não está só em recessão e depressão. Parece gerido a partir de uma nave de loucos. 

1. Em nome do consenso, Cavaco Silva criticou Paulo Portas por falar e expor, em público, a fragilidade da coligação moribunda. Mas não se coibiu, ele próprio, de defender, em público, o que Portas disse. Que a senhora de Fátima (segundo ele provável responsável pela conclusão da sétima avaliação) lhe ilumine o senso comum, já que os “cidadões” (novo presidencial plural) recusam consensos sabujos. 

2. Não é de senso comum ou sequer mínimo que se trata quando se ouve, como ouvimos, o primeiro-ministro afirmar, naquele jeito característico de estadista de Massamá, que os cortes apresentados ao eurogrupo não se aplicam à generalidade dos cidadãos mas, tão-só, aos reformados e funcionários públicos. A questão é de siso. Não o tem, de todo, quem teima em dividir os portugueses em subespécies: os espoliáveis, sem direito a pio, e a “generalidade”, salva e agradecida. 

3. Alguém dotado de senso mínimo acreditará que a pantomina da linha vermelha não seja a expressão combinada da total falta de senso de governantes empenhados em aterrorizar todos para aplicar a alguns as últimas patifarias do poder? Seria sensato Passos Coelho anunciar, a 3 de Maio, uma taxa sobre as pensões, sem que Paulo Portas o soubesse, ou que o primeiro ignorasse a fanfarronice que o segundo iria proferir, a 5, e engolir uma semana depois? Escrevi “patifarias do poder” e dou aqui por soletrada a expressão, para que resulte claro que pesei o que escrevi. Ou alguém de senso acha inadequado o qualificativo para designar o modelo anunciado de fuzilamento moral de funcionários públicos? 

4. O país não ensandecido assistiu, atónito, à leviana falta de senso de alguns deputados. “Os Verdes”, sem passarem os olhos pelos programas de ensino, propuseram resolver o que há décadas está resolvido, isto é, o estudo da Constituição da República Portuguesa no contexto de várias disciplinas curriculares, designadamente História e História e Geografia. Fernando Negrão, magistrado, deputado e cumulativamente presidente da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, tudo isto, pasme-se, defendeu que os nossos alunos não devem ter qualquer contacto com a Constituição vigente. Porque ele, a coberto da sua beca e imunidade parlamentar, a decretou “datada” e senhora de uma “carga ideológica muito forte”. Nuno Crato implodiu a área da Formação Cívica. Fernando Negrão quer banir o ensino da Constituição. Compreendemos porquê. Basta seguir a conduta protofascista de Passos e Gaspar. Os direitos humanos, os direitos sociais, os direitos culturais, as liberdades e as garantias, que resistiram às revisões de 1982 e 1989, são insuportáveis para quem governa em regime de excepção encapotada. 

5. Mal foi anunciada a greve dos professores, surgiram, cândidos, dois discursos: o dos que a condicionam a não perturbar a tranquilidade do chá das cinco e o dos que só militam na solução que nunca é proposta. Aos primeiros, é curioso vê-los invocar o direito de uns, com as botas cardadas calcando os direitos dos outros. Aos segundos, repito o que em tempos aqui escrevi: os professores sabem, têm a obrigação de saber, que todo o poder só se constrói sobre o consentimento dos que obedecem. Quando vos tocarem à porta, não se queixem! 

Trinta alunos por turma, 300 alunos por professor, mais horas de trabalho lectivo, mais horas de trabalho não lectivo, menor salário, carreiras e progressões congeladas vai para 7 anos, obrigatoriedade de deslocação a expensas próprias entre escolas do mesmo agrupamento, exercício coercivo a centenas de quilómetros da residência e da família, desmotivação continuada e espectro do desemprego generalizado, são realidades que afectam os professores, em exclusivo? Não afectam os alunos? Não importam aos pais? Ao futuro colectivo? 

A diminuição do financiamento dos serviços de acção social escolar, quando o desemprego dos portugueses dispara e a fome volta às nossas crianças, bem como a remoção sistemática, serviço após serviço, das respostas antes existentes para necessidades educativas especiais, é problema corporativo dos professores ou razão para que a comunidade civilizada se mobilize? A drástica diminuição dos funcionários auxiliares e administrativos, a redução das horas de apoio individualizado aos alunos, o aumento do preço dos manuais e dos passes e a deslocação coerciva de crianças de tenra idade para giga agrupamentos são problemas exclusivos dos professores? 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

17/04/2013

da blogosfera: arqueologia da fuga


Vou lendo alguns comentários de professores mais novos em idade que se manifestam a favor da não redução da componente lectiva para os professores com mais idade com o argumento de que não irão beneficiar dessa justa redução.

Seria melhor que se batessem pelo que consideram justo, a redução da componente lectiva com a idade, ainda por mais dois motivos principais: a eterna juventude é um mito e o desemprego com o fim dessa redução atingiria de forma ainda mais devastadora os professores mais jovens.

Os dados das aposentações nos últimos anos são inequívocos: os professores só esperam que a conjugação da idade com o tempo serviço lhes permita "fugir"; a penalização é secundária. O estado de sítio agravou-se com a revisão curricular, com o aumento do horário lectivo dos professores associado ao aumento do número de alunos por turma e à desmiolada organização do serviço docente.

Somos um país à deriva e governado por impreparados. Propalamos que a idade da reforma tem de passar para os 67 e provocamos a saída entre os 55 e os 60 convencidos que reduzimos a despesa e que aumentamos o emprego jovem. Está comprovado que não é assim e só temos agravado a atmosfera relacional nas escolas e o clima organizacional.

Em 2011 escrevi assim e não errei por muito:

(...)A redução da componente lectiva com a idade (algo que, com conhecimento, é possível em todos os ciclos de ensino sem aumento da despesa) é a solução justa em termos pedagógicos, profissionais e orçamentais. O ciúme profissional entre pares, o ciúme social, a ilusão da eterna juventude e outras coisa do género, reduziram essa regulação profissional. Assisti, incrédulo, a todo esse rol de desrespeito pela profissionalidade dos professores e percebi que pagaríamos mais tarde. Não tarda e teremos os reformados a descontarem para pagaram aos pares.
Paulo Prudêncio no seu blogue "Correntes"

da blogosfera: artigo 79


Vem aí uma tentativa de agilização negocial destinada a produzir dois efeitos:
  • Empurrar os professores mais velhos para uma aposentação antecipada, agora com condições ainda mais desfavoráveis.
  • Impedir a entrada dos professores mais novos em quadros de agrupamento ou escola e empurrar os que estão na base da carreira para uma situação de mobilidade geográfica e especial que significa uma regressão de décadas nas condições laborais.
O MEC dirá que a promessa explícita não será cumprida porque as condições são diferentes e tal e coiso.
Paulo Guinote no seu blogue "A Educação do meu umbigo"

13/12/2012

da blogosfera: o que anda a assustar os professores?


O Ministério da Educação e Ciência decidiu que doravante o Registo Biográfico de cada docente terá também um formato digital e a DGAE (Direcção-Geral da Administração Escolar já tratou de enviar e-mails aos docentes a dar-lhes conhecimento disso.


Acontece que muitos docentes não receberam tal mensagem, pois entretanto mudaram de e-mail, como foi o meu caso. Esta situação causa alguma surpresa aos docentes e muitos andam assustados, recusando-se mesmo a preencher os dados solicitados, desconfiando da intenção da DGAE. Mas o que tem assustado mesmo os mais afoitos é o que aparece, quando se clica na Situação profissional: o Vínculo Jurídico aparece alterado, passando um Professor que antes era Efectivo a ficar na situação de “Contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado”. 

 Poderá o MEC fazer isto? Não! Esta situação viola a Constituição da República Portuguesa e a Lei do Trabalho. Por outro lado, já há jurisprudência do Tribunal Constitucional que contraria aquilo. Aqui fica um extrato de um dos acórdãos:


Não podendo dispensar livremente os seus funcionários, o Estado também não pode livremente retirar-lhes o seu estatuto específico. Com efeito, o funcionário público detém um estatuto funcional típico quanto à relação de emprego em que está envolvido, estatuto este que consiste num conjunto próprio de direitos e regalias e deveres e responsabilidade, que o distinguem da relação de emprego típico das relações laborais comuns (de direito privado). Esse estatuto adquire-se automaticamente com o próprio acesso à função pública, passando a definir a relação específica de emprego que o funcionário mantém com o Estado-Administração. Ora, a garantia constitucional da segurança no emprego não pode deixar de compreender também a garantia de que o empregador não pode transferir livremente o trabalhador para outro empregador ou modificar substancialmente o próprio regime da relação de emprego, uma vez estabelecida” (Acórdão 154/86).


Perante isto, o que é preciso é calma. E será melhor irmos pensando em dirigir uma missiva ao Secretário de Estado da Administração Educativa a requerer a reposição da legalidade.