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07/03/2023

saúde: cirurgias com robot no Santo António, no Porto, reduzem infeções e complicações

O Hospital de Santo António, no Porto, começou hoje a realizar cirurgias assistida por robot, um tipo de operação que diminui o tempo de internamento, reduz a taxa de complicações e de infeções e aumenta a precisão do cirurgião.

“O robot não dispensa pessoas, não dispensa bons médicos, bons anestesistas, bons enfermeiros, mas acrescenta muitas mais-valias”, disse o diretor do serviço de urologia e responsável pelo programa de cirurgia robótica do Centro Hospitalar Universitário de Santo António (CHUdSA).
Para hoje estavam agendadas duas cirurgias assistidas por robot: duas remoções totais da próstata devido a cancro em pacientes com 62 e 64 anos.
Diretor do serviço há 12 anos, Avelino Fraga, que falava à agência Lusa à entrada para a primeira cirurgia robótica do dia, descreveu as mais-valias para o profissional, resumindo-as numa palavra: “precisão”.
Com este robot, que ao contrário dos humanos consegue rodar o pulso em 360 graus, o tremor da mão do cirurgião diminui, enquanto aumenta o nível de segurança e de concentração, uma vez que o profissional usa uns óculos e de cada vez que desvia o olhar do campo cirúrgico os braços do robot param.
“Também ajuda porque alguns sítios anatómicos são de difícil acesso. A cirurgia robótica facilita o desempenho cirúrgico e o acesso a áreas anatómicas de difícil controlo”, descreveu Avelino Fraga.
Já as mais-valias para o doente passam pela redução do tempo de internamento, bem como de complicações.
Em termos práticos, e olhando para as duas cirurgias assistidas por robot agendadas para hoje, “esta inovação permite maior desempenho cirúrgico com menores complicações do foro sexual e relacionadas com a continência urinária”.
À Lusa, Avelino Fraga destacou que “o retorno do doente, com mais qualidade de vida, à vida normal é mais rápido”, uma vez que a expectativa é que o paciente passe no hospital não mais de 24 a 48 horas após a cirurgia robótica, enquanto com a laparoscópica normal “demora mais um dia ou dois”.
O uso desta máquina — que custa cerca de dois milhões de euros e chegou em dezembro — tem sido acompanhado de formação realizada na Bélgica.
Além do serviço de urologia, beneficiarão desta máquina, de forma gradual e nas próximas semanas, os serviços de cirurgia geral e de ginecologia.
Paralelamente, e associado ao programa de cirurgia assistida por robot, o CHUdSA está a desenvolver uma solução digital para envolvimento dos utentes.
A ‘Get Ready’ é uma aplicação que permitirá ao doente comunicar com a equipa clínica fora do hospital, antes e depois da cirurgia, assim como consultar conteúdos sobre o procedimento a que irá ser submetido.
As equipas clínicas podem também acompanhar a condição clínica de cada doente durante todo o percurso e recolher dados.
“Não fazia sentido termos robots nos blocos operatórios e continuarmos arcaicos no relacionamento com o doente”, disse o responsável pelo programa de cirurgia robótica do Santo António.
Além desta ‘app’, Avelino Fraga destacou outra característica que distingue o robot adquirido pelo CHUdSA face a outros, que se prende com os consumíveis utilizados.
“Se esta inovação fizesse inflacionar os preços, o hospital não queria cirurgia robótica. Comprometemo-nos que o procedimento cirúrgico não vai ficar mais caro do que a cirurgia laparoscópica e vamos poupar em tempo de internamento e em complicações”, concluiu.
A cirurgia robótica existe há 20 anos e calcula-se que existam cerca de 6.000 robots cirúrgicos no mundo inteiro.
Durante muitos anos, em Portugal e no Serviço Nacional de Saúde (SNS), só o Hospital Curry Cabral, em Lisboa, dispunha de um robot cirúrgico oferecido por uma fundação.
Recentemente quer o Hospital de São João quer o de Santo António, ambos no Norte, anunciaram a compra de robots cirúrgicos ao abrigo de um programa criado pela atual tutela. @Sapo

29/09/2022

banco de Leite Humano inaugurado no S. João, no Porto, beneficiará toda a região Norte

O Banco de Leite Humano do Norte, inaugurado hoje no Porto, beneficiará toda a região, e começar pelos hospitais de São João e Santo António, avançaram os responsáveis que perspetivam melhorias no futuro dos indicadores de saúde infantil.

“Este é um investimento que vai, sem dúvida alguma, ter impacto em termos de indicadores de saúde perinatal e saúde infantil. E acreditamos que, a longo prazo, surgirão, também, melhores indicadores de saúde de forma geral”, disse a diretora clínica do Centro Hospitalar e Universitário São João (CHUSJ), Maria João Baptista.

Com paralelo, em Portugal, apenas no banco de leite da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), de Lisboa, este novo equipamento beneficiará, numa primeira fase, os bebés internados no CHUSJ e do Centro Materno Infantil do Norte (CMIN), equipamento do Centro Hospitalar e Universitário do Porto (CHUP).

“Mas pretende-se que, no futuro, seja utilizado por toda a região Norte”, garantiu Maria João Baptista, enquanto o presidente o CHUP, Paulo Barbosa, realçou “o princípio do trabalho em rede”.

Em causa está o recurso a leite humano doado por mães saudáveis com bebés até seis meses que tenham excedente de leite materno para alimentar bebés prematuros, bem como bebés internados por doenças graves.

O leite é extraído e armazenado em casa e depois recolhido por uma equipa de profissionais que vai ao domicílio esclarecer dúvidas e garantir que este processo é realizado com segurança e higiene.

As mães que manifestem vontade de ser dadoras são submetidas a análises e o leite, depois de recolhido, é conservado em máquinas de frio no CHUSJ e distribuído aos serviços de neonatologia que dele necessitem depois de testado e pasteurizado.

“Este leite humano, apesar de não ser o leite da sua mãe, é um leite que confere imunidade ao bebé, que o protege de problemas gastrointestinais. Os bebés prematuros estão muito sujeitos a ter problemas gastrointestinais muito graves que às vezes implicam até a morte do bebé”, descreveu a médica.

Já, num apelo à dádiva, fazendo até um paralelismo com a dádiva de sangue, o provedor do utente do CHUSJ, Américo Aguiar, elogiou o “gesto nobre” das mães que doam o seu leite para “melhorar a qualidade de vida de bebés que precisam”. @ Sapo