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06/10/2026

poesia: "As pinceladas dos professores", Marisa Barradas

 A propósito do Dia do Professor, publicamos um poema, da autoria de Marisa Barradas, assistente operacional da ESAS.

AS PINCELADAS DOS PROFESSORES

Cada manhã nasce uma tela,
branca, serena, por pintar,
e há mãos que seguram pincéis
com sonhos para semear.

São mãos que levam conhecimento,
sabedoria e dedicação,
e deixam em cada aluno
uma marca no coração.

São pintores de futuros,
artistas de uma missão,
que transformam cada ensinamento
numa nova inspiração.

Mergulham o pincel na esperança,
na coragem e na amizade,
e pintam, com tanta paciência,
os caminhos da liberdade.

Há telas cheias de cores,
outras cobertas de solidão,
há quem esconda as suas lágrimas
atrás de um muro de insegurança.

E o Professor, com uma palavra,
pode mudar uma direção;
um simples “tu consegues”
pode despertar um coração.

Quando um aluno tem medo,
quando pensa em desistir,
há uma voz que lhe recorda:
“Ainda podes conseguir.”

Porque ensinar não é somente
letras, números ou lições;
é também ensinar a vida,
a vencer dificuldades e desilusões.

É ensinar que um erro
não apaga o nosso valor,
que depois de uma tempestade
também pode nascer uma flor.

Professor é ser bússola
quando não sabemos caminhar,
é ser luz numa noite escura,
é ajudar-nos a acreditar.

É ser âncora nas tempestades,
quando o mundo parece ruir,
é oferecer uma mão amiga
e dizer: “Não deixes de seguir.”

Há professores que passam
pelos nossos dias sem saber
que uma pequena palavra sua
nos ensinou a crescer.

Talvez nunca saibam
o tamanho da sua importância,
nem quantas vidas transformaram
com um gesto de confiança.

Por isso hoje quero pintar
uma tela cheia de gratidão,
e escrever com letras de luz
o nome de cada Professor
no meu coração.

Que nunca vos falte coragem,
nem esperança para continuar,
pois cada aluno que ensinam
é uma semente a germinar.

Que nunca vos falte a força
nos dias de maior cansaço,
nem a certeza de que o vosso trabalho
deixa no mundo um novo traço.

A Vida oferece a tela,
mas vocês ajudam a escolher
as cores dos nossos sonhos
e a coragem para os viver.

E quando, um dia, os alunos
olharem para trás,
hão de encontrar nas suas telas
as marcas de quem lhes ensinou a lutar.

Porque existem pinceladas
que o tempo não consegue apagar,
e existem professores
que ficam para sempre
na nossa forma de sonhar.

Hoje, o meu pincel mergulha
na cor mais bonita que conheço:

a Gratidão.

E deixo nesta tela
uma homenagem sincera,
a todos os professores
que fazem da Educação
uma ponte para a Primavera.

Que continuem a pintar futuros,
a semear esperança e união,
a transformar sonhos em caminhos
e conhecimento em transformação.

Porque ser Professor
é muito mais do que ensinar.

É tocar vidas,
acender sonhos,
abrir portas,
dar asas
e ajudar alguém
a descobrir que pode voar.

E se a Vida é uma tela
que nunca deixamos de pintar,
que cada Professor saiba
que existe uma cor sua
em cada aluno que ajudou a transformar.

Obrigada, Professores,
por todas as pinceladas de luz.

Que Deus vos acompanhe
em cada novo amanhecer
e vos dê força e sabedoria
para continuar a ensinar,
a inspirar
e a fazer florescer.🌺🎨

Porque há professores que ensinam matérias…
e há professores que ensinam a Vida.

E esses,
ficam para sempre
na tela do nosso coração. ❤️

Marisa Pires Barradas
17/09/2026. 

23/09/2011

e porque o Outono chegou...

daqui
Se deste outono uma folha,
apenas uma, se desprendesse
da sua cabeleira ruiva,
sonolenta,
e sobre ela a mão
com o azul do ar escrevesse
um nome, somente um nome,
seria o mais aéreo
de quantos tem a terra,
a terra quente e tão avara
de alegria.
Eugénio de Andrade

e porque o Outono chegou...

daqui
Se deste outono uma folha,
apenas uma, se desprendesse
da sua cabeleira ruiva,
sonolenta,
e sobre ela a mão
com o azul do ar escrevesse
um nome, somente um nome,
seria o mais aéreo
de quantos tem a terra,
a terra quente e tão avara
de alegria.
Eugénio de Andrade

21/03/2011

hoje é dia de festa

Festa da primavera, festa da árvore, festa da poesia.
Foram muitas as manifestações festivas na nossa escola. A biblioteca pululou de movimento. E que bom foi!
Nós festejamos a POESIA (como não podia deixar de ser) e trazemos este poema de Jorge Sousa Braga.


Trepem, trepem trepadeiras!
Trepem, trepem pelo ar!
Que de plantas rasteiras,
está a terra a abarrotar!


Trepem, trepem trepadeiras!
Trepem, trepem sem parar!
E se o muro acabar,
trepem, trepem trepadeiras,
por um raio de luar.

10/02/2011

dois amantes

Deliciem-se com o poema. Comentem-no. E, se quiserem, tentem identificar quem escreveu. O mais importante é apreciarem.

Dois amantes ditosos fazem um só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama.
De todas as verdades escolheram o dia,
não se ataram com fios senão com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras.
A ventura é uma torre transparente.
O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,
têm direito a todos os cravos.

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem.
Têm da natureza a eternidade.