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23/09/2011

e porque o Outono chegou...

daqui
Se deste outono uma folha,
apenas uma, se desprendesse
da sua cabeleira ruiva,
sonolenta,
e sobre ela a mão
com o azul do ar escrevesse
um nome, somente um nome,
seria o mais aéreo
de quantos tem a terra,
a terra quente e tão avara
de alegria.
Eugénio de Andrade

e porque o Outono chegou...

daqui
Se deste outono uma folha,
apenas uma, se desprendesse
da sua cabeleira ruiva,
sonolenta,
e sobre ela a mão
com o azul do ar escrevesse
um nome, somente um nome,
seria o mais aéreo
de quantos tem a terra,
a terra quente e tão avara
de alegria.
Eugénio de Andrade

21/03/2011

hoje é dia de festa

Festa da primavera, festa da árvore, festa da poesia.
Foram muitas as manifestações festivas na nossa escola. A biblioteca pululou de movimento. E que bom foi!
Nós festejamos a POESIA (como não podia deixar de ser) e trazemos este poema de Jorge Sousa Braga.


Trepem, trepem trepadeiras!
Trepem, trepem pelo ar!
Que de plantas rasteiras,
está a terra a abarrotar!


Trepem, trepem trepadeiras!
Trepem, trepem sem parar!
E se o muro acabar,
trepem, trepem trepadeiras,
por um raio de luar.

10/02/2011

dois amantes

Deliciem-se com o poema. Comentem-no. E, se quiserem, tentem identificar quem escreveu. O mais importante é apreciarem.

Dois amantes ditosos fazem um só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama.
De todas as verdades escolheram o dia,
não se ataram com fios senão com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras.
A ventura é uma torre transparente.
O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,
têm direito a todos os cravos.

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem.
Têm da natureza a eternidade.