Fico a ver-vos voar
Num tempo em que tudo parece insano e que alguns apelidam de tempo em que os professores fazem dos alunos seus reféns na luta que travam contra as medidas do MEC, a nossa escola teve hoje as últimas aulas de 12º ano. E são sempre aulas especiais!
Num tempo em que tudo parece insano e que alguns apelidam de tempo em que os professores fazem dos alunos seus reféns na luta que travam contra as medidas do MEC, a nossa escola teve hoje as últimas aulas de 12º ano. E são sempre aulas especiais!
Alunos e professores não estão em lados diferentes da barricada e o que os une é muito mais do que aquilo que os separa. Em cada sala de 12º ano houve festa e lágrimas.
Festa porque estes alunos chegaram ao fim de um longo percurso feito pelo ensino básico e secundário. E celebrou-se a chegada à meta e confraternizou-se e cantou-se e adocicou-se o paladar, como deve fazer-se em momentos destes.
Lágrimas porque há já saudades do passado próximo. E também porque, se por um lado o futuro é o que ambicionamos, por outro lado, a casa que nos confortou durante anos deixa de ser o porto de abrigo.
Isto de ser livre traz muita responsabilidade!
Este ano não se realizou a tradicional festa de finalistas. Questões de diferentes ordens desvirtuaram o momento que oficializa o fim deste percurso escolar. As turmas organizaram-se de diferentes maneiras. Mas o que foi comum a todas as diferentes comemorações foi o espírito de partilha e de união entre todos. Abraços e beijos à mistura com lágrimas e palavras en-tre-cor-ta-das são o mais belo exemplo de como se constrói o futuro.
A todos quero deixar uma palavra de ternura e de reconhecimento: aos alunos, aos professores, aos pais. E também quero desejar capacidade de resiliência para um tempo incerto mas que será tão mais certo quanto mais todos, acertada e concertadamente, possamos fazer por ele.
Manuela Couto
