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16/06/2012

há pessoas e pessoas

Há pessoas de quem não gostamos, outras de quem gostamos “assim-assim”, outras que nos são indiferentes e outras de quem gostamos muito.
Hoje escrevo sobre (ou será para?) uma de quem gosto muito.
Conheci-o quando cheguei a esta escola há 24 anos e sempre se me afigurou como uma pessoa diferente. O que me atraiu nele desde o primeiro momento foi a eloquência do seu discurso, a sua serenidade e o seu pensamento.
Ao longo dos anos fomos colegas/companheiros e sempre fui uma admiradora daquela pessoa que considerei ser, desde logo, “o rosto” da escola. Um dia, ele saiu por opção profissional e sobrou em mim um grande vazio. Não me inibo de dizer que foi uma perda para todos nós. Obviamente, uma mais-valia para quem o ganhou.
Ao longo desta caminhada de seis anos, vimo-nos várias vezes, sempre de forma emocionada: ou no “Homem do Leme”, por acaso, na Foz, ou no shopping onde todos se encontram, ou nos nossos locais de trabalho, porque nos procurámos. E era sempre como se nos tivéssemos visto na véspera. Dizem que as grandes amizades são assim! Gosto de acreditar que sim.
Ontem revi-o porque fui à missa de sétimo dia da mulher. Foi a primeira vez que fui a uma missa que celebrou o sétimo dia da morte do cônjuge de um colega. Foi penoso e estranho! Penoso porque somos solidários com quem perde e estranho porque também nos revemos na situação.
A pessoa que tanto admiro mais uma vez me surpreendeu. Nós, os amigos, mantivemo-nos timidamente calados sobre o que ali nos juntava. Ele, em cinco minutos, relatou ao grupo a sua vivência de seis anos, referiu que “a doença se vence sem se adoecer”, que estes seis anos tinham sido “bons” porque “quando há sofrimento há também amor” e, depois, os meus ouvidos já só conseguiram reter as palavras “agora tenho que reaprender a viver”. Sorriu e mandou-nos embora. E ficamos arrebatados. Tudo se invertera. Os consolados fomos nós, os chorosos fomos nós e ele seguiu caminho para o reencontro com a família.
Acabei de escrever sobre o meu querido amigo Queirós. Aquele que é o autor da frase de topo deste jornal: “Esta é uma escola feita de mãos. E de muitas mãos!”. Aquele que diz que em Águas Santas é que se “aquece” quando tem “frio”.
Queirós, reaprende depressa a viver. Aqui em casa, os meus dizem que tu "és grande" e, por isso, só podes vencer. Entretanto, recebe um abraço quentinho de quem gosta muito de ti!
Manuela Couto