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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

texto de autor: "com mãos se faz a paz se faz a guerra"

A propósito de uma reflexão feita numa aula de Português sobre esta situação, produziram-se belos textos. Aqui se partilham dois deles.   

Em 1967, Manuel Alegre escreveu “com mãos se faz a paz se faz a guerra”. Provavelmente, o autor referia-se à Humanidade e à capacidade que todos temos de tanto fazer o bem como o mal.
Não podia estar mais de acordo com o escritor. Apesar de todos juntos constituirmos a Humanidade nem todos juntos lutamos pelo bem dela. Um bom exemplo disso passa-se atualmente em toda a Europa, onde o povo Sírio foge à guerra, guerra essa que lhes foi imposta pelo país que os viu nascer, e que os levará à morte certa. 
No entanto, apesar do mal dominar, acredito na entreajuda, na cooperação e na razão, pois se é possível provocar tanto mal e prejudicar tanta gente, é possível também ajudar quem não tem a sorte de viver em paz. Por isso, vejo todos os dias testemunhos de bondade e de solidariedade de pessoas que suspendem as suas vidas confortáveis para ajudar quem mais precisa a ter um nível de vida digno.
Deste modo, a citação de Manuel Alegre, apesar de antiga, continua atual. O bem e o mal, a paz e a guerra sempre viveram interligados e apesar de ser difícil, acredito que “as mãos” que dão início a uma guerra são capazes de finalizá-la e de viver em paz. 
Diana Fernandes


   
   As nossas mãos, por mais que soem como meras estruturas anatómicas, têm um peso e uma conotação exaustivamente marcantes. Por palavras mais nobres, Manuel Alegre descreveu o impacto das nossas mãos, escrevendo “Com mãos se faz a paz se faz a guerra”. Isto é, as nossas mãos, que nos refletem a cada atitude, acompanham quer a construção de pacificidade quer a criação de desumanidade, sendo condutoras de todo o poder que em nós reside. 
    Assim, por mais que se tente fugir da guerra, ela segue cada fraqueza humana e impõe-se quando as nossas crenças a incentivam e, como a essência de cada coisa reside, sobretudo, nas mãos de quem a faz ou desfaz, também a guerra pode começar ou continuar connosco. Este juízo ilustra-se, por exemplo, na crise dos refugiados: várias crenças resultaram em conflitos religiosos, étnicos e separatistas que destroçam países e pessoas continuamente, e o problema é ainda acentuado por muitas mãos que permitem que os migrantes se afoguem na desumanidade dos outros. 
    Todavia, se há pátrias que renegam a compaixão, há pessoas que não a deixam morrer, construindo um elo humano que se abre pela paz, sendo quem decidiu contrariar a xenofobia e lutar pela sanidade dos migrantes exemplo disso.
   Portanto, a guerra e a paz mantêm-se unidas não só pela sua conceção intemporal, mas também porque são feitas de mãos que carregam a cultura, os valores e a índole de quem as usa para agir. E, como tal, o mundo não está só nas nossas mãos mas no que elas fazem e ditam.
Rita Almeida

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