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quinta-feira, 1 de março de 2018

Lembrar para não repetir!










  Auschwitz foi a razão principal da nossa visita a Cracóvia, na Polónia. Deixamos a visita para domingo, no último dia, para podermos absorver a experiência e regressar a Portugal a refletir sobre o assunto. Estávamos ansiosos, mas, ao mesmo tempo, nervosos porque não sabíamos, ao certo, o que iríamos encontrar!
  Estava planeado visitarmos Auschwitz I e, seguidamente, a 3 km de distância, Auschwitz – Birkenau.
  Entre as passagens pela segurança e a pausa para tomar uma bebida quente, de forma a combater os 13 graus negativos, o grupo reuniu-se com as guias.
  No entanto, o choque da realidade deu-se quando se chegou ao famoso portão de ferro com a inscrição «Arbeit macht frei», em português O trabalho liberta. De facto, a mensagem vinculada nesse portão transmite, desde logo, as atrocidades cometidas, o sacrifício, o terror e a humilhação a que vários seres humanos foram sujeitos.
  A partir daí, mergulhámos num silêncio profundo. Lembro-me de olhar de vez em quando para os meus colegas e reparar que todos estávamos muito pensativos, atónitos. Começávamos a recordar todos os documentos e fotografias que estavam no nosso manual de História A. Efetivamente, não há melhor maneira de perceber o que lá aconteceu do que visitar o local.
   Entre as várias camadas de neve que se estendiam ao longo dos vários quilómetros do campo e a extensa rede de arame farpado, encontravam-se vários edifícios. Nos blocos existiam várias salas com exposições de documentos oficiais, relatórios e fotografias autênticas captadas pela SS Russa. Curiosamente, foi o Bloco 4 que nos deixou mais perplexos e numa profunda tristeza perante as várias toneladas de cabelo humano expostas, sapatos, pentes, utensílios de cozinha, malas, produtos de higiene e roupas de crianças.
  Inesperadamente, ouvimos relatos perturbadores, como por exemplo, a fuga de um prisioneiro originou várias chamadas durante 20 horas, o que acabou por levar muitas pessoas à exaustão depois de várias horas ao frio em pé.
  Passámos, também, por um bloco onde é relatado todo o processo de extermínio que acontecia no campo. Estavam expostos mapas, fotos do campo, cópias de registos dos prisioneiros, maquetes das câmaras de gás e latas de Zyklon B, inseticida usado nas câmaras para provocar a morte dos prisioneiros. Os Blocos 7 e 11 permitiram-nos, de facto, observar de perto as condições inóspitas, insalubres e desumanas das divisões onde os prisioneiros dormiam e ocupavam grande parte do tempo. Na entrada desse mesmo bloco há um corredor longo e estreito repleto de fotos das pessoas que passaram por lá. Na parede esquerda encontram-se as fotos das mulheres e na da direita as fotos dos homens, todos já com as roupas do campo, sem cabelo e com os olhos arregalados. Constam ainda a profissão, data de nascimento, data de chegada ao campo e data de morte. Lembro-me de estar com várias colegas a fazer contas e a comentar a duração da vida dos prisioneiros no campo! A maioria não sobrevivia muito tempo em Auschwitz.
   De seguida, visitámos uma câmara de gás com fornos, uma das únicas que não foi destruída. Foi aí que senti um aperto mais forte na barriga. Por momentos imaginei todas as pessoas que lá passaram e perderam as suas vidas. Não encontro palavras para descrever o que vi.
   De seguida, dirigimo-nos para Auschwitz-Birkenau, construído para a “solução final”. O campo é enorme e impressiona desde logo com a extensa linha de comboio por onde eram transportados os prisioneiros. São vários os visitantes que, em homenagem às vítimas, colocam rosas na linha de comboio. Mais uma vez, ao entrarmos nos barracões, deparamo-nos com as duras condições de vida - pareciam estábulos, com terra batida e com as várias “camas” que eram ocupadas, muitas vezes, por 6 pessoas ao mesmo tempo.
  Perante tudo o que vi, não restam dúvidas das várias atrocidades e de todas as atitudes criminosas e tétricas do governo Nazi. Atrevo-me a dizer que todos nós, enquanto Seres Humanos e como membros de uma sociedade, devemos visitar Auschwitz. Para além de nos dar uma visão mais realista, desperta-nos para o mundo atual, que está repleto de conflitos que põem em causa os direitos humanos e nos transmitem a mensagem que somos nós que traçamos o nosso futuro e que estamos a tempo de impedir muitas crueldades. Afinal de contas, todas estas atrocidades não aconteceram assim há tanto tempo! Efetivamente, e citando George Santayana, “Aqueles que não são capazes de recordar o passado estão condenados a repeti-lo.”.
Margarida Morais 12ºF


2 comentários:

Cristina Paes Moreira disse...

Relato emotivo e impressionante!
Não podemos deixar esquecer.

Maria Manuela Ribeiro Dinis Costa disse...

Excelente trabalho! Parabéns Margarida!
Jamais devemos esquecer para que esta «história» não se repita!
Manuela Dinis