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sexta-feira, 21 de abril de 2017

a demanda da bateria perfeita passa pelo Porto

Na segunda metade da década setenta do século passado havia um número limitado de dispositivos elétricos móveis utilizados pela generalidade da população. Eram os transístores, lanternas e alguns mais, cuja autonomia dependia do tamanho das pilhas que utilizavam. Acresce alguns dispositivos militares que embora não tendo as fontes de eletricidade perfeita permitiam tempos de autonomia tanto mais aceitáveis quanto mais elevado fosse, o, já de si grande, peso das baterias. 
Assim sendo, não é de estranhar que quando John Goodenough, inventou uma bateria elétrica, de menor peso e maior capacidade de carga elétrica, pouca importância se lhe tenha atribuído.
Contudo, a democratização das comunicações móveis, a generalização dos computadores portáteis, as alterações climáticas e as preocupações ecológicas, obrigaram os fabricantes a retomar o processo de armazenamento de energia elétrica inventado por Goodenough, a bateria de iões de lítio.
Esta tecnologia tem sofrido melhoramentos consideráveis embora ainda não sejam suficientes para uma aceitação sem reserva. A duração da carga dos telemóveis parece-nos sempre insuficiente e sabemos que, em alguns casos, raros é certo, mas dramáticos, a bateria de iões de lítio explode.
Entretanto tem vindo a ser tentada a utilização deste tipo de baterias em veículos, mas é aqui que se têm revelado mais acentuadamente as suas limitações e que têm sido um entrave à generalização da aceitação dos veículos elétricos. Pese embora o enorme avanço que se tem verificado nos últimos anos, estas baterias ainda são dispendiosas, com longos tempos de carga, e de relativa pequena autonomia.
Esperaríamos um novo golpe de génio para alterar o estado atual da arte.
Em janeiro deste ano, este golpe surgiu sob a forma de um artigo científico com o título “Alternative strategy for a safe rechargeable battery” na revista “Energy & Environmental Science “. Antes de mais devemos manter alguma prudência para com esta descoberta pelo facto de ela, por enquanto, se manter no meio académico e existir um salto, que é necessário efetuar, entre os laboratórios das universidades e a indústria. 
No entanto, esta nova bateria tem-se revelado muito promissora. Os autores da descoberta estimam que esta permita três vezes mais energia armazenada para o mesmo volume das atuais, tempos de carga muito menores, mais seguras, maior longevidade e de muito menores custos. Enfim, tudo o que esperávamos para a sua utilização em veículos elétricos. 
Para nós, portugueses, esta descoberta traz um acréscimo de alegria. O artigo científico foi escrito por uma equipa de que é parte importante a professora Maria Helena Braga da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e que está atualmente a trabalhar como investigadora sénior na Escola de Engenharia Cockrell da Universidade do Texas, conjuntamente com N. Grundish, A. Murchison e por John Goodenough agora com a bonita idade de 94 anos.


Sérgio Viana

2 comentários:

Helena Ferraz disse...

Não sabia. Gostei de ler este artigo.
Obrigada ao Sérgio por nos ir mantendo a par das inovações tecnológicas.

Cândido Pereira disse...

O encontro "A Ciência por quem a faz e por quem a ensina" que acontece todos os anos na nossa escola em setembro, já convidou a cientista Maria Helena Braga para cá vir falar sobre a sua descoberta, na próxima edição. Esperemos que ela possa aceitar.