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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

OUVIR, LER e VER (de lambreta ou de bicicleta)

OUVIR
António Zambujo, Lambreta


LER
Poema da autoestrada 
Voando vai para a praia 
Leonor na estrada preta 
Vai na brasa de lambreta.

Leva calções de pirata, 
Vermelho de alizarina 
modelando a coxa fina 
de impaciente nervura. 
Como guache lustroso, 
amarelo de indantreno 
blusinha de terileno 
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta. 
Vai na brasa de lambreta. 
Agarrada ao companheiro 
na volúpia da escapada 
pincha no banco traseiro 
em cada volta da estrada. 
Grita de medo fingido, 
que o receio não é com ela, 
mas por amor e cautela 
Abraça-o pela cintura.
Vai ditosa, e bem segura.

Como rasgão na paisagem 
corta a lambreta afiada, 
engole as bermas da estrada 
e a rumorosa folhagem. 
Urrando, estremece a terra, 
bramir de rinoceronte, 
enfia pelo horizonte 
como um punhal que enterra. 
Tudo foge à sua volta, 
o céu, as nuvens, as casas, 
e com os bramidos que solta 
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos 
já nem percebe, Leonor, 
se o que lhe chega aos ouvidos 
são ecos de amor perdidos 
se os rugidos do motor. 
Fuge, fuge, Leonoreta 
Vai na brasa de lambreta.

António Gedeão


VER
Ladrões de bicicleta Vittorio De Sica (1946)
Logo depois da Segunda Guerra Mundial, a Itália está destruída e o povo passa necessidades básicas. Ricci consegue um emprego de colador de cartazes na rua, mas ele deveria ter uma bicicleta. Junto de sua mulher Maria, ele consegue dinheiro para comprar uma. Mas no primeiro dia de trabalho, a bicicleta foi roubada.



Votos de um bom fim de semana!

1 comentário:

IL disse...

Muito boas sugestões!