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terça-feira, 2 de novembro de 2010

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
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Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

4 comentários:

António disse...

Manuela Couto

Que bom que é saber que colegas nossos têm iniciativas fantásticas. Para já, os meus sinceros parabéns por esta rede de saberes e de cultura entre "Nós" (todos os que pensam a Educação e a Cultura). Vou passar a espeitar este magnífico blog.
Cumprimentos
António Mário

ESÁS disse...

Obrigada, António.
Continue a visitar-nos.

Paula Almeida disse...

Em mim também há um cansaço... mas, perante «Gente» com iniciativas tão refrescantes, o cansaço diluiu-se,evapora-se e dá vida a uma leitura atenta e reconfortante de Pessoa.Parabéns pela iniciativa, e...quando estiver cansada é so clicar e clicar! Amei!
Paula Almeida

ESÁS disse...

Obrigada, Paula.
Cá te esperamos mais vezes.