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domingo, 21 de novembro de 2010

desafio III

Desta vez, o desafio é solicitar que interpretem a metáfora contida no poema que apresentamos. Aguardamos comentários inspirados e contextualizados :)

(Pedimos desculpa pela incoerência da imagem, mas não encontrámos nenhuma foto em que a nêspera estivesse deitada, caladita, na cama.)

A Nêspera

uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse,
olha uma nêspera!
e, zás, comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

in Novos Contos do Gin, Mário Henrique Leiria

20 comentários:

Tiago Bessa disse...

Vamos la ver se sei intepretar..

Pelo o que eu consegui deduzir o poema diz-nos que pessoas que nao se esforçam para alcançar os seus objectivos são sempre deixadas para trás e não alcançam sucesso em nada.

Isto foi a minha intepretaçao do poema (:

Marta disse...

Concordo com o Tiago, mas também acho que esta nêspera é como muitas pessoas nos dias de hoje, que estão sempre "deitadas" à espera que alguém faça as coisas por elas.

Rocha disse...

A nespera posso ser eu: resignado, passivo na minha existencia, como nespera inanimada na arvore.

A velha: sabedoria, perspicacia e experiencia dos que, no fim, se superiorizam.

Joao Rocha.

Pedro Cardoso disse...

Faço minhas as palavras do Tiago Bessa :)

Raquel disse...

Pelo que consegui perceber do poema concordo com as palavras do Tiago Bessa e da Marta, quer dizer que muitas pessoas ficam sem fazer nada a espera que as coisas ou os seus objectivos se realizem sem fazer esforço (:

Helena Borges disse...

A nêspera é um fruto “no feminino”, primaveril, doce, da cor do sol, com pele brilhante e macia. Remete-nos para a imagem de uma mulher jovem que tem tudo para ser desejada e apreciada. Vemo-la deitada, sensual, silenciosa e estática, numa atitude de espera (que encontramos dentro de nêspera) que tanto pode significar esperança como incerteza, mas que revela uma postura passiva, quiçá arrogante, de quem acredita que tudo lhe chegará sem que nada faça. Surge a velha, que o nosso imaginário colectivo vê como feia, áspera, rugosa e cinzenta, mas também como sábia, experiente e astuta. Perante a passividade da nêspera, a velha, decidida e assertiva, aproveita logo a oportunidade, alimentando-se dela, numa atitude antropofágica de quem suga a energia e a força do elo mais fraco.
O poema termina com um aviso para todas as nêsperas: olhem o que acontece a quem pensa que basta ser bonita e sensual, para conseguir algo na vida. É preciso estar atento, ir à procura, ser pró-activo. E se o rifão (adágio, provérbio) quotidiano é muitas vezes “Quem espera, sempre alcança”, o poema sugere-nos um novo rifão “Quem espera e nada faz, o céu não traz”. Aqui fica o recado para todas as nêsperas… e para todos os magnórios.

iza disse...

Muito bom o comentário da Helena. Gostei!
Em jeito de contributo para outras leituras possíveis...diria que o poema provocou o meu espírito e fez-me pensar que, afinal, o Mário Henrique Leiria gostava de nêsperas e quis mostrar que as nêsperas devíam ter o direito de escolher com quem bebem o gin tónico. Ficar deitado à espera é um direito de qualquer nêspera como é o direito de pensar pela própria cabeça para tomar decisões. Ser comido é demasiado importante para não ser o próprio a tomar a decisão. E a decisão pode ser longa, demorada. Cada um tem o seu tempo. Não pode é vir um ardiloso, arauto da moralidade alheia, comer aquilo a que não tem direito. Ser velho também é um direito que assiste a qualquer nêspera jovem...até lá, tem muitas vezes de descansar e pensar para tomar as melhores decisões.
Uma nêspera assim velha, não come outras nêsperas, a não ser que estejam ambas, as nêsperas, de acordo e isto é uma mera hipótese num outro mundo possível!

Teotónio Silva disse...

Desculpem a intromissão...
Eu não quero ser a nêspera comida
Eu não quero ser nêspera deitada
Quero estar e quero ser ...
Como e quando EU quero.
Teotónio

Post Scriptum: HELPO, conta comigo.

mc disse...

Aqui não há "intromissões". Só participações, Teotónio.
Adoro ler-vos!
Continuem...

Manuela B. disse...

Não gostaria de passar por esta vida como a nêspera do poema (já agora,aqui no norte diz-se magnório)deitadinha, caladinha à espera do que pode acontecer!No fim da minha caminhada, seria bom sentir que não me resignei, que lutei elas coisas em que acredito e que, sobretudo, não me deixei comer, pelo menos por uma velha feia e verrugosa!
Manuela Barbosa

Cândido Pereira disse...

Um mundo cheio de nêsperas, camas e velhas pode ter acontecimentos curiosos. Podíamos ver, por exemplo:

A Velha abriu cama,
ou seria a nêspera,
deitou-se,
ou comeu-a

A cama,
ou seria a nêspera,
ergueu-se,
ou seria amadureceu,
e o mundo continuou
a esperar
o que acontece

A nêspera,
ou seria outra
espera deitada
disse:
– Zás

rita sousa disse...

Olá!
eu sou a Rita e achei muito giras as interpretações do poema.
professora, podemos lê-lo na aula amanhã?
seria engraçado ouvir o que dizem os meus colegas.
beijinho

Carla disse...

Eu gostava de não ser nêspera.
A nêspera é distraída e, por isso, é "comida".

Ana Isabel disse...

Concordo com a Carla. Eu também não gostava de ser nêspera.
Abre os olhos, nêspera!

Tiago disse...

Ó professora, já viu que são os seus alunos dos cursos profissionais que mais aparecem por aqui? :)

mc disse...

É verdade, sim.
É porque estão motivados para esta actividade. Será?
Continuem. A ESÁS agradece e eu também.

EF disse...

As nêsperas são as pessoas comodistas e interesseiras.

Maria Helena disse...

Espero que em véspera de Greve Geral, não sejamos nêsperas deitadas a ver o que acontece, seremos comidos pela certa.
Helena Ferraz

ESÁS disse...

Amanhã este blogue estará encerrado.

Maria Manuel disse...

...nêsperas... camas... velhas...
Tudo diferentes formas de apetite...
Cada um como quer ou lhe convém...
Vence sempre o apetite mais voraz.