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09/04/2015

o Pessoa prosador que o poeta escondeu

A Assírio & Alvim acaba de publicar A Estrada do Esquecimento e Outros Contos, mais um volume de prosas ficcionais de Pessoa organizado por Ana Maria Freitas.

de Miguel Manso
“A noite estava ilegível. Não se via céu nem terra – só escuridão.” Com estas frases, que podem trazer à cabeça a “noite antiquíssima e idêntica” de Álvaro de Campos, inicia Fernando Pessoa a notável prosa que abre o volume A Estrada do Esquecimento e Outros Contos, agora lançado pela Assírio & Alvim, no qual Ana Maria Freitas recolhe, edita e comenta vinte e três ficções breves, quase todas inéditas, desse a quem chamaram, talvez com injustiça para o prosador que também foi, o poeta dos heterónimos.

06/12/2013

música coral inédita para assinalar 125 anos de Fernando Pessoa

A poesia e textos de Fernando Pessoa serviram de mote para a criação de oito novas obras corais, interpretadas a cappella no próximo sábado pelo coro Anonymus para assinalar os 125 anos do nascimento do poeta.
O concerto terá lugar no Auditório EDP - Porto, junto à Casa da Música, no sábado, pelas 18:00, e contará com a presença dos oito compositores convidados: Alfredo Teixeira, David Miguel, Edward Ayres d'Abreu, Eugénio Amorim, Eurico Carrapatoso, Fernando Lapa, Gonçalo Lourenço e Rui Paulo Teixeira.
A direção musical estará a cargo do maestro Rui Paulo Teixeira à qual se acrescenta a participação especial do ator Rui Spranger.
O Coro Anonymus, integrado na Novas Tessituras Associação Cultural, é um agrupamento de câmara da cidade do Porto, centrado na divulgação de música portuguesa contemporânea.

18/06/2013

"Drama em gente"

Ontem a TVI passou uma peça muito interessante sobre Fernando Pessoa. Nada que os nossos meninos de 12º ano não saibam. Aqui vai o link, especialmente para eles. Não percam, meninos, aqui, o "Drama em Gente" (é só clicar).

projeto português procura Fernando Pessoa nas redes sociais

Um projeto que junta o SAPO Labs à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa assinala os 125 anos do nascimento do poeta recolhendo citações suas online.

A plataforma “O mundo em Pessoa” estreia-se ainda em protótipo mas já está a cumprir o objetivo primordial: fazer a recolha automática de citações de Fernando Pessoa a partir das redes sociais. 

Os promotores do projeto escolheram Pessoa – ortónimo e heterónimos – por ser o poeta português mais conhecido e, acreditam, o mais citado. 

No site do projeto estão visíveis as citações mais recentes apresentadas por dia, semana ou mês. É ainda possível consultar os poemas mais citados nos últimos dias ou filtrar resultados por heterónimo. 

O mundo em Pessoa é lançado no ano em que se assinalam os 125 anos do nascimento de Fernando Pessoa. Como explicam os promotores, tem como objetivo seguir o rasto à poesia do poeta português, mas também “conduzir todos aqueles que usam as palavras de Pessoa até ao seu texto original”, refere Pedro Torres numa nota publicada no SAPO Labs. @ TEK Notícias

13/06/2013

completam-se 125 anos do nascimento de Pessoa

"Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz - Correspondência amorosa completa"



Hoje, completam-se 125 anos do nascimento de Fernando António Nogueira Pessoa, na freguesia dos Mártires, em Lisboa.
O livro com a «correspondência amorosa completa» entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz, mantida de 1919 até à morte do poeta, em 1935, foi ontem apresentado na Casa Fernando Pessoa (CFP), em Lisboa.
O organizador do volume, Richard Zenith, assinalou à Lusa que «mais de metade das cartas de Ofélia Queiroz eram inéditas, até à presente publicação». No total, são publicados 348 documentos, transcritos integralmente, dos quais 156 são inéditos.
Entre os inéditos de "Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz - Correspondência amorosa completa", estão os últimos bilhetes trocados, como o derradeiro, enviado pelo poeta a Ofélia, datado de 14 de Junho de 1935, em que agradece os parabéns enviados na véspera, de forma cordial: «Muito obrigado e identicamente com saudades».
A obra reproduz cada um dos documentos, permitindo ao leitor apreciar a caligrafia do poeta. Parte deste manancial epistolar foi adquirido pelo casal brasileiro Bia e Pedro Corrêa do Lago, num leilão em Londres, «sem disputa, na época, com qualquer instituição ou colecionador privado», como afirmam os próprios, no texto de introdução que assinam. A outra parte foi também comprada, tempos mais tarde, por este casal de colecionadores e divulgadores culturais.
No texto de apresentação da obra, Zenith afirma que esta publicação «revela factos inéditos» e «permite-nos traçar uma cronologia precisa» deste relacionamento, que qualifica como «linhas cruzadas, sem estratégia».
Ofélia, escreve Zenith, era «alegre, transparente, direta, crente (...) quase o oposto» de Fernando Pessoa, todavia, quando se encontram, «atraem-se logo». Conheceram-se em Outubro de 1919, estava Pessoa de luto carregado pela morte do padrasto e, em Novembro, já «trocam bilhetes e ele trata-a por “bebé”».
"Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz", publicado pela editora brasileira Capivara, inclui um texto de Eduardo Lourenço, "Amor e Literatura", um relato de Ofélia Queiroz, registado em 1978 pela sua sobrinha, Maria da Graça Queiroz, acerca da relação com o poeta, no qual recorda a promessa de Pessoa em lhe ensinar melhor o inglês, «depois de casados», um testemunho da sobrinha, que atesta que, «na morte do Fernando, a Ofélia apagou-se ao mundo», e recusou sempre dar qualquer entrevista.
Num dos documentos até agora inéditos, Fernando Pessoa trata Ofélia por «Querida Nininha pequena» e dá-lhe conta de que estará no Largo do Conde Barão [em Lisboa], à espera dela, «no recanto da padaria Inglesa».
O tratamento entre os dois é mimado e ternurento. Fernando Pessoa envolve até, na relação, um dos seus heterónimos, o engenheiro Álvaro de Campos, que se dirige a Ofélia de forma cerimoniosa e refere-se a Fernando Pessoa como «abjecto e miserável indivíduo».
Ofélia e Álvaro de Campos telefonaram-se, assim como Fernando e Ofélia, até que, em Fevereiro de 1931, «um cavalheiro anunciando-se Ricardo Reis” lhe telefona [a Ofélia] a participar que Fernando Pessoa estava incomunicável e não aparecia antes de Março», escreve Zenith que questiona se seria esta uma «forma suave e desculpabilizadora» de Pessoa pôr um ponto final na relação amorosa. Ofélia insistirá em escrever para o seu “Nandinho" ou "Fernandinho", como se dirigia ao poeta, mas em resultado de reatamento.
A obra "Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz" foi apresentada, ontem, na CFP, em Campo de Ourique, no âmbito do Festival Desassossego, com a presença do ensaísta Eduardo Lourenço, o investigador Richard Zenith e os editores Bia e Pedro Corrêa do Lago. @ LUSA

06/12/2012

carta de Pessoa a Ophelia

Porque nas aulas "vemos" coisas que não passam das paredes das salas, o CRESCER divulga ao mundo esta carta que tanto faz enternecer e sorrir os alunos de 12º ano.
Acham ainda que Fernando Pessoa é um ser sorumbático e circunspecto? Sim? Leiam, então, uma das cartas por ele escritas à sua amada Ophelia .
                                                                                 
carta original

Carta impressa:

Bébézinho do Nininho-ninho:
Oh!
Venho só quevê pâ dizê ó Bébézinho que gostei muito da catinha d’ella. Oh!
E tambem tive munta pena de não tá ó pé do Bébé pâ le dá jinhos.
Oh! O Nininho é pequinininho!
Hoje o Nininho não vae a Belem porque, como não sabia s’havia carros, combinei tá
aqui ás seis o’as.
Amanhã, a não sê qu’o Nininho não possa é que sahe d’áqui pelas cinco e meia (1)
(isto é a meia das cinco e meia).
Amanhã o Bébé espera pelo Nininho, sim? Em Belem, sim? Sim?
Jinhos, jinhos e mais jinhos
Fernando
31/05/1920
(1) No original, há aqui o desenho de uma meia.

30/11/2012

morreu e foi notícia há 77 anos


Fernando Pessoa numa rua de Lisboa
Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

REPRODUÇÃO DA NOTÍCIA DA MORTE E ENTERRO DADA PELO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS”
MORREU FERNANDO PESSOA
grande poeta de Portugal

Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da Mensagem, poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se tem escrito, foi ontem a enterrar.
Surpreendeu-o a morte, num leito cristão do Hospital de S. Luiz, no sábado à noite.
A sua passagem pela vida foi um rastro de luz e de originalidade. Em 1915, com Luiz de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro e Ronald de Carvalho — estes dois já mortos para a vida — lançou o Orpheu, que tão profunda influência exerceu no nosso meio literário, e a sua personalidade foi-se depois afirmando mais e mais. Do fundo da sua «tertúlia» a uma mesa do Martinho da Arcada, Fernando pessoa era sempre o mais novo de todos os novos que em volta dele se sentavam. Desconcertante, profundamente original e estruturalmente verdadeiro, a sua personalidade era vária como vário o rumo da sua vida. Ele não tinha uma actividade «una», uma actividade dirigida: tinha múltiplas actividades.
Na poesia não era só ele: Fernando Pessoa; ele era também Álvaro de Campos e Alberto Caeiro e Ricardo Reis. E era-os profundamente, como só ele sabia ser. E na poesia como na vida. E na vida como na arte.
Tudo nele era inesperado. Desde a sua vida, até aos seus poemas, até à sua morte.

16/05/2012

contos inéditos de Pessoa

Cinco contos inéditos de Fernando Pessoa são editados na coletânea "O Mendigo e outros contos" que a Assírio & Alvim publica esta semana, com uma introdução de Ana Maria Freitas, que tem estudado o espólio do escritor.
Os contos inéditos são: "O Filatelista", "Empresa Fornecedora de Mitos", "A Perversão do Longe", "O Mendigo" e "Num Bar de Londres". Os restantes, reunidos pela primeira vez em livro, foram já publicados em França pela editora La Différence e, em Portugal, pela revista Mealibra, do Centro Cultural do Alto Minho.
Os contos "Memórias de um Ladrão", "Alegações Finais", "O Gramofone" e "O Papagaio" só foram publicados na tradução francesa.
"Nesta área, que agora começa a ser desbravada, pouco tem sido publicado de novo. Esta é a primeira publicação de um conjunto de contos de Pessoa em Portugal", disse à Lusa fonte da editora.

31/03/2012

vamos descansar uns dias



Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos. 




Alberto Caeiro

30/11/2011

30 de novembro de 1935 - morre Fernando Pessoa

Faz hoje anos (76) que morreu Fernando Pessoa.

A Casa Fernando Pessoa organiza uma iniciativa que poderia ser levada a cabo em qualquer lugar. Numa tertúlia. Numa sala de aula. Em nossas casas...

Em que consiste? Ler em voz alta excertos do "Livro do Desassossego".

Ora façam o favor de se desassossegarem.

20/06/2011

Na casa defronte de mim e dos meus sonhos

O poema que se segue foi o contemplado no grupo I da prova de Português de 12º ano.

Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,
Que felicidade há sempre!

Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.
São felizes, porque não são eu.

As crianças, que brincam às sacadas altas,
Vivem entre vasos de flores,
Sem dúvida, eternamente.

As vozes, que sobem do interior do doméstico,
Cantam sempre, sem dúvida.
Sim, devem cantar.

Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.
Assim tem que ser onde tudo se ajusta —
O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.

Que grande felicidade não ser eu!

Mas os outros não sentirão assim também?
Quais outros? Não há outros.
O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,
Ou, quando se abre,
É para as crianças brincarem na varanda de grades,
Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.

Os outros nunca sentem.
Quem sente somos nós,
Sim, todos nós,
Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.

Nada? Não sei...
Um nada que dói...

Álvaro de Campos, Poesia
Quarta questão do grupo I A:
. Relacione o conteúdo da última estrofe com as reflexões apresentadas nas duas estrofes anteriores.
Quem responde?

19/06/2011

come chocolates, pequena, come chocolates!

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Tabacaria, Álvaro de Campos

13/06/2011

123 anos de Pessoa

Google assinala 123 anos de Fernando Pessoa

A página portuguesa do Google assinala esta segunda-feira o 123º aniversário de Fernando Pessoa com a criação de um doodle do escritor e poeta.
Fernando António Nogueira Pessoa, de nome completo, nasceu a 13 de Junho de 1888, em Lisboa e faleceu a 30 de Novembro de 1935, com 47 anos, de cirrose hepática.
Como poeta, Fernando Pessoa desdobrou-se em várias personagens e criou heterónimos como Ricardo Reis, Álvaro de Campos ou Alberto Caeiro, entre outros. Em virtude de ter vivido na África do Sul, entre os seis e os 17 anos, escreveu ainda em inglês. O crítico literário norte-americano Harold Bloom considerou a sua obra “legado da língua portuguesa no mundo”.
A Google costuma celebrar datas importantes da humanidade com a criação de doodles, que se conjugam com o logótipo do motor de busca da Internet.

30/11/2010

75 anos depois


Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935.

75 anos depois da sua morte, Pessoa está vivo entre nós.

Paradoxo? É habitual com o poeta.

Na véspera da sua morte escreveu "I know not what tomorow will bring." Ironia do destino!

Nós sabemos o que o futuro lhe reservou: a eternidade.



A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

23-5-1932, Poesias, Fernando Pessoa