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26/02/2021

JOGAR: as sugestões do Daniel

 A história de um jogo de mil jogos


“Era uma vez” é uma forma de começar a história normalmente usada em contos de fadas ou histórias fictícias. Tudo o que vem depois dessas três palavras é uma história com início, meio e fim criada por alguém. Mas e se em vez de uma história feita onde sabemos tudo o que vai acontecer, ouvíssemos uma história onde ninguém tem controlo sobre o que vai acontecer? Isso é mais ou menos o que acontece em Tabletop RPG’s, mais conhecidos como RPG’s de mesa. Um jogo onde se segue uma proposta inicial de uma história, mas ninguém, nem mesmo o seu criador, pode prever como vai acabar.

 O que é…

RPG de mesa ou “Tabletop RPG’s”, também conhecido como pen-and-paper role-playing game, é uma forma de jogo de interpretação (RPG), onde os participantes/protagonistas descrevem as suas ações por meio da fala. As suas ações são bem-sucedidas ou fracassam de acordo com um sistema formal definido por regras e diretrizes. Dentro das regras, os jogadores têm liberdade para improvisar. Todas as escolhas dos personagens moldam a direção e o resultado do jogo.

História

Os jogos de RPG de mesa têm as suas origens em jogos que simulam guerra, particularmente o xadrez (que por sua vez se originou do antigo jogo indiano Chaturanga). No final do século 18 até ao século 19, as variantes do xadrez evoluíram para jogos de guerra modernos, mais notavelmente Kriegsspiel.

Mais de um século depois, o jogo de guerra Chainmail, lançado em 1971, acabou se tornar a base para Dungeons & Dragons, um dos RPG 's de mesa mais populares de todos os tempos.

 Regras e Diferentes Jogos

Tabletop RPG’s são mais propriamente uma categoria de jogos em vez de um jogo. Existem milhares de jogos de RPG conhecidos e espalhados pelo mundo, cada um com as suas diferentes regras. Os dois RPG ‘s que mais se popularizaram no mundo foram Call of Cthulhu e principalmente Dungeons & Dragons. Cada jogo tem as suas próprias regras mas todos eles têm algumas regras comuns. Em todos os RPG ‘s de mesa normalmente apenas são necessárias três coisas: dados, um personagem e um mínimo de criatividade. Os dados são usados exatamente como em jogos de mesa normais, como o monopólio. Rolam-se os dados e os valores representam um valor de um ataque ou uma habilidade. Todos os jogadores do RPG estão basicamente a atuar como um personagem criado pelo próprio jogador. Através de uma ficha fornecida pelo próprio jogo, o jogador preenche com as informações do seu personagem (altura, força, descrição física, descrição psicológica, ETC...), e começa a atuar conforme essas informações. Os jogos também possuem sempre um Dungeon Master, uma pessoa que controla não um personagem, mas sim o mundo, os NPC’s e os eventos que no mundo acontecem. Após os personagens criados, o Dungeon Master começa a contar a história, que grande parte das vezes nunca corre como planeado.

Por que razões podemos gostar do jogo

Apesar de RPG ‘s de mesa serem jogos onde é necessário dedicar muito estudo e criatividade, o jogo é sempre divertido de jogar com pessoas com quem que se tem afinidade. Não só porque é divertido de jogar com amigos, mas porque criar memórias é sempre divertido. As melhores partes destes jogos normalmente acontecem quando menos se espera. Já que normalmente os jogadores têm sempre uma ideia estranha ou engraçada que torna o jogo e a aventura única. Uma das maiores vantagens do jogo é a imprevisibilidade. Todos os jogos proporcionam uma aventura única já que, como a história é criada pelo Dungeon Master, nenhuma campanha vai ser igual à outra. 

Dungeons & Dragons nos outros media

Apesar de não ser super mainstream (super popular), Dungeons & Dragons é um RPG que muita gente já jogou e já teve várias paródias feitas em outros jogos ou séries. No jogo Watch Dogs 2, a entrada para a base do grupo principal localiza-se dentro de uma loja de jogos de RPG. No início da série Stranger Things, o grupo principal jogava um jogo de Dungeons and Dragons na cave do protagonista, na verdade, muitos elementos da série têm bastantes semelhanças com criaturas e elementos presentes no universo de Dungeons & Dragons. Também existem muitas pessoas famosas que jogam RPG 's de mesa. Por exemplo, o ator, argumentista e produtor cinematográfico, Vin Diesel é famoso por no seu tempo livre jogar RPG ‘s de mesa

 RPG ‘s na atualidade

RPG ‘s em Portugal nunca foram bastante populares, mas noutros países, principalmente na América do Norte, RPG ‘s eram e ainda são bastante populares. Uma das figuras mais populares de Dungeons & Dragons é o Matthew Mercer que já foi Dungeon Master em muitas campanhas transmitidas para a internet. A sua personalidade e a dinâmica que ele tem com os jogadores torna o jogo muito interessante de se acompanhar. No Brasil o criador de conteúdo Jovem Nerd já trouxe muitos Podcasts dos mais diversos RPG 's. Vale a pena realçar que segundo o próprio Jovem Nerd as suas histórias, principalmente as que falam sobre Call of Cthulhu não são recomendados para menores de 16 anos pelo seu conteúdo mais sinistro. Recentemente, em março de 2020, no Brasil, uma série de RPG 's criada inteiramente por um streamer ficou conhecida por dar uma nova vida aos RPG' s de mesa no país, dando a conhecer a um público novo e jovem (incluindo eu) este tipo de jogo. Cellbit, um streamer brasileiro criou não só a história como o próprio RPG com as suas próprias regras (o RPG tem elementos inspirados em Call of Cthulhu e Tormenta). A ordem paranormal foi um projeto de criar uma campanha de RPG que juntou vários youtubers e streamers populares do Brasil. A série ficou tão popular que se estendeu por mais três temporadas, sendo que atualmente a terceira está a ser lançada. O projeto ficou tão popular que o streamer começou a desenvolver-se no seu próprio jogo baseado no universo, “O Enigma do Medo”. Em menos de 5 horas do anúncio do seu lançamento, o jogo já tinha conseguido o valor que precisava para a sua finalização (50 mil reais) e hoje o dinheiro angariado para o desenvolvimento do jogo ronda os 4.2 milhões de reais.

Hoje em dia, os RPG 's de mesa são possíveis de jogar até na quarentena, já que não é preciso jogar fisicamente. Existem vários sites que simulam a experiência de Dungeons & Dragons como Roll20 ou o D&D Beyond.

Como já disse anteriormente, apesar de ser um jogo que exige estudo, paciência e criatividade, com um grupo certo de amigos e uns tutoriais na internet, jogar tabletop RPG’s pode ser uma experiência única de vida que todos deviam experimentar. Para todos os que se mostram fortes o suficiente para pegar num papel e caneta, ler um livro gigantesco de regras e depender 100% da sorte, desejo-vos uma boa vinda aos RPG 's de mesa, e boa sorte.

Mais uma vez, obrigado por acompanharem mais uma rubrica do jornal CRESCER e, não se esqueçam, joguem, leiam, ouçam, vejam e, principalmente, divirtam-se! 

Daniel Barbosa, aluno de 12º ano

19/02/2021

JOGAR: as sugestões do Daniel

 "Um Herói e uma Flecha"

Titan Souls é um jogo de ação e aventura desenvolvido pelo estúdio Britânico Acid Nerve e publicado pela Devolver Digital. O jogo foi publicado no dia 14 de abril de 2015

No jogo, nós controlamos um arqueiro com só uma flecha. O seu objetivo é só um: matar os “titãs”. O que são os titãs? O jogo não dá muitos detalhes sobre eles, pelo menos no início. Já que toda a história do jogo é contada através de escrituras na parede que só podemos ler se jogarmos o jogo uma segunda vez. A única informação que temos no jogo é como usar um arco.
No jogo nós lutamos contra diversos titãs com diferentes habilidades nos mais diversos biomas. Todos os titãs são destruídos de forma diferente deixando o jogo bem mais difícil, imprevisível, e algumas vezes irritante, mas o sentimento de superação e de vitória depois de derrotar um titã faz valer a pena.
Para mim, este jogo não se torna bom por ser um jogo criativo, já que o jogo tem bastantes similaridades com o jogo Shadow of the Colossus, mas a sua ambientação pacífica, a sua simplicidade e as suas músicas
tornam o jogo extremamente divertido. O jogo também é bastante tranquilo de se jogar, já que é bastante pequeno e pode ser jogado em qualquer altura. Aqui está o trailer oficial do jogo para quem estiver curioso:

 Não existe muito mais a falar sobre o jogo já que, como referi antes, é um jogo simples. Mas posso dizer uma última coisa: mais uma vez, obrigado por acompanharem mais uma rubrica do jornal CRESCER e, não se esqueçam, joguem, leiam, ouçam, vejam e, principalmente, divirtam-se!

Daniel Barbosa, aluno de 12º ano

22/01/2021

JOGAR: as sugestões do Daniel

 “As pessoas não se importam como funciona! Apenas SE funciona”


Será que realmente estamos seguros na internet? Será que devemos confiar nas grandes empresas? Será que nós temos realmente liberdade de informação? Estes temas foram e ainda são alvo de debate especialmente devido a algumas ações tomadas por grandes empresas.

No dia 27 de Maio de 2014 a Ubisoft lançou um jogo com o tema de Cibersegurança onde nos três jogos controlamos ativistas hackers (“Hacktivists”) que lutam contra as empresas que se aproveitam de informações privadas dos seus utilizadores para ganhar a sua custa. Apesar de atualmente (em 2021) já terem sido lançados três jogos, aqui vou apenas abordar o segundo jogo, já que pessoalmente acho o mais interessante.

Watch Dogs 2 foi lançado em Novembro de 2016 para PC, PlayStation 4, Xbox One e Google Stadia. O jogo coloca-nos na perspectiva de um membro da “DedSec”, um grupo de Hacktivists que tem como objetivo expor corrupção pelo mundo afora. O grupo defende e luta pela liberdade de expressão, direitos humanos e principalmente pela liberdade de informação. A "DedSec" também é conhecida por incentivar manifestações pacíficas, invadir canais de televisão para passar os seus anúncios, e utilizar grafites como um meio de tentar atrair mais seguidores. O jogo passa-se em São Francisco e o personagem principal da história é Marcus Holloway, é um rapaz que por causa de um sistema falho criado pela Blume (uma empresa fictícia responsável por criar o ctOS, a infraestrutura tecnológica de São Francisco e Chicago), foi considerado “perigoso”. Ao tentar impedir que Blume crie mais problemas, ele se junta a Wrench, Sitara, Horatio e Josh, membros da DedSec. Ao contrário dos outros dois jogos, Watch Dogs 2 tem uma história e uma ambientação bem mais viva e humorística, o que apesar de algumas pessoas não gostarem, trouxe muitos mais fãs para a franquia. O jogo foi bastante capaz comparado ao primeiro jogo corrigindo alguns erros e adicionando novas mecânicas como a capacidade de utilizar drones, tasers e armas de ar, corridas de karts e muito mais.

A Ubisoft também foi bastante criativa ao esconder OST 's (Soundtracks oficiais) e outras coisas dentro dos ficheiros do jogo. Um dos seus exemplos é a OST que toca enquanto perseguimos o Hacker e DJ defalt durante o primeiro jogo.

No geral acredito que seja um jogo bastante divertido e fez um bom trabalho a incentivar as pessoas a pesquisar mais sobre a segurança digital e a interagir mais com este “mundo” novo.

“A DedSec mostrou-vos a verdade. Façam o que entenderem…”

 Por último, aqui está um vídeo feito por mim que mostra um pouco mais sobre o jogo:

 Mais uma vez, obrigado por acompanharem mais uma rubrica do jornal CRESCER, e não se esqueçam, joguem, leiam, ouçam, vejam e, principalmente, divirtam-se!

Daniel Barbosa (texto e vídeo), aluno de 12º ano

15/01/2021

JOGAR: as sugestões do Daniel

“Tu tens o turno da noite...”

Bom, não estamos no Halloween, mas, para muitos, 2020 foi um ano assustador. Então, em memória do ano que passou, o jornal CRESCER traz uma série de jogos de terror.

Five Nights at Freddy 's (FNAF) é uma série de jogos e livros de terror feitos unicamente pelo desenvolvedor independente Scott Cawthon. O primeiro jogo, “Five Nights at Freddy ’s”, foi lançado no dia 18 de agosto de 2014. O jogo tinha mecânicas bastante simples que se baseavam em observar as câmaras, fechar as portas, e principalmente, poupar energia. No jogo, nós somos um segurança de um restaurante responsável pelo turno da noite cuja principal preocupação não é proteger o restaurante mas sim sobreviver. Os nossos inimigos durante o jogo são quatro “bonecos mecânicos" ou “animatronics”: Freddy o urso, Chica a galinha, Bonnie o coelho, Foxy o raposo e Golden Freddy que aparece aleatoriamente como um quinto inimigo extra. O jogo foi originalmente inspirado numa Pizzaria que existe na vida real, Chuck E Cheese, e no caso de Nathan Dunlap de 1993.

O jogo foi bastante apoiado pela comunidade, tornando-se um fenómeno na internet, mais especificamente, no youtube. Um dos maiores fatores para o crescimento e sucesso do jogo foi o facto da atmosfera misteriosa e da falta de informações sobre a história do jogo, dando a fãs e a grandes canais como TheGameTheory uma abertura para a criação de milhares de teorias. O amor das pessoas pelo jogo motivou Scott a continuar a trabalhar no jogo e a pôr mais empenho na história do jogo.

Inesperadamente, em menos de três meses Scott publica FNAF 2, com novos animatronics, novas dinâmicas, um novo mapa e novos sustos. Tal como no primeiro jogo, o segundo jogo recebeu críticas bastante positivas e as teorias continuavam a inundar a internet. Após isso, Scott lançou FNAF 3, FNAF 4, FNAF world (um jogo em formato de RPG feito para um público mais infantil), FNAF: Sister Location (FNAF 5), Freddy Fazbear’s Pizzaria Simulator (FNAF 6), Ultimate Custom Night (um jogo sem história com todos os personagens dos jogos juntos num só), FNAF: HELP WANTED (FNAF 7) e, por último, FNAF Security Breach (FNAF 8) que será lançado este ano. Em menos de 7 anos, foram 10 jogos lançados e 6 livros escritos por uma só pessoa.

Para mim, a melhor coisa sobre ter acompanhado esta história ao longo de todos estes anos não foi apenas os jogos em si, mas sim tentar descobrir uma história tão complexa que até hoje não está totalmente descoberta. Para além disso, acredito que o Scott seja uma boa inspiração e exemplo para quem pretende começar um projeto (independentemente do tipo), porque foi através das críticas negativas aos seus jogos antigos e às suas animações, que ele teve a coragem para melhorar e ser capaz de criar uma boa série de jogos, cada vez mais complexos, com tão pouco tempo.

Mas, claro, nem tudo é bom. A gigantesca quantidade de jogos fez com que a história do jogo ficasse proporcionalmente enorme e complexa, tornando-a muitas vezes bastante confusa e até mesmo sem sentido. Não só os jogos, mas os fãs também são um grande problema, pois, por mais incrível que pareça, este jogo atraiu uma grande quantidade de crianças para a sua comunidade dando uma reputação negativa ao jogo. Apesar destas coisas, eu acredito que o jogo já teve e ainda tem um bom potencial para aqueles que apenas procuram apanhar uns bons sustos e jogar sem compromisso.

Aqui está um vídeo feito por mim* em homenagem a esta série de jogos que marcou a minha infância e parte da minha adolescência.

 Para todos aqueles que estão dispostos a entrar na Pizzaria, boa sorte. Obrigado por acompanharem mais uma rubrica do jornal CRESCER, e, não se esqueçam: joguem, leiam, ouçam, vejam e, principalmente, divirtam-se!

*Daniel Barbosa, aluno de 12º ano