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02/11/2010

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
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Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

31/10/2010

Parabéns, senhor engenheiro!



Pessoa por Júlio Pomar
 
Deveria ter sido "postado" a 15 de Outubro mas só dele tivemos conhecimento mais tarde.

Fica aqui uma pequena "pérola" de Fernando Alves, a propósito do aniversário de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa.

Apreciem a ironia fina!

Ao partilhá-lo com um amigo, ele deliberou: "Este engenheiro, sim, merece o nosso voto e o Fernando Alves seria o seu assessor ideal."

Cremos ser o melhor dos cumprimentos.