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25/09/2023

atualidade: sete em cada 10 adolescentes portugueses foram vítimas de comportamentos agressivos em contexto escolar

Os resultados de uma investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) apontam para uma prevalência da violência interpessoal em escolas do ensino básico e secundário de Portugal Continental e dos Açores. Dos 7139 jovens, de ambos os sexos e com idades entre os 12 e 18 anos, 68% (4837) revelam ter sido vítimas de algum comportamento de agressão e 64% (4634) assumem já ter praticado algum ato violento para com um colega de escola.

Imagem: Getty Images/iStockphoto
Estes dados foram recolhidos entre os anos de 2018 e 2022, no âmbito do PREVINT, um programa de prevenção da violência interpessoal implementado em mais de uma centena de escolas, abrangendo cerca de 20 000 estudantes.
«Os atos de agressão, quer sejam perpetrados ou recebidos, acontecem de uma forma transversal em todos os anos de escolaridade e em ambos os sexos. Estes dados foram recolhidos em 61 estabelecimentos do 2º e 3º ciclo do ensino básico e secundário», afirma o investigador da UTAD, Ricardo Barroso.
Os comportamentos de vitimação mais reportados são em 92% dos casos de natureza psicológica (como piadas agressivas, ignorar, culpar, mentir ou enganar), seguindo-se os de natureza física (pontapés, beliscar ou arranhar, ferir “a brincar”), com 82%, e os de controlo (controlar ou proibir, stalking [perseguir]), com 62%.
Também se verificam comportamentos associados ao cyberbullying e de partilha de imagens íntimas sem consentimento (sexting) com uma prevalência de 58%. Embora a frequência seja inferior, não deixam de ser relatados os comportamentos tendencialmente mais graves (ameaçar com objetos ou armas, causar uma lesão corporal grave), com 38%, ou de natureza sexual (forçar uma relação), com 6%.
Quando os jovens protagonizam comportamentos de agressão, são essencialmente de teor psicológico (ignorar, piadas agressivas, ridicularizar/humilhar em público, mentir ou provocar ciúmes) em 88% dos casos, seguindo-se os de natureza física (pontapés, beliscar ou arranhar, ferir “a brincar”) e os de controlo (controlar ou proibir, stalking [perseguir]), com 84% e 55% (respetivamente).
Há também registo de comportamentos associados ao cyberbullying e sexting (58%) e os comportamentos tendencialmente mais graves (ameaçar com objetos ou com armas, causar uma lesão corporal grave), com 33%, e de natureza sexual, com 3%, apesar de ocorrem com menor frequência, não deixaram de ser reportados pelos adolescentes.  Fonte: Sapo

cultura: escritora Lídia Jorge vence Prémio Eduardo Lourenço 2023

A escritora portuguesa Lídia Jorge é a vencedora da 19.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço, anunciou hoje o Centro de Estudos Ibéricos (CEI).

“O júri, por unanimidade, decidiu que o Prémio Eduardo Lourenço em 2023 será atribuído à escritora Lídia Jorge”, revelou o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, e elemento da direção do CEI.

O autarca realçou que se dá assim “uma dimensão maior ao Prémio Eduardo Lourenço, que já não só da Ibéria, mas também da Ibero-americana, tendo em conta a sua presença naquelas latitudes”.

O vice-reitor da Universidade de Coimbra, Delfim Leão, sublinhou que, tendo em conta que “o Prémio Eduardo Lourenço tem sido maioritariamente até agora masculino, não deixa de ser interessante o galardão atribuído a Lídia Jorge. Vem reforçar a presença feminina no leque de premiados, ela que é precisamente um dos arautos por excelência dessa visibilidade das vozes femininas através da sua obra”.

O vice-reitor da Universidade de Salamanca, José Mateos Roco, destacou que “foi uma decisão muito pensada, muito ponderada, foram valorizados todos os pontos de vista, mas a figura da premiada foi a que mais reunia condições para este ano ser vencedora, sobretudo nessa nova dimensão que se pretende do prémio”. Fonte: Sapo

curiosidade: é no Outono que se inicia o horário de Inverno

O Outono deste ano começou na madrugada do dia 23 de setembro, alguns minutos antes do nascer do sol de sábado. Curiosamente, é no Outono que se inicia o horário de Inverno. E não falta muito!

O início astronómico do Outono e da Primavera é determinado pelo equinócio, quando o dia e a noite têm a mesma duração em todo o mundo. É também no Outono que tem início o horário de Inverno.
Assim sendo, no próximo dia 29 de outubro, às 02h00, os relógios devem ser atrasados 60 minutos, passando para a 01h00.
Na Região Autónoma dos Açores, a mudança será feita à 01h00 da madrugada de domingo, passando para as 00h00.
Meteorologicamente o Outono já começou no hemisfério norte. A meteorologia divide os 12 meses do ano em quatro períodos exatos. Fonte: Sapo 

22/09/2023

VER: "Déjà Vu"

Na rubrica de fim de semana IR/LER/OUVIR/VER, desta vez o CRESCER deixa-lhe a sugestão de VER (ou reVER) o filme "Déjà Vu", de 2006, tão intemporal no seu enredo. 

O agente federal Doug Carlin (Denzel Washington) é chamado para investigar a causa de uma explosão fatal que ocorreu num ferry em Nova Orleães. Ele descobre, então, um meio de viajar no tempo...

Um filme intenso e agitado que certamente gostará de (re)ver. Aqui fica o trailer oficial. Bom cinema!

 

cultura: antologia dedicada a Eduardo Lourenço e à sua obra reúne 17 poetas portugueses

Eduardo Lourenço vai ter uma antologia de poemas especialmente dedicados a si e à sua obra, um gesto de homenagem "diferente" que lhe é prestado por 17 poetas portugueses, por ocasião do centenário do seu nascimento.

"A Mais Frágil das Moradas. Poemas à Memória de Eduardo Lourenço", uma edição da Guerra e Paz que chega às livrarias no dia 26 de setembro, é uma iniciativa do poeta Nuno Júdice e do escritor e investigador Jorge Maximino, que escolheram três poetas clássicos e convidaram 17 atuais para prestar tributo ao ensaísta. Pensada a propósito do centenário de Eduardo Lourenço, que se assinala este ano, mas não integrada nas celebrações oficiais, esta obra conta com a participação de nomes da poesia contemporânea, como Fernando Pinto do Amaral, Hélia Correia, Luis Quintais, Maria do Rosário Pedreira, Rita Taborda Duarte, Rosa Oliveira e Tatiana Faia, entre outros, além dos próprios organizadores.
Trata-se de "um gesto em memória de Eduardo Lourenço, um gesto de gratidão e de reconhecimento pela obra importantíssima que nos legou, sendo estes poemas também um convite à leitura da sua obra e, em particular, às suas profundas reflexões sobre obras poéticas que ocupam uma parte considerável do legado do pensador", explicou à Lusa Jorge Maximino.
"É nesse sentido que se estabelece ou se prolonga um diálogo com a obra ensaística de Eduardo Lourenço, daí também estarem incluídos poemas de [Luís de] Camões, Antero [de Quental] e [Fernando] Pessoa, que são três dos autores das obras mais importantes, entre outras, a que ele consagrou uma parte considerável do seu tempo como ensaísta e critico literário", acrescentou.
Nuno Júdice especificou, por sua vez, que Eduardo Lourenço "foi alguém que muitas vezes construiu o seu pensamento a partir de poetas e da leitura de poesia", razão por que se pensou em criar um "livro com poemas que lhe são dedicados".
É uma "homenagem diferente" de que "ele iria sem dúvida gostar", acrescentou, destacando que a intenção de fazer uma homenagem a partir da poesia pretendeu também fugir das homenagens académicas e de ensaios, que "já há muitas".
Jorge Maximino partilha da mesma opinião, assinalando que esta homenagem "difere dos discursos oficiais, no quadro desta comemoração. É uma proposta diferente, que foi decidida com o objetivo de sensibilizar em particular os mais novos à leitura e é um convite à leitura a partir da leitura da poesia".
"Foi um pensador com uma capacidade fabulosa de abordar temas importantes da cultura, mas também de obras complexas como as de Camões e Pessoa, e propor leituras que se tornaram uma referência no ensaísmo, mas também nos estudos literários", disse.
Na nota introdutória, os organizadores salientam que na extensa obra que Eduardo Lourenço deixou, "a sua reflexão e o seu diálogo permanente com a poesia e com os poetas foi, é e continuará a ser um dos eixos que a marcam fortemente, sendo esse um dos focos mais exigentes e luminosos do seu ensaísmo, dos mais singulares de sempre".
"A criação poética foi para ele (...) não só a arte suprema como também um espaço de liberdade na linguagem, uma vez que na sua perspetiva 'só a palavra poética é libertação do mundo'", acrescenta a nota.
"A mais frágil das moradas" contou com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e o apoio das Câmaras Municipais de Almeida e da Guarda, uma vez que Eduardo Lourenço era natural daquela região da Beira Alta. 
Eduardo Lourenço nasceu a 23 de maio de 1923, em S. Pedro de Rio Seco, Guarda, e morreu no dia 01 de dezembro de 2020, em Lisboa. Fonte: Sapo

a luta dos professores: ameaçam com tribunal caso tutela mantenha regime probatório

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) ameaçou hoje avançar para tribunal caso o ministério mantenha a “discriminação dos professores” que este ano entraram para os quadros e são obrigados a um período probatório.


Mário Nogueira, secretário geral da FENPROF
A FENPROF anunciou que vai avançar com várias ações para “pôr cobro à discriminação dos docentes que vincularam este ano”, referindo-se ao período probatório que, para a federação, se traduz em salários mais baixos e mais horas de trabalho.

O período probatório, de um ano escolar e do qual os professores podem ser dispensados, refere-se ao primeiro ano em que o docente passa a ter lugar permanente nos quadros e tem como objetivo verificar o desempenho profissional do docente.

A FENPROF garante que todos os professores que agora vincularam contam já “com muitos anos de serviço e inúmeras avaliações positivas, necessárias para terem mantido um contrato”.

“Os responsáveis do Ministério da Educação (ME) não se cansam de lembrar os quase 8.000 docentes que entraram nos quadros, mas não referem o que lhes pretendem, agora, fazer. E não o fazem porque o que pretendem é ilegal e discriminatório”, acusa a FENPROF em comunicado divulgado hoje.

A estrutura sindical decidiu dar até ao final da semana um prazo para o Ministério alterar a atual situação, caso contrário “avançará para os tribunais, com quatro ações, uma por sindicato regional”, mas também irá denunciar o caso junto da Assembleia da República e da Provedoria de Justiça, “solicitando que seja requerida a fiscalização da constitucionalidade da situação criada”.

A Comissão Europeia também será um dos destinatários de uma queixa “por violação da diretiva que determina a não discriminação salarial dos docentes por motivo relacionado com o vínculo laboral”.

Para a FENPROF “o que está a acontecer é absurdo e inaceitável”, lembrando que a tutela está, por um lado, a contratar professores não profissionalizados e por outro impõe o período probatório a docentes que já “dão aulas há muitos anos”.

Além disso, estes docentes ficam para já no 1.º escalão, enquanto os colegas com contrato a termo poderão chegar ao correspondente ao 3.º escalão da carreira, caso tenham anos de serviço suficientes, acrescenta a federação.

“A discriminação salarial de que vinham a ser alvo os docentes com contrato a termo, são agora docentes dos quadros que passam a ser discriminados em relação àqueles seus colegas”, acusa a FENPROF.

FENPROF diz ter enviado um ofício ao ministro exigindo a resolução desta situação, admitindo organizar uma concentração junto ao ministério para exigir “um tratamento justo e não discriminatório”.

Para a federação, os docentes que vincularam este ano devem ser todos dispensados da realização deste período probatório que “tem como objetivo pagar menos aos professores, ao mesmo tempo que lhes são exigidas mais horas letivas de trabalho do que aquelas que a lei prevê”.

Na semana passada também o Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) pediu ao ministério que alterasse a situação, considerando que promovia “graves injustiças”: “Legalmente não é possível baixar o índice de vencimento aos professores que estão a cumprir o período probatório, o que poderá vir a acontecer a partir do próximo ano letivo”.

A Federação Nacional de Educação (FNE) exigiu também à tutela uma revisão do regime de dispensa do período probatório. Fonte: Sapo

educação: escolas públicas perderam quase 10 mil docentes numa década

O problema da falta de professores poderá agravar-se nos próximos anos, uma vez que a classe docente está cada vez mais envelhecida, tanto no setor público como no privado.

De acordo com os dados que constam do Perfil do Docente 2021/2022, publicado este mês pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), a idade média dos professores aumentou significativamente em dez anos e, em 2021/2022, ultrapassava os 50 anos em todos os níveis de ensino, mas é no pré-escolar que a situação é mais grave.
No setor público, em cerca de 10 mil profissionais, quase 80% dos educadores do pré-escolar tinham mais de 50 anos, sendo que abaixo dos 30 anos contabilizavam-se apenas 14 educadores, o que não chega a representar 0,1%.
Entre os níveis de ensino com a classe docente mais envelhecida, seguem-se o 2.º ciclo, em que 62,6% tinham mais de 50 anos, o 3.º ciclo e secundário (60,4%) e o 1.º ciclo (47,6%). A percentagem de professores com menos de 30 anos não chegava aos 2% em qualquer um dos três.
Por região, as escolas com os docentes mais velhos localizam-se no Centro, onde a média de idades era 56 anos no pré-escolar, 54 anos no 2.º ciclo e 52 anos nos 1.º e 3.º ciclos e secundários.
Outro dos indicadores tratados no Perfil do Docente é o vínculo contratual e, desse ponto de vista, os dados mais recentes mostram duas tendências.
Por um lado, entre 2011/2012 e 2021/2022, houve um aumento do recurso a professores contratados no pré-escolar e 1.º ciclo, que representavam 20,2% e 17,3% do corpo docente das escolas, respetivamente.
Nos 2.º e 3.º ciclos e secundário, o recurso a contratados diminuiu ligeiramente, mas, ainda assim, representavam 21% do total no 2.º ciclo e 25,2% no 3.º ciclo e secundário.
Em todos os níveis de ensino, o recurso a professores contratados é mais significativo nas regiões do Algarve e Área Metropolitana de Lisboa, onde existe também maior carência. (daqui) 

saúde: bem-estar emocional das crianças influencia o desenvolvimento físico

"Stress tóxico pode fazer com que os mais novos não se desenvolvam tanto quanto podiam", Júlia Rocha. O bem-estar emocional das crianças pode ser um dos principais estímulos para o seu desenvolvimento físico saudável. 

O bioantropólogo inglês Barry Bogin, defende que amor, cuidado e apoio psicológico podem prevenir atrofias no crescimento.

Foi levada a cabo uma nova revisão de estudos sobre o tema que revelou que além de fatores como a genética, dieta e exercício, o crescimento físico das crianças é fortemente influenciado pelo cuidado e bem-estar emocional.

A análise revela que o stress tóxico, provocado pela falta de apoio emocional e de transmissão de sentimentos de reforço positivos, pode fazer com que os mais novos não se desenvolvam tanto, uma vez que pode ocorrer um “bloqueio de hormonas necessárias ao crescimento e à altura”. Barry Bogin, bioantropólogo da Universidade de Loughborough, em Inglaterra, defende esta tese.

O especialista analisou dados históricos relativos a períodos históricos, entre 1800 e 1990, incluindo a Longa Depressão, um momento de recessão económica à escala mundial entre 1873 e 1879. Bogin concluiu que os homens nascidos nos Estados Unidos da América em 1873, eram cerca de 3 cm mais altos do que os que tinham nascido em 1890, no rescaldo da grande crise económica.

Os dados do seu estudo revelam também deram conta de que, após essa período do século XIX, a altura média masculina aumentou em cada ano de nascimento: por exemplo, aumentou de cerca de 169 cm em 1890 para 177 cm em 1960.

“A espécie humana requer fortes ligações sociais e emocionais, isto é, amor, entre pessoas mais jovens e mais velhas e, na verdade, entre pessoas de todas as idades”, explica Bogin, em declarações à Sky News, acrescentando que isto é essencial para “promover quase todas as funções biológicas".

O bioantropólogo deu ainda dois exemplos: por um lado, referiu que a média de altura de um homem na Guatemala é de 1,63 cm de altura e da mulher 1,49 cm. Nos Países Baixos, a altura média dos homens é de 1,83 cm e a das mulheres 1,69 cm.

Segundo o especialista, isto acontece porque na Guatemala os cidadãos estão expostos a violência de vários tipos, além de o contexto político ser uma questão também. Por isso mesmo, é um dos países que regista alturas mais baixas a nível mundial. Os Países Baixos, que seguem políticas que incentivam a segurança e o bem-estar dos cidadãos, têm registo de algumas das pessoas mais altas. Fonte: Sapo 

21/09/2023

educação: a gestão dos professores na sua luta

O que pode estar a enfraquecer a luta dos professores é a necessidade de gerir os custos da adesão a tantos dias de greve. Não é a causa, são os custos. 

As aulas começaram e as greves também. Esta semana está a ser marcada por uma greve convocada pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP).
"O que tem destruído a escola pública não são as greves, mas as políticas educativas que desvalorizaram tanto mas tanto quem trabalha nas escolas que neste momento temos falta de profissionais o que prejudica os vossos filhos e os vossos netos”, acrescentou André Pestana, citado no jornal Público.
No entanto, esta greve está a ter pouca adesão. As associações de diretores escolares indicam que a maioria das escolas não foi afetada porque poucos professores estão a fazer greve nesta semana.
“É uma questão de gestão, mesmo. Hoje (segunda-feira) faço greve, mas entre amanhã e quinta-feira, não. Só faço greve na sexta-feira. Temos de fazer contas. Só mesmo quem não sabe fazer contas é que acha que os professores auferem bastante”, disse a professora Sónia Alvarenga na CNN Portugal.
José Silva, outro professor da Escola Básica e Secundária do Cerco (Porto), acrescentou: “A greve sai-nos do bolso e a luta será progressivamente mais difícil. De qualquer forma, não desistimos, enquanto não houver justiça”
O professor António Soares fez as contas para ir a Lisboa, à manifestação da próxima sexta-feira: 100 euros não chegam. “É um dia de salário perdido, mais o transporte, mais a alimentação… É uma despesa que custa bastante ao final do mês, num salário tão precário”. Fonte: ZAP

ciência: Terra está “bem fora do espaço operacional seguro para a humanidade”

Os sistemas de suporte à vida da Terra estão tão danificados que o planeta está “bem fora do espaço operacional seguro para a humanidade”, alertaram esta quinta-feira os cientistas, que sustentaram que seis das nove “fronteiras planetárias” foram quebradas devido à poluição causada pelo homem e à destruição do mundo natural.

As fronteiras planetárias são os limites dos principais sistemas globais – como o clima, a água e a diversidade da vida selvagem – para além dos quais a sua capacidade de manter o planeta saudável corre o risco de falhar.

De acordo com os investigadores, a avaliação foi a primeira de todas as nove fronteiras planetárias e representou o “primeiro exame científica de saúde para todo o planeta”: seis dos limites estão ultrapassados e dois sob ameaça – a poluição atmosférica e a acidificação dos oceanos. A única fronteira que não está ameaçada é a do ozono atmosférico, depois de as medidas para eliminar progressivamente os produtos químicos destrutivos nas últimas décadas terem levado à redução do buraco na camada de ozono.

Os cientistas salientaram que a descoberta “mais preocupante” foi a de que todos os quatro limites biológicos, ou seja os que cobrem o mundo vivo, estão no nível de risco mais alto: o mundo vivo é particularmente vital para a Terra pois proporciona a resiliência para compensar algumas mudanças físicas, como por exemplo o desflorestamento.

As fronteiras planetárias não são pontos de inflexão irreversíveis, além dos quais ocorre uma deterioração súbita e grave, alertaram os cientistas: são sim pontos a partir dos quais os riscos de mudanças fundamentais nos sistemas físicos, biológicos e químicos de suporte à vida na Terra.

“A ciência e o mundo em geral estão realmente preocupados com todos os eventos climáticos extremos que atingem as sociedades em todo o planeta. Mas o que nos preocupa ainda mais são os sinais crescentes de diminuição da resiliência planetária”, frisou Johan Rockström, ex-diretor do Centro de Resiliência de Estocolmo, que liderou a equipa que desenvolveu o quadro de fronteiras, citado pelo jornal britânico ‘The Guardian’. De acordo com o atual diretor-adjunto do Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, na Alemanha, esta falta de resiliência poderia tornar impossível restringir o aquecimento global ao objetivo climático de 1,5 graus Celsius e aproximar o mundo de verdadeiros pontos de viragem.

Katherine Richardson, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, que liderou o estudo, salientou que “sabemos com certeza que a humanidade pode prosperar sob as condições que existem há 10.000 anos. Mas não sabemos se podemos prosperar sob alterações grandes e dramáticas. Os impactos humanos no sistema terrestre como um todo estão a aumentar neste momento”, referindo que a Terra “pode ser considerada um paciente com pressão arterial muito alta. Isso não indica um ataque cardíaco certo mas aumenta muito o risco.”

A conclusão dos cientistas é clara: “Esta atualização constata que seis dos nove limites foram transgredidos, sugerindo que a Terra está agora bem fora do espaço operacional seguro para a humanidade”, apontou Rockstrom. “Se se quiser ter segurança, prosperidade e equidade para a humanidade na Terra, tem de se voltar para o espaço seguro. Mas não estamos a ver esse progresso atualmente no mundo.” Fonte:  Sapo 

educação: recuperar aprendizagens a Português e a Matemática

Governo lança site de recursos para apoio a professores e alunos para recuperar aprendizagens às disciplinas de Português e de Matemática.

O Ministério da Educação, através da Direção-Geral da Educação, do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares, disponibilizou esta segunda-feira um novo espaço de recuperação de aprendizagens que tem tem por objetivo congregar e divulgar, num único repositório acessível a todos, recursos (com variados formatos, temas e domínios), projetos, práticas de escolas e informação relativa a oferta de formação, entre outros.

Em comunicado, o ministério salientou que a página está em atualização constante – que pode consultar aqui – e arrancou com um conjunto alargado de recursos dedicados às disciplinas de Português e de Matemática, mas pretende chegar a outras componentes do currículo com informação e propostas de trabalho que potenciem o desenvolvimento das Aprendizagens Essenciais e do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.

“Será ainda um espaço privilegiado para, a partir dos resultados da avaliação externa, divulgar recursos de apoio ao ensino e à aprendizagem, focados no desenvolvimento das áreas de conhecimento e de competências mais comprometidas pelos efeitos da suspensão do ensino presencial”, frisou o ministério.

“A recuperação de aprendizagens é hoje um fator decisivo para garantir o sucesso de todos os alunos, bem como para potenciar a sua concretização a níveis mais elevados. Após a conclusão do Plano de Recuperação das Aprendizagens Escola+ 21|23, por via da informação recolhida através da monitorização do plano e da recolha de dados fornecidos pelas escolas, pelos instrumentos de aferição e provas nacionais, é possível identificar áreas em que a intervenção é mais necessária, devendo a execução do plano de recuperação das aprendizagens neste ano refletir esse foco maior”, apontou.

“A disciplina de Matemática e algumas competências de leitura constituem domínios que merecem um trabalho mais intenso. O dinamismo dos agentes educativos perante este desígnio tem sido determinante para colmatar lacunas diagnosticadas, e para a concretização de medidas, iniciativas, práticas e recursos que contribuíram para os alunos agilizarem progressos significativos, orientados e sustentados no sentido do desenvolvimento das áreas de competências inscritas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e nas Aprendizagens Essenciais.” Fonte: Sapo

atualidade: TSF pela primeira vez em greve e com 100% de adesão

Os jornalistas da TSF estiveram em greve durante 24 horas e a rádio, pela primeira vez em 35 anos, não teve emissão esta quarta-feira. Não houve noticiários, nem os programas habituais e o site também não foi atualizado. A ação de protesto deve-se à política salarial e às mudanças na direção. 
foto de PEDRO CUNHA
“O que estamos aqui hoje a pedir, e que foi aprovado em plenário de forma unânime, é que nos respeitem. E, pela primeira vez em 35 anos, desligámos o microfone. Temos a garantia que hoje, durante todo o dia, não haverá notícias na TSF“, disse Filipe Santa-Bárbara, jornalista da TSF em representação dos trabalhadores em protesto, em declarações à SIC Notícias.
“A TSF é rádio notícias, mas hoje de facto, nem no site, nem na rádio, vamos dar uma única notícia“, acrescentou.
Segundo o jornalista, aquilo que os trabalhadores exigem “é respeito”, por três motivos, sendo o primeiro o atraso no pagamento dos salários — que foram pagos, mas não no dia certo, sem aviso ou justificação à redação.
Outro dos motivos apontados por Filipe Santa-Bárbara foi o não seguimento das negociações “que durante meses foram encetadas com a administração através do Sindicato de Jornalistas para ajustes no salário, decorrentes da inflação”. Esta era uma “proposta para o grupo todo”, sendo que a TSF não rejeitou a proposta. Mas depois, “tendo em conta que as outras marcas do grupo rejeitaram, nunca mais tivemos nota nenhuma”, disse.
A terceira razão enunciada foi a saída de Domingos de Andrade, membro do conselho de administração do Global Media Group (dono do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF e O Jogo) e diretor da TSF, que saiu “do dia para a noite”, tendo a notícia da sua saída sido transmitida aos trabalhadores através de comunicado.
Entretanto, já houve uma abordagem por parte da empresa para uma reunião a ter lugar esta quinta-feira, adiantou Filipe Santa-Bárbara, mas “esta é uma questão de facto maior do que isso”.
Este protesto hoje é da TSF, mas na verdade é um protesto pelo jornalismo em Portugal. É mostrar que apesar dos sucessivos cortes no jornalismo no panorama mediático do país ao longo de todos estes anos, nunca nos juntámos para fazer uma greve, apesar de sermos cada vez menos a fazer jornalismo”, afirmou. Fonte: Sapo

escola sede: aconteceu ontem a receção aos docentes e não docentes

O quê: receção aos docentes e não docentes
Quem recebe: a Direção, na pessoa do Senhor Diretor
Quando: 20.09.2023, 18h30m, fim de um dia de trabalho
Onde: auditório da escola sede do agrupamento
Como: com palavras, sorrisos e convívio
Porquê: porque há a tradição de bem receber e o desejo de harmonia
Tempo: para encontros e reencontros
Palavra principal: ESCOLA
ESCOLA  é  não é apenas uma palavra de seis letras
Sejam muito bem-vindos a esta "escola de mãos"!
 


fotos de Cristina Matos, docente de Biologia

20/09/2023

cultura: Amadeo de Souza-Cardoso integra exposição sobre Orfismo no Guggenheim de Nova Iorque

O artista português Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) vai estar representado entre uma centena de obras de uma exposição dedicada ao Orfismo em Paris, que é inaugurada em novembro, no Museu Guggenheim, em Nova Iorque.

"Harmonia e Dissonância: Orfismo em Paris, 1910-1930" dá título à mostra dedicada à "vibrante arte abstrata do Orfismo", um movimento da pintura francesa que nasceu a partir do cubismo, e que se tornou transnacional, com impacto na dança, a música e na poesia, anunciou o museu, na programação para o próximo ano.

Organizada por Tracey Bashkoff, diretora de coleções e curadora, e por Vivien Greene, curadora de arte do século XIX e início do século XX, a exposição irá exibir obras selecionadas de artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Robert Delaunay, Sonia Delaunay, Marcel Duchamp, Mainie Jellett, Frantisek Kupka, Francis Picabia e dos sincronistas Stanton Macdonald-Wright e Morgan Russell.

Amadeo de Souza-Cardoso teve uma vida curta e intensa em Paris, onde fez contactos com os artistas modernistas, e regressou a Portugal no início da Primeira Guerra Mundial como um pintor reconhecido nos meios da vanguarda, tendo morrido com 30 anos, de gripe pneumónica.

Participou em exposições coletivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres, e chegou a exibir e a vender o seu trabalho nos Estados Unidos, sendo considerado, pelo crítico de arte norte-americano Robert Loescher, "um dos segredos mais bem guardados do início da arte moderna".

Em 2016, mais de 40 mil pessoas visitaram a exposição dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto (que depois seguiu para o Museu do Chiado, em Lisboa), e, no mesmo ano, no Grand Palais, em Paris, uma outra exposição reuniu cerca de 250 obras em pintura, desenho e gravura do artista.

Robert Delaunay e Sonia Delaunay - um casal de artistas que se destacou no impulsionamento do Orfismo - viveram cerca de um ano em Portugal durante o período da primeira Guerra Mundial, e travaram conhecimento com os artistas portugueses Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, de quem se tornaram amigos.

"O Orfismo surgiu no início da década de 1910, quando as inovações trazidas pela vida moderna estavam a alterar radicalmente as conceções de tempo e espaço. Os artistas ligados ao Orfismo envolveram-se com ideias de simultaneidade em composições caleidoscópicas, investigando as possibilidades transformadoras da cor, da forma e do movimento", contextualizou o Guggenheim num texto sobre a mostra.

A palavra orfismo fazia referência a Orfeu, o poeta-cantor da mitologia grega, e refletia o desejo dos artistas envolvidos em acrescentar um novo elemento de lirismo e cor ao cubismo intelectual de criadores como Braque, Picasso e Gris. Fonte: Sapo

educação: concurso usa redes sociais para colocar os jovens a recordar 25 de abril

A iniciativa já vai na 4ª edição e procura “desenvolver o interesse pela pesquisa, reflexão e divulgação da história do 25 de abril e da história militar local”.

Um concurso promovido pela Comissão Portuguesa de História Militar (CPHM) e pela Associação de Professores de História (APH) encoraja os jovens dos 10 aos 19 anos a recordar como foi o 25 de abril de 1974 na sua terra, através das redes sociais Instagram, Tik Tok e Facebook.

Em parceria com a Comissão comemorativa dos 50 anos 25 de abril e com o do Plano Nacional de Leitura 2027, Associação dos Municípios Portugueses, Associação 25 de Abril e Liga dos Combatentes, o concurso encontra-se integrado nas comemorações dos 50 anos da revolução e conta já com a sua 4ª edição.

Intitulado de “História Militar e Juventude” tem como objetivo “desenvolver o interesse pela pesquisa, reflexão e divulgação da história do 25 de abril e da história militar local”, lê-se num comunicado da comissão comemorativa.

Os trabalhos a concurso devem retratar “o essencial do dia 25 de Abril de 1974, seja através da vivência da população, ou das ações desenvolvidas pelos protagonistas” e têm que ser entregues até 19 de maio de 2024.

Em 25 de Abril de 1974, um movimento de jovens oficiais derrubou a ditadura mais longa na Europa, 48 anos, num golpe que abriu caminho à descolonização portuguesa em África e à instauração da democracia.

O concurso procura que os trabalhos sejam realizados, individualmente, em pares ou até em turma, seja em formato escrito ou audiovisual. Devem ser originais e em formato de reportagens, recriações ou mesmo “criar narrativas dramatizadas” de acontecimentos associados à Revolução dos Cravos, entrevistas ou testemunhos.

A 4ª edição do concurso conta com a novidade da integração das redes sociais. Os alunos terão de fazer uma publicação nas redes sociais Instagram, Tik Tok e Facebook com um resumo do trabalho.

João Vieira Borges, presidente da CPHM, citado num comunicado da comissão comemorativa vê que este concurso é “uma maneira singular de compreender a importância dos militares e da instrução militar na construção de um Portugal independente, soberano, democrático e garante os direitos fundamentais de cidadãos livres e orgulhosos na sua história”.

Para o presidente da direção da APH, Miguel Monteiro de Barros, “saber o que custou estabelecer a democracia é fundamental para que as novas gerações a questionem, melhorem e mantenham”, lê-se no mesmo comunicado.

Já para Maria Inácia Rezola, comissária executiva da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, conhecer a “história recente é essencial para que possamos tornar-nos uma sociedade mais participativa, e para que possamos refletir sobre os próximos 50 anos de democracia.”

Apesar de os 50 anos do 25 de Abril se assinalarem em 2024, as comemorações já decorrem desde 2022 e vão prolongar-se até 2026.

Em 2026 assinalam-se os 50 anos da aprovação da Constituição, da formação do I Governo Constitucional, na sequência das eleições legislativas, a eleição do Presidente da República, a realização de eleições regionais nos Açores e na Madeira e das eleições autárquicas. Fonte: Sapo

educação: suspenso alargamento de manuais digitais a todos os alunos do 3.º ciclo

Está para já suspenso o alargamento dos manuais escolares digitais a todos os alunos do primeiro ao terceiro ciclo. O ministro da Educação diz que tem de ser uma decisão ponderada, até porque países como a Suécia e a Noruega, que adotaram os manuais digitais há vários anos, estão agora a questionar a eficácia da ferramenta.

Apesar disso, este ano letivo, mais de 20 mil alunos do 3.º ao 12.º ano vão estudar com manuais digitais.

É a quarta fase do projeto-piloto lançado pelo Governo para substituir gradualmente os livros em papel. @ RTP Notícias

Ouça a notícia em:https://www.rtp.pt/noticias/pais/suspenso-alargamento-de-manuais-digitais-a-todos-os-alunos-do-3o-ciclo_v1514617

educação: professores e alunos querem recuo nos manuais digitais

Com vários países a voltarem atrás na digitalização das aulas, em Portugal docentes e estudantes defendem manuais digitais apenas como complemento à aprendizagem. A favor do progresso, mas "contra o retrocesso intelectual" provocado pelo uso excessivo de tecnologia.


Suécia, Dinamarca, Reino Unido e Noruega são alguns dos países que, após defenderem uma maior presença dos manuais digitais em sala de aula, decidiram dar um passo atrás. Por cá, este ano letivo, mais de 20 mil alunos, do 3º ao 12º ano, de 160 escolas vão estudar com manuais digitais. Trata-se da quarta fase do Projeto-piloto lançado pelo Governo para substituir gradualmente os livros em papel. Números que quase duplicam os alunos abrangidos, face ao ano passado. No ano letivo 2022/2023, o estudo com manuais digitais chegou a 11.437 alunos de 575 turmas, de 68 agrupamentos escolares e escolas não agrupadas. O ministro da Educação, João Costa, tem-se manifestado como um defensor do livro em papel, mas ainda sem anunciar medidas de travão em relação ao plano traçado para a substituição dos livros em papel, até 2026. Recorde-se que, também no ano escolar anterior, mais de 250 mil alunos do 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade realizaram, pela primeira vez, as provas de aferição em formato digital. Uma decisão contestada por pais, professores e diretores escolares.
Alberto Veronesi, consultor pedagógico e professor de 1º ciclo, critica o aumento do digital nas escolas e acusa João Costa de revelar "uma enorme inaptidão para ocupar a pasta da Educação", desfasada das reais necessidades dos alunos. "A pasta que devia ser ocupada por alguém com competência, tem, com António Costa, sido entregue a ineptos. Foi assim com Tiago Brandão Rodrigues e é assim também com João Costa. Por esse motivo temos sido presenteados com revelações que são pouco realistas, desfasadas da realidade e pouco ou nada sustentadas em estudos académicos", acusa.
O docente estranha a aposta nos manuais digitais por parte do ministro, pois "sendo também ele um académico, devia valorizar mais a ciência". "Este caso dos manuais escolares é um bom exemplo disso. A ciência mostra-nos mais desvantagens do que vantagens e, por esse motivo, estou absolutamente contra a massificação dos manuais digitais. O desfasamento de que falei há pouco é o de ignorar a precariedade da maioria das ligações de internet existentes nas escolas que permitam que 20 turmas e 600 dispositivos estejam ligados ao mesmo tempo à internet. Só na realidade paralela de João Costa é que isso seria possível", explica.
O consultor pedagógico sustenta a argumentação em vários estudos publicados nos últimos anos, como o da "Universidade de Calgary (2019), onde se concluiu que o uso excessivo de ecrã nas crianças pequenas estava associado a um menor desenvolvimento da linguagem expressiva" ou outro, da Universidade de Toronto (2018) , "que sugeriu que o uso excessivo de dispositivos eletrónicos em crianças em idade pré-escolar estava associado a atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem".
Alberto Veronesi alerta para essas conclusões, com principais incidências negativas nos mais pequenos, para os quais o "uso excessivo de dispositivos digitais pode interferir no desenvolvimento cerebral normal, especialmente nas áreas relacionadas à atenção, memória e controlo impulsivo, assim como nas habilidades de comunicação das crianças". E as desvantagens, diz, não se ficam por aqui. Há, segundo o professor do 1º ciclo, um prejuízo "na concentração da atenção, pois os estímulos digitais intensos e imediatos acabam por prejudicar a capacidade de as crianças se envolverem em atividades que exijam uma maior atenção sustentada". "Até pode interferir na qualidade e na quantidade de sono das crianças. E como é do conhecimento comum, a privação do sono está associada a uma série de problemas de saúde física e mental, incluindo dificuldades de aprendizagem e falta de concentração", continua. Alberto Veronesi alerta ainda para uma das maiores preocupações enquanto professor dos mais pequenos: "a degradação das habilidades sociais e emocionais".
Apesar da sua posição crítica, o consultor pedagógico não deixa de encontrar algumas vantagens do digital, "numa era em que o conhecimento e o domínio das tecnologias são essenciais e a capacitação digital da população é importante".
Suécia regressa aos manuais em papel
A ministra da Educação sueca, Lotta Edholm, que assumiu o cargo há menos de um ano, foi uma das maiores críticas à adoção generalizada da tecnologia nas escolas e revelou a intenção de reverter a decisão da Agência Nacional de Educação de tornar obrigatórios os dispositivos digitais nos jardins-de-infância, acrescentando que pretendia acabar com a aprendizagem digital para as crianças com menos de 6 anos. A decisão sueca reabriu o debate na comunidade escolar portuguesa, onde, nos últimos dias, muitas vozes se têm manifestado contra a excessiva digitalização do ensino. "Acho que nós, os professores, temos de ter uma palavra a dizer sobre este assunto. Devemos ser capazes de resistir a este deslumbramento. Com tantos estudos a sustentar o recuo, assim como países que estão a recuar como a Suécia, não vejo razão para Portugal dar o passo em frente. E ser contra esta e outras medidas não é ser contra o progresso. É ser contra o retrocesso intelectual", afirma Alberto Veronesi.
Sandra Paulo, professora de Matemática do Ensino Secundário, assume não gostar de manuais digitais, "se estivermos a pensar nele como instrumento único de trabalho para o aluno/professor". Para a docente, os manuais digitais fazem sentido "em complemento ao manual em papel". "Gosto de papel, de rabiscar, sublinhar, de manusear, de folhear, é palpável e acessível. Com os manuais digitais em exclusivo, e em tenra idade, os miúdos perdem a motricidade fina, criam uma dependência agravada da tecnologia, agravam-se problemas de saúde causados pelo número de horas passados em frente a um ecrã e ficamos dependentes de recursos tecnológicos para aceder aos mesmos", justifica.
A professora relembra ainda a dificuldade acrescida na disciplina que leciona, "na resolução de problemas e exercícios, se o aluno tiver que consultar mais do que um manual em simultâneo, por exemplo". Reconhece, contudo, algumas vantagens, "como o acesso a conteúdos que os manuais físicos não permitem (vídeos, áudios, quizz, ...) e a poupança ecológica que permitem (mas cuja saúde humana também comprometem)". "Em suma, podemos e devemos aproveitar as tecnologias, sem nunca deixar de ser críticos em relação ao custo/benefício e não fazer delas o centro do processo de ensino e aprendizagem. Não nos podemos esquecer, enquanto educadores, que o recurso aos meios digitais ainda não é uma realidade acessível a todos os alunos e que potenciam um agravamento de desigualdades e oportunidades", alerta.
"Escolas precisam de estar devidamente equipadas"
Paulo Guinote, professor de História de 2º ciclo, não se manifesta totalmente contra os manuais digitais, mas sustenta que não podem ser tomadas decisões vinculativas, "enquanto escolas, alunos e professores não estiverem devidamente equipados para a utilização de manuais digitais". Segundo o docente, enquanto todas as escolas não estiverem devidamente equipadas, a introdução da substituição dos livros em papel pelos digitais será "prematura". E a acontecer como está previsto, diz, "essa introdução deverá ser sempre em modo voluntário e não obrigatório, conforme os contextos, práticas e projetos educativos das escolas e mesmo das turmas, evitando-se o efeito moda e a tentação de uma nova e muito rentável área de negócio, que não devem ser prioridades quando se trata de escolher o melhor para o trabalho com os alunos".
Referindo-se ao caso sueco, Paulo Guinote explica tratar-se de "uma sociedade que avança em alguns aspetos muito rapidamente, mas faz uma devida avaliação das políticas e inflete-as quando necessário" o que, sublinha, não acontece em Portugal, onde "é a alternância entre grupos instalados no poder que muda as políticas de acordo com os seus interesses, e não uma avaliação ponderada da realidade". Pede, por isso, ponderação nas decisões do ME e defende que se combinem "as ferramentas que vão surgindo com as existentes, não apostando tudo apenas num só suporte".
"Mais horas do dia a olhar para um ecrã não me agrada"
Ari Ferreira é aluno de 11º ano, no Agrupamento de Escolas do Cerco, no Porto, e leva o computador para a escola, pelo menos uma vez por semana. Utiliza-o para aceder à internet, fazer pesquisas e trabalhos e como apoio para a organização da sua agenda académica. Faz ainda uso dos "recursos disponibilizados em formato digital, como vídeos, powerpoints, jogos, entre outros, embora esses mesmos recursos "sejam disponibilizados de graça no EV Smart Book há algum tempo". Já no que se refere aos manuais digitais, o jovem aponta como vantagem principal "levar menos livros na mochila", evitando o "sobrepeso".
Questionado sobre a vontade do Governo em substituir os livros em papel, é perentório em afirmar-se contra. "Entendo que seria bom para diminuir o gasto de papel, mas o facto de termos mais horas do dia a olhar para um ecrã não me agrada nada. A sala de aula, o professor, os colegas e os materiais são quase um refúgio da frenética e doentia tela dos telemóveis que não só nos minam o sono como nos deixam ansiosos por mais entretenimento rápido", explica. Ari Ferreira sente os livros como " um refúgio, onde sentimos o cheiro e temos o toque físico do manual e do caderno". Uma forma de, conta, "sair dessa repetida rotina de escrever num teclado e de praticar a escrita à mão, saindo daquele buraco negro de informações do feed". Ari Ferreira salienta ainda querer manter alguma distância da tecnologia em sala de aula e da "tentação de abrir uma aba ao lado para ir ao Instagram". E afirma: "Se pudesse escolher, continuaria com os livros em formato impresso".
Diretores querem debate alargado
Filinto Lima, presidente da direção da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), pede um "debate alargado em torno desta temática", de modo a perceber se o caminho a seguir é, ou não, o do fim dos livros em papel. "Todos devem ser convocados e as opiniões devem ser valorizadas", acrescenta. O diretor da ANDAEP acredita ser importante não impor, numa primeira fase, a generalização dos manuais escolares digitais, mas aponta muitas vantagens na sua utilização. Segundo o responsável, "promovem a maior motivação para a aprendizagem dos alunos, pois usam um instrumento que dominam e gostam; diminuem o peso das mochilas e contribuem para um ambiente cada vez mais ecológico e saudável. A maior desvantagem, diz, é o aumento do número de horas em frente a um écran, tendo em conta que os alunos já passam muitas horas diante de um telemóvel ou da televisão".
Filinto Lima considera relevante olhar para aquilo que se passa nos países "com mais experiência do que o nosso e que já estão neste processo há anos", mas trilhando o próprio caminho. "Portugal deverá seguir o seu caminho, promovendo debates relativamente ao tema. Não devemos ser fundamentalistas nas ações a empreender, antes devemos dar passos firmes e seguros, acompanhando o evoluir da sociedade", conclui. @ DN