Número total de visualizações de páginas

22/05/2020

22 de maio: dia da biodiversidade

 Os meninos do 5º A e do 5º B não quiseram deixar de assinalar este dia e aqui estão os cartazes por eles criados.
Vamos lá fazer deste mundo um mundo melhor!
cortesia de Paula Viterbo

21/05/2020

avaliações de alunos vão ser auditadas para travar inflação de notas

Numa entrevista à Rádio Renascença, o Ministro da Educação concedeu alguns esclarecimentos que o PÚBLICO noticia e que o CRESCER  aqui reproduz.
A ordem é para reforçar ações que visam detetar inflação artificial de notas. O ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues garante que haverá processos disciplinares sempre que se justifique. Em breve seguem instruções para as escolas a explicar como funcionarão os exames, com perguntas opcionais para garantir que alunos podem não ser avaliados a matérias menos consolidadas.
Andreia Sanches e Eunice Lourenço (Renascença)
Resultados finais
As notas do 1.º e do 2.º período serão analisadas para ver como comparam com os resultados finais. Haverá auditorias aos critérios de avaliação. A Inspecção-Geral da Educação terá de mobilizar mais inspectores para esta tarefa. É que nesta altura o problema da inflação artificial de notas que já existia em algumas escolas pode ter consequências ainda mais graves na equidade do concurso de acesso ao superior. Tiago Brandão Rodrigues não tem dúvidas: “Seria muito danoso para o sistema se oportunisticamente alguém pudesse tirar partido das circunstâncias” excepcionais que vivemos em tempos de pandemia.
Quando o primeiro-ministro anunciou a 9 de Abril que os alunos até ao 10.º ano não voltavam a ter aulas, a sensação que passou foi que era uma decisão sobretudo para dar previsibilidade às famílias. Continua a achar que foi a melhor solução?
As semanas vão passando e parece que nos esquecemos em que momento é que tomámos aquelas decisões e com que informação. A 9 de Abril era Quinta-Feira Santa, recordam-se do que já estava em curso nessa quinta-feira, sexta, sábado, domingo de Páscoa? O confinamento [concelhio], o mais duro que tivemos neste período de pandemia. A sociedade no seu todo estava tolhida na sua acção. Esse movimento foi importante para podermos lutar contra o novo coronavírus, mas havia que dar alguma previsibilidade às famílias, foi a melhor solução.
Estamos agora na 2.ª fase do plano de desconfinamento, com os alunos do 11.º e 12.º anos a voltar esta semana às aulas presenciais. Muitos manifestam receio de voltar. Quantos não voltaram?
O receio é natural. Muitos desses alunos foram às escolas na segunda-feira. Não temos o registo pormenorizado de cada uma das escolas mas confiamos nos directores escolares que, de forma conservadora, disseram que mais de 80% dos alunos tinha ido às escolas [na segunda-feira]. 
Todos os alunos que fazem parte de grupos de risco vão ter ensino à distância. Outra coisa é todos aqueles que pelo seu livre arbítrio optem por não ir à escola. Não estamos a dizer às escolas que não o façam. Estamos a dizer às escolas que não estão obrigadas a fazê-lo. E devem perceber o que isso significaria: significaria multiplicar por dois a resposta educativa, porque em cada turma, bastava haver um aluno que ficasse em casa para, automaticamente, ter de se duplicar a oferta formativa — aulas presenciais para aqueles que iriam e aulas não presenciais [para os que não iam] e todo o leque de disciplinas para todos os outros. Não era comportável em termos de trabalho, já não falo em termos financeiros. Mas tenho falado com muitos directores de escolas e a grande maioria está a oferecer aos alunos um conjunto de materiais. Os professores estão a ser muito solidários. 
Quantos professores de grupos de risco existem e apresentaram atestado para poder ficar em casa?
Não sabemos aprioristicamente. É um processo que ocorre em cada escola e mais tarde podemos ter a compilação mais refinada.
Quantos pedidos de substituição de professores têm?
Os directores, tendo professores de risco, têm justa causa para os substituir. Estes professores não estão de baixa e a opção da maior parte das escolas foi que eles continuam a trabalhar com a sua turma [à distância] e há outro professor do corpo docente da escola que está a trabalhar presencialmente com a turma. 
O que posso dizer é que quando comparamos a reserva de recrutamento 30 e a reserva de recrutamento 31 [pedidos de contratação para substituir professores desde 15 de Maio], com o período homólogo do ano passado — quando não havia covid-19 — não há um aumento do número de pedidos de substituição relativos a condições de saúde. E isto diz-nos claramente que as escolas não utilizaram massivamente esta ferramenta. [No ano passado no período homólogo as escolas solicitaram mais de 800 professores, este ano cerca de 250, segundo informação actualizada pelo ME nesta quarta-feira; nestes números, informa, estão contemplados quer pedidos de substituição de professores que adoeceram com alguma doença que não covid, quer professores que fazem parte de grupos de risco de covid].
As escolas garantiram a substituição com os professores que havia na escola, porque existem professores na escola com horário incompleto, e utilizaram as horas restantes desses professores; ou usaram o crédito horário que existe para várias funções que estão interrompidas durante este processo (o número de horas de abertura da biblioteca não é tão alargado, por exemplo)...
Está preparado para voltar a fechar escolas? Qual o plano de contingência que está pensado caso surjam infecções numa escola? Em França, por exemplo, na primeira semana foram encerradas 70 escolas que tinham reaberto.
O que estamos a tentar é que em cada escola sejam definidas bolhas, com um determinado número de alunos ficando bem definido que interacções existem nessas bolhas.
Havendo um caso pode não ser necessário fechar a escola mas só aquela área, é isso?
Acima de tudo teremos a possibilidade de entender o que acontece em determinada área e depois teremos de trabalhar com aqueles alunos. Num prédio com 20 andares se numa determinada família aparece um caso positivo, testamos os elementos da família, não testamos toda a gente do prédio de 20 andares ou o bairro.
Também sabemos que existem equipas do INEM preparadas e as escolas continuam a ter o seu plano de contingência e todos os protocolos das autoridades de saúde, que têm vindo a melhorar ao longo do tempo.
Os exames do secundário vão ter alterações?
Sairão para as escolas essas regras: estando os exames já preparados [antes da pandemia], os alunos vão ter a possibilidade de escolher de entre um conjunto de itens que vão ser avaliados, para não corrermos o risco de que possam ver uma parte da matéria não leccionada ou leccionada com menos qualidade... Imaginemos que de dez itens, oito serão contabilizados e isso permitirá aos alunos ter uma adequação. São medidas excepcionais para tempos excepcionais. Mas há questões que não podem ser opcionais. Levando isto ao ridículo, um aluno de português não pode optar por não escrever ou não compor. 
O facto de as notas finais das disciplinas do secundário este ano só reflectirem a nota interna, dada pelos professores, não vai agravar a desigualdade que existe entre alunos que frequentam escolas que tradicionalmente inflacionam notas (para facilitar o acesso ao superior dos seus estudantes) e os que frequentam escolas que não têm essas práticas de inflação?
Temos de trabalhar para que não aconteça. Nestes quatro anos houve um trabalho sistemático de análise dos desalinhamentos daquilo que habitualmente se chama inflação de notas, como estava a dizer, ou seja, práticas sistemáticas, em algumas escolas, em que as classificações internas eram maximizadas artificialmente (e isso depois é possível ver comparando com as classificações dos alunos nos exames nacionais). Já temos um conjunto de disciplinas, tradicionalmente, fora deste contexto de pandemia, onde as classificações das disciplinas não podem ser comparadas [com o exame nacional] porque não têm exame. A Inspecção-Geral de Educação e Ciência [IGEC], fez também um trabalho de análise, de conjuntos de escolas que estavam a maximizar massivamente essas notas. Actuou e foi conhecido o trabalho.
Não foram conhecidos os resultados dos processos disciplinares instaurados.
Nuns casos foram. Noutros, os prazos têm estado a correr, as pessoas têm o direito de se defenderem. Se se recordam, os decretos-lei [do estado de emergência] suspenderam os tempos de tramitação dos processos. No final da emergência e da calamidade tudo voltará ao seu tempo.
Mas o importante é isto: não podemos colocar em causa a credibilidade da avaliação. Já dei instruções claras à IGEC para alargar a sua acção, mobilizando mais inspectores e abrangendo mais escolas neste trabalho sistemático — para que também nas disciplinas que não são sujeitas a avaliação externa haver este trabalho. Por um lado, haverá auditorias aos critérios de avaliação interna de cada uma das escolas (a avaliação que é dada pelos professores), incluindo nos casos do ensino à distância. Por outro, registos claros de avaliação dos 1.º e 2.º períodos de cada um dos alunos para entendermos exactamente [o que se passa]. Esta análise vai levar necessariamente a acções disciplinares ou a recomendações, se for necessário. O mais importante, é que tudo isto tenha um efeito regulador, também de reflexão para o sistema, mas acima tudo que seja dissuasor. Serviu no passado com a nossa acção e tem de servir agora porque estas classificações finais vão ser analisadas pela IGEC, também para servir de estimulo à existência de critérios consistentes.
É muito importante que se faça este acompanhamento no ensino secundário. Seria muito danoso para o sistema se oportunisticamente alguém utilizasse as condições excepcionais, pela excepcionalidade da pandemia, para que isso pudesse ser usado em detrimento... a equidade é difícil em todos os momentos no sistema educativo, pelas razões que sabemos, porque a condição de partida de cada um de nós é diferente. Tentamos na escola, com o ensino presencial, mitigar essa falta de equidade. À distância estamos a agudizar essas diferenças, pela existência de contextos económicos, sociais, culturais diferentes. Mas também sabemos que nestas alturas há ainda mais dificuldade. Seria muito danoso que alguém pudesse tirar partido destas circunstâncias e vamos agir. @ PÚBLICO

20/05/2020

há células que nos protegem?

Helena Pinheiro
Há células nos tecidos do nosso corpo que funcionam como autênticas vigilantes. Estão nos tecidos dos intestinos, dos pulmões ou da pele e protegem-nos contra microorganismos invasores. Mas como são produzidas? Um estudo liderado por cientistas portugueses mostra que há células reguladoras que estimulam o desenvolvimento dessas outras células vigilantes nesses tecidos em ratinhos. Publicado esta segunda-feira na revista científica Nature Immunology, este é um conhecimento importante a nível das vacinas e da imunoterapia.
As tais células vigilantes chamam-se, na verdade, “linfócitos T de memória residentes nos tecidos” e são um grupo especializado de linfócitos T. Essas células são cruciais para atacar directamente microorganismos invasores e estão presentes nos tecidos da pele, dos pulmões e dos intestinos.
Estes linfócitos T residentes nos tecidos desenvolvem-se após uma infecção inicial e fornecem protecção contra futuras infecções, como parte da memória imunitária”, define Cristina Ferreira, investigadora no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM) – em Lisboa – e primeira autora do artigo num comunicado sobre o trabalho. Além de cientistas do IMM, em Portugal participaram investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (em Oeiras). O trabalho também envolveu cientistas de instituições de França e da Alemanha.
Marc Veldhoen lembra que este estudo foi iniciado para se tentar perceber melhor como estas células se desenvolvem. “Elas fazem parte de uma primeira linha de defesa e respondem rapidamente para nos proteger contra infecções em locais que são pontos de entrada para os agentes patogénicos”, acrescenta o investigador principal do IMM e líder do estudo.
Inesperadamente, entraram nesta história outras células, os linfócitos T reguladores, e percebeu-se que tinham um papel muito importante: os linfócitos T reguladores são necessários para o desenvolvimento eficaz dos linfócitos T residentes. Marc Veldhoen destaca que isto “é surpreendente” porque os linfócitos T reguladores têm a capacidade de reduzir as respostas imunitárias e, desta forma, evitar que o sistema imunitário danifique os nossos tecidos e nos prejudique.
Mas como se observou essa relação entre as diferentes células? Ao se utilizarem ratinhos sem linfócitos T reguladores, viu-se que o número de linfócitos T residentes nos tecidos dos seus intestinos era muito menor. No comunicado, Cristina Ferreira explica que se verificou que os linfócitos T são recrutados para irem para o local de infecção. Depois, quando lá estão, “promovem a disponibilidade” da molécula TGF-beta. “De acordo com os nossos resultados, esta molécula é crucial para produzir os linfócitos T residentes nos tecidos”, nota a investigadora.
Marc Veldhoen faz mesmo uma comparação: é como se o “sistema de vigilância” no intestino fosse desligado, porque o menor número de linfócitos T residentes nos tecidos levou a uma menor proteApesar de o estudo ter sido feito em ratinhos, os linfócitos T residentes também estão presentes nos humanos. “Pensamos que os nossos resultados se aplicarão também à imunologia humana”, realça Marc Veldhoen. O cientista avisa ainda que, se o trabalho nos ratinhos evoluir bem, a sua equipa irá investigar se os linfócitos T residentes são produzidas de forma semelhante nos humanos.

Das vacinas à imunoterapia

Este trabalho traz-nos informações importantes sobre como os linfócitos T residentes se desenvolvem. Para Marc Veldhoen, isto será um contributo para as vacinações e pode ser importante para a imunoterapia antitumoral.
E porquê? O investigador indica que seria bom que os linfócitos T residentes fossem produzidos depois da vacinação e na resposta contra o cancro. “O nosso trabalho mostra que o envolvimento de um subconjunto de linfócitos T reguladores será benéfico para um bom desenvolvimento dos linfócitos T residentes – algo que é desejável após a vacinação.
Este estudo pode ainda fornecer mais conhecimento sobre como os linfócitos T residentes são produzidos em doenças crónicas ou durante respostas imunitárias indesejadas, como as que são observadas na doença celíaca.
Marc Veldhoen diz que já se dedica há algum tempo aos linfócitos T residentes e que vai continuar interessando em perceber o papel dessas células em diferentes tipos de infecções. “Isto poderá ser importante para se conceberem vacinas contra os diferentes tipos de infecções, por exemplo de bactérias e vírus”, assinala. Também se pretende usar o conhecimento destes estudos para se aproveitar estas células na imunoterapia. @ PÚBLICO

19/05/2020

o desconfinamento e o que poderemos esperar para o futuro

No dia em que os alunos do 11.º e 12.º anos regressaram às salas de aula, o ministro da Educação comentou em entrevista à RTP3 este desconfinamento e o que poderemos esperar para o futuro.


O ministro da Educação revelou esta segunda-feira à noite, em entrevista ao programa 360º da RTP3, que o Governo espera que o próximo ano lectivo comece ainda em Setembro, embora admite que vão ser necessários alguns ajustes. “Existe um calendário que necessariamente terá de ser ajustado, porque nós tivemos que ajustar a primeira e segunda fase de exames deste ano”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues, salientando, porém, que o próximo ano lectivo “começará ainda em Setembro”. “É isso que desejamos”, disse.
O governante destacou que são as autoridades de saúde que dão “as orientações relativamente a todas as decisões” que o Ministério da Educação toma e que, caso o próximo ano lectivo comece efectivamente em Setembro, “teremos que ter adaptabilidade ao próximo calendário e, de certa forma, a todos os momentos que são naturais num ano escolar e irmo-nos adaptando àquilo que será eventualmente a existência de um nova onda do surto epidemiológico”.
Quanto à possibilidade de haver uma segunda vaga do surto causado pelo novo coronavírus, Tiago Brandão Rodrigues não revelou ter dúvidas: “Ela existirá certamente. Agora aquilo que temos de entender é que dimensão terá”, notou o ministro, que é licenciado em bioquímica.

Alunos mais velhos “têm outra maturidade"
A entrevista começou com o ministro da Educação a admitir que “é importante aprender, da mesma forma que as comunidades educativas, coadjuvadas pelo Ministério da Educação, têm tentado fazer”. “Temos tentado, entre todos, ser humildes, cautelosos e providentes e acho que é o que continuaremos a fazer. Hoje entendemos que, como sociedade portuguesa, podemos ter um enorme orgulho dos nossos professores, que uma vez mais deram um passo que era necessário dar e das famílias que confiaram nas escolas”.
Tiago Brandão Rodrigues salientou também que o regresso dos “alunos mais velhos” às escolas aconteceu “com segurança e confiança”, admitindo que os jovens “têm outra maturidade”. “Por muito que sejam irreverentes, eles entendem a extensão e as consequências dos seus actos e, por isso, é mais fácil eles entenderem as regras”, afirmou. @ PÚBLICO

18/05/2020

um invulgar regresso à escola

É a segunda fase do plano de desconfinamento e o regresso à escola para alguns é uma experiência que faz parte desse plano. 


O primeiro ministro António Costa afirmou que para bem se lecionar e para bem se aprender, é essencial que todos se sintam confortáveis. E todos só podem estar confortáveis se todos estiverem seguros. Só assim há confiança", sustentou António Costa.

Depois, deixou uma mensagem aos professores, aos assistentes operacionais e às famílias dos alunos que vão retomar as aulas presenciais: "Desejamos que, a partir de segunda-feira, entrem nas escolas com confiança para se retomar o processo de aprendizagem, que nunca foi interrompido, mas que tem sido mantido à distância e que agora deve continuar de forma presencial", declarou. C/Lusa

Assim, a partir de hoje, o regresso às aulas acontece neste registo bem distinto daquele a que todos se habituaram:

Apenas os 11.º e 12.º anos e algumas disciplinas do profissional regressam às aulas presenciais entre as 10h e as 17h.
Máscaras passam a ser obrigatórias na escola e nos transportes públicos para crianças a partir dos 10 anos.
Foram distribuídos 4,2 milhões de máscaras nas escolas, bem como 17 mil litros de desinfetante, 620 mil pares de luvas, 966 mil aventais e 22 500 viseiras.
As aulas presenciais, nas disciplinas em que se realizam exames, devem ser concentradas em blocos para evitar que os estudantes se desloquem muitos dias às escolas. Há circuitos específicos para cada grupo de alunos e os horários de saída e entrada serão desencontrados.
Em cada secretária só pode estar sentado um estudante e todos na mesma direção. Se o espaço não for suficiente para a turma inteira, as aulas terão de ser desdobradas. No caso dos professores em grupos de risco, a aula será dada à distância, mas na sala estará um professor coadjuvante.
Os intervalos entre as aulas terão a menor duração possível e os alunos devem permanecer dentro da sala. Os períodos de almoço serão desencontrados e qualquer utente tem de higienizar as mãos para entrar no refeitório. A distribuição dos alimentos terá cuidados excecionais. @ JN

15/05/2020

como usar corretamente a máscara e desinfetar a roupa e a casa? DGS esclarece em manual

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou esta quinta-feira o primeiro volume do manual com medidas gerais de prevenção e controlo da Covid-19. Desde o uso correto de máscara, à higienização pessoal e desinfeção doméstica, a Direção-Geral da Saúde (DGS) estabeleceu um conjunto de recomendações que esclarecem muitas dúvidas.
Fabrizio Bensch - Reuters
Tendo em conta estas características do novo coronavírus, é essencial que sejam adotados certos cuidados para evitar a sua propagação. A DGS destaca, assim, o cumprimento do distanciamento social, a utilização de equipamentos de proteção, higienização pessoal e ambiental e a automonitorização de sintomas.
Medidas de distanciamento
Em primeiro lugar no manual da DGS estão as medidas de distanciamento, “das mais efetivas na redução da transmissão da Covid-19”.
O que devem fazer as pessoas?
- Manter uma distância de pelo menos 1,5-2 metros das outras pessoas;
- Evitar o contacto com pessoas que apresentem sintomas sugestivos de COVID-19, como febre, tosse ou dificuldade respiratória;
- Sempre que possível, trabalhar a partir de casa (teletrabalho);
- Utilizar, de preferência, serviços telefónicos ou eletrónicos, para entrar em contacto com outros serviços, como supermercados ou farmácia;

      - Em caso de necessidade de cuidados médicos, utilizar serviços telefónicos ou eletrónicos para contactar previamente os serviços de saúde.

        O que não devem fazer?

          - Partilhar artigos pessoais;

              - Frequentar lugares movimentados com aglomerados de pessoas;

                  - Ter contactos desnecessários (como por exemplo, convívios dentro ou fora de casa);

                      - Promover ou participar em eventos que reúnam muitas pessoas, sobretudo em espaços fechados.

                      Quais os equipamentos de proteção a usar?

                      Para se defender da infeção por Covid-19, cada cidadão deve utilizar um equipamento de proteção individual (EPI) que servirá de barreira protetora. Estes equipamentos podem ser máscaras, respiradores, óculos, luvas, batas, entre outros. A sua utilização depende da atividade desempenhada e do risco de exposição.

                      Máscara

                      O uso de máscara foi decretado obrigatório nos espaços e estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, serviços e edifícios de atendimento ao público, estabelecimentos de ensino e creches e nos transportes públicos. Esta obrigatoriedade é dispensada quando, em função da natureza das atividades, o seu uso seja impraticável.

                      No entanto, o guia da DGS relembra que a sua utilização não garante, por si só, proteção, devendo ser combinada com outras medidas e alerta para a sua correta colocação, de forma a evitar a tendência de tocar na cara.

                      Existem três tipos de máscara: o respirador, a máscara cirúrgica e a máscara não-cirúrgica, comunitária ou de uso social.

                      Como utilizar uma máscara?

                      O manual da DGS expõe ainda uma lista de todos os passos e cuidados a ter sempre que seja utilizada uma máscara:

                        1. Higienizar as mãos com água e sabão ou com uma solução à base de álcool antes de colocar a máscara;

                          2. Verificar qual o lado a colocar voltado para a cara (nas máscaras cirúrgicas deve ser colocado o lado branco (face interna) virado para a casa, e o lado com outra cor (face externa) virado para fora);

                            3. Prender à cabeça com os atilhos, dando um laço em cada um, ou com os elásticos, sem os cruzar;

                              4. Ajustar a banda flexível na cana do nariz, garantindo que a boca, nariz e queixo estão cobertos;

                                5. Certificar que a máscara está bem ajustada à face;

                                  6. Evitar tocar na máscara enquanto estiver colocada. Se tocar, higienizar as mãos de seguida;

                                    7. Evitar retirar a máscara para falar, tossir ou espirrar;

                                      8. Substituir a máscara por uma nova, se esta estiver húmida, higienizando as mãos entre as duas tarefas. Idealmente a máscara não deve ser usada durante mais de quatro horas seguidas;

                                        9. Retirar a máscara, segurando nos atilhos ou elásticos, a partir da parte de trás (sem tocar na frente da máscara);

                                          10. Descartá-la de imediato num caixote do lixo;

                                            11. Higienizar as mãos após retirar a máscara.

                                              Luvas

                                              As luvas são outro dos equipamentos de proteção individual que podem ser utilizados, apesar de o uso de luvas na comunidade não estar recomendado. Tal como sublinha a DGS, a sua utilização incorreta pode aumentar o risco de transmissão da Covid-19. Ao tocar com as luvas em superfícies e objetos, por exemplo, pode promover a disseminação do vírus e, ao serem utilizadas por longos períodos, as pessoas podem esquecer-se e tocar com as luvas na cara.

                                              A utilização de luvas pode ser recomendada, por exemplo, na manipulação de alimentos, lavagem de roupa ou desinfeção de superfícies contaminadas.

                                              Como utilizar luvas?

                                              Tal como para as máscaras, a DGS indicou a forma como as luvas devem ser colocadas e removidas:

                                                1. Higienizar as mãos;

                                                  2. Retirar a primeira luva da caixa original pela região do pulso, evitando tocar noutras partes;

                                                    3. Colocar a primeira luva ajustada à mão, puxando pela região do pulso;

                                                      4. Retirar a segunda luva, segurando-a pela região do pulso;

                                                        5. Colocar a segunda luva agarrando-a pela parte externa da região do pulso, de forma a evitar tocar no braço;

                                                          6. Depois de colocadas, evitar tocar em superfícies desnecessariamente. Devem ser descartadas após o desempenho de cada tarefa.

                                                          Medidas de higiene pessoal

                                                          Higiene das mãos

                                                          Uma das medidas mais importantes é a higienização das mãos, uma vez que estas podem ser um fácil veículo para a transmissão da infeção ao contactarem com superfícies ou objetos contaminados e, de seguida, com as mucosas dos olhos, boca e nariz que permitem a entrada do vírus no organismo.

                                                          Desta forma, as mãos devem ser lavadas frequentemente ao longo do dia durante pelo menos 20 segundos, esfregando sequencialmente as palmas, dorso, cada um dos dedos e o pulso e secando-as bem no final. A lavagem deve ser feita preferencialmente com água e sabão e sem qualquer acessório, como anéis, pulseiras ou relógios. Caso não tenha acesso a água e sabão, as mãos devem ser desinfetadas com solução à base de álcool com 70 por cento de concentração (não deve usar, para tal, álcool a 96%).

                                                          Etiqueta respiratória

                                                          Cada vez que uma pessoa tussa ou espirre, deve cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel ou com o braço, evitando a projeção de gotículas. Não deve ser utilizada a mão.

                                                          Após a utilização do lenço descartável, este deve ser imediatamente depositado no lixo. De seguida, deve-se lavar as mãos ou o braço, caso este tenha sido utilizado. Nestes casos, a DGS aconselha a lavagem da camisola, sempre que possível.
                                                          Medidas de higiene ambiental
                                                          Para além da higienização pessoal, o manual da DGS alerta ainda para um reforço dos cuidados com a higiene ambiental. Devem ser limpos e desinfetados os locais ou materiais que possam estar contaminados com o vírus, evitando, assim, o risco de propagação.

                                                          Desinfeção doméstica

                                                          Para a desinfeção doméstica, a DGS aconselha a utilização de lixívia, eficaz a eliminar o SARS-CoV-2. No entanto, sublinha que a sua utilização deve ser cuidadosa, uma vez que em concentrações elevadas pode ser nociva para o utilizador, para além de poluir o meio ambiente.

                                                          Desta forma, o manual aconselha a que a lixívia seja diluída em água fria, uma vez que a água quente a torna ineficaz e aumenta a sua volatilidade, ou seja, facilita que passe da sua forma líquida a gasosa, promovendo a libertação de gases tóxicos.

                                                          Ao aplicar lixívia, ou outro produto semelhante, a DGS relembra que deve ser tido em conta o recomendado na ficha de dados de segurança do produto, nomeadamente abrir as janelas para arejar e renovar o ar, evitando inalar a lixívia e o contacto com os olhos e a pele, ajudando também a secar mais rapidamente as superfícies.

                                                          De acordo com o manual, a desinfeção com lixívia é especialmente importante em locais onde estiver presente uma pessoa infetada com Covid-19. No caso de desinfeção no domicílio onde exista um infetado, a DGS explica que deve ser diluída uma parte da lixívia (com uma concentração original de 5 por cento) em 99 partes iguais de água, ou seja, quatro colheres de chá de lixívia em um litro de água.

                                                          Todas as zonas de contacto frequente, como maçanetas e portas, corrimãos, interruptores de luz, comandos ou teclados devem ser limpas e descontaminadas. As áreas de confeção de alimentos e instalações sanitárias também devem ser desinfetadas com regularidade.

                                                          A limpeza, tal como esclarece o manual, deve ser realizada sempre no sentido de cima para baixo e das áreas mais limpas para as mais sujas. Deve-se começar por lavar com detergente de uso doméstico e de seguida aplicar lixívia diluída em água, deixando atuar dez minutos. No caso de uma habitação em que nenhum dos coabitantes está infetado, não é estritamente necessário utilizar lixívia.

                                                          “Quanto maior a frequência de manipulação, maior deve ser a frequência de descontaminação”, salienta a DGS.

                                                          E em relação à roupa?

                                                          Relativamente à roupa, a DGS refere que ainda não existe certeza sobre o tempo em que o novo coronavírus sobrevive nos diferentes materiais de roupa. Contudo, devem ser adotados certos cuidados para prevenir a possível transmissão através destes meios.Nestes casos, quando a roupa é colocada a lavar, deve-se evitar sacudir a roupa suja, ler com atenção as indicações na etiqueta e lavar preferencialmente na máquina, com a maior temperatura possível (pelo menos a 60ºC durante 30 minutos, ou entre 80-90ºC, durante dez minutos para descontaminar através da temperatura). Caso não seja possível lavar a altas temperaturas, deve ser usado um produto desinfetante próprio para roupas (como por exemplo, lixívia).

                                                          No caso de ser utilizada uma lavandaria pública, a DGS indica uma série de regras a cumprir: organizar as roupas antes de ir à lavandaria, de forma a só precisar de as colocar na máquina quando estiver no local; dobrar as roupas limpas em casa; usar lenços ou um desinfetante das mãos para limpar os puxadores das máquinas e os botões antes de os utilizar e manter uma distância de 1,5-2 metros, ou esperar no exterior ou noutro local, se estiverem outras pessoas na lavandaria.

                                                          “Caso tenha sintomas sugestivos de COVID-19, como febre, tosse ou dificuldade respiratória, não deve recorrer a locais públicos”, ressalva a DGS.

                                                          Sistemas de ventilação

                                                          O guia refere ainda que em espaços fechados, o ar deve ser renovado, pelo menos, seis vezes por hora, através da abertura de portas ou janelas para manter o ambiente limpo, seco e bem ventilado.

                                                          Caso não seja possível, deve ser assegurado o funcionamento eficaz do sistema de ventilação, assim como a sua limpeza e manutenção. Nestes casos, deve ser assegurado que o ar é retirado diretamente do exterior e não ativar a função de recirculação do ar. É ainda recomendada a desativação da função de desumidificação do sistema de ventilação e ar condicionado, bem como o reforço da desinfeção do reservatório de água condensada e da água de arrefecimento das turbinas do ventilador.

                                                          Tratamentos de resíduos

                                                          Por fim, o manual refere os cuidados específicos a ter com os resíduos produzidos, sobretudo por parte de pessoas infetadas com Covid-19 ou com sintomas sugestivos de infeção.

                                                          Nestes casos, a DGS recomenda a utilização de um caixote do lixo com uma tampa, preferencialmente de abertura não manual. Caso não seja possível, devem ser lavadas as mãos antes e após a sua utilização.

                                                          Dentro do caixote do lixo deve estar um saco de plástico que deve ser cheio até, no máximo, 2/3 da sua capacidade. Assim que atingida esta capacidade, o saco deve ser bem fechado com dois nós bem apertados e, preferencialmente, com um atilho ou adesivo. Este saco deve ser ainda colocado dentro de um segundo saco de plástico, igualmente bem fechado. Os resíduos nunca devem ser calcados, nem o saco deve ser apertado para evitar que o ar saia. Estes resíduos devem ser descartados em contentores coletivos de resíduos, após 24 horas da sua produção (nunca no ecoponto). Os caixotes do lixo devem ser limpos e desinfetados regularmente. @ RTP