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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

missão espacial: o veloz mensageiro vindo de longe

O que será este objeto de tonalidade avermelhada?
Será uma nave espacial camuflada?
Será de uma civilização alienígena avançada para espiar a Terra?

Para além dos astros de grandes dimensões que encontramos no céu noturno, tais como estrelas e planetas, existem muitos outros de menor dimensão que surgem com menor frequência e que, porventura, nem sequer os podemos ver à vista desarmada. Destes vou referir os cometas e os asteroides.
Identificamos os cometas pelo modo como se mostram no céu quando estão próximos do Sol. É então que a luz intensa do Sol aumenta a temperatura da sua superfície, de tal modo que provoca a volatização do gelo que se encontra próximo da sua superfície. Os vapores, conjuntamente com poeiras, são ejetados do cometa a grande velocidade, funcionando como pequenos jatos que aceleram ou retardam ligeiramente o cometa.
Por curiosidade, a cauda do cometa, formada por este material ejetado, está sempre voltada para o lado oposto do Sol. Isto acontece porque o vento solar e a radiação intensa exercem uma pressão que as arrasta radialmente e para longe.
Ao contrário, os asteroides são rochosos e por isso não têm material a volatizar. Sem jatos de matéria o seu movimento é determinado apenas pela gravidade do Sol e, porventura, pela aproximação de algum planeta.
Recentemente, em novembro de 2017, a NASA descobriu um pequeno astro com uma forma alongada de cerca de 400 m de comprimento e aproximadamente 40 m de largura e altura.
Como quando estava próximo do Sol não apresentava cauda, concluiu-se que o novo astro era um asteroide. Além disso, pela sua trajetória e velocidade - na posição mais próxima do Sol a sua velocidade alcançou quase 88 quilómetros por segundo, o que é superior à velocidade de escape - pode-se concluir que o asteroide tinha origem extrassolar.
Nomearam-no de “Oumuamua” que significa, em havaiano, o mensageiro veloz vindo de longe.
Aconteceu que, após Oumuamua ter contornado o Sol e iniciar o seu afastamento, tinha uma variação de velocidade em cada intervalo fixo de tempo (a aceleração) ligeiramente superior à que se esperaria se estivesse sujeito apenas à gravidade, como é característico nos asteroides. Este facto poder-se-ia explicar se Oumuamua fosse, antes, um cometa.
A indefinição do asteroide ou cometa ficou patente na apresentação deste astro num artigo científico. Esta indefinição, conjuntamente com a forma alongada do astro, alimentou especulações.
Será que Oumuamua é uma nave espacial enviada por uma civilização mais avançada para nos espiar? Será que este astro é o destroço de alguma grande nave? Será que é uma nave vindo do futuro para nos espiar? Para alguns, o mistério adensou-se…
Como durante a passagem de Oumuamua pelo Sistema Solar foi observada por telescópios, inclusive pelo Hubble, e por radiotelescópio e não foi detetada alguma atividade ou emissão de radiofrequências, como seria de esperar de uma civilização avançada, estas hipóteses foram menorizadas.
Foi, sim, o primeiro astro que atravessou o Sistema Solar vindo do exterior a ser observado. Por este motivo, foi catalogado pela União Astronómica Internacional por “1i”, por ter sido o primeiro objeto de uma nova classe de astros, os interestelares.
A passagem do mensageiro vindo dos confins do Universo foi rápida e esteve a uns “meros” 300 milhões de quilómetros da Terra.
Agora, Oumuamua afasta-se a grande velocidade do Sistema Solar numa viagem interminável no escuro espaço interestelar. Provavelmente, daqui a alguns anos até o seu nome estará esquecido.
Outros poderão vir? Provavelmente, sim. Os astrónomos procuram-nos. Poderá ser que, o próximo, no pouco tempo da sua visita, seja mais intensamente explorado. Os astrónomos estão-se a preparar para isso e até pode ser que encontrem alguma nave espacial!
 Sérgio Viana

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