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segunda-feira, 24 de abril de 2017

sobredotados: para estes alunos não é difícil aprender, o problema é a escola

daqui
Ainda não eram 9h da manhã e o telemóvel de Ana César Aires já tocava. Era a professora do 1.º ciclo do seu filho com mais uma queixa: Pedro não tinha feito os trabalhos de casa. Não era a primeira vez que acontecia. “Era um massacre”, recorda esta mãe, “ligava todos os dias, muitas vezes mais do que uma vez”. 
A história tem cinco anos e o telefonema daquele dia foi o gatilho que fez a família procurar ajuda até descobrir uma resposta: Pedro é sobredotado. Tem mais facilidade do que a média para aprender. Mas os problemas de atenção e comportamento são um dos reflexos clássicos das dificuldades que estes alunos têm para lidar com as escolas. E estas não conseguem, muitas vezes, dar-lhes uma resposta. 
Durante todo 1.º ciclo, Pedro Aires teve “um aproveitamento excelente”, recorda o pai, Renato. Os problemas com a escola não eram académicos, mas de comportamento. Não fazia os trabalhos de casa e não estava atento às aulas: “A escola estava sempre a reportar-nos chatices.”
Pedro Aires reconhece: “Os trabalhos não me ajudavam a compreender mais a matéria e então não fazia.” Tem agora 12 anos.
Por vezes, prossegue, fazia um ou dois exercícios e deixava o trabalho incompleto. Já tinha compreendido o necessário e ia dedicar-se a outra coisa. Hoje continua a deixar algumas coisas por fazer. Nas aulas, diz, não são raras as vezes em que sabe mais do que aquilo que os professores estão a ensinar. “Aprendo algumas coisas na escola, mas outras vezes ouço coisas que já sei e aí corto-me um bocadinho”, explica.
Distrai-se, fala com os colegas. Ou então senta-se sozinho “para não ter ninguém com quem falar”, continua, com um sorriso.
Quando chegou a este estabelecimento, há dois anos, entrou no 8.º ano, mas em Janeiro recorreu à figura do avanço escolar e passou para o 9.º. O resultado não podia ter sido melhor. “Até então o Pedro não sabia o que era o desafio escolar. Era tudo fácil, fazer um teste era um pró-forma”, diz a mãe, Maria Tavares. A grande mudança para ele foi, contudo, psicológica. “Hoje está tranquilíssimo na escola.” @ Público

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