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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

enchente em Serralves para ver Miró

O neto do artista catalão, profundo conhecedor da obra do avô, Joan Punyet mostrou-se comovido pela multidão que ontem se deslocou a Serralves para ver a exposição da obra de Miró.
Acha que “é um privilégio para Portugal ter uma relação tão importante com a obra de Miró”, e está satisfeito por esta coleção ir permanecer no Porto. “Claro que é muito interessante que fique aqui, na cidade onde esteve Sonia Delaunay, a fugir da I Guerra Mundial, onde Eiffel desenhou pontes, que tem a Casa de Chá de Siza, uma cidade de grande cultura artística e literária, e também gastronómica”. 

Confrontado com o facto de bastantes visitantes parecerem particularmente impressionados com as tapeçarias de Miró representadas na exposição - algumas das 33 que o pintor realizou em 1972 e 1973, conhecidas comosobreteixim (sobretecidos) -, Joan Punyet classifica-as como “anti-pintura” e acha que a sua força tem a ver com o facto de ter sido nelas que o avô espelhou “toda a fúria, raiva e frustração de um homem que via o que ele via naquela época”, lembrando o golpe de Pinochet e a “grande convulsão política” de Espanha no final do franquismo. “Em 1975, não queríamos outra guerra civil, e o meu avô, que se tornara o pintor mais importante do mundo após a morte de Picasso, em 1973, sentia que tinha de ajudar a que houvesse uma transição democrática em Espanha”. Uma “responsabilidade cultural e social” que lhe impunha cautelas diplomáticas, de modo que “toda essa tensão e frustração que sentia eram direccionadas para a sua obra”. @ adaptado de PÚBLICO

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