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terça-feira, 23 de junho de 2015

a educação já não quer (só) o quadro preto, o lápis e o caderno

Ora vamos lá comentar/opinar. O CRESCER fica a aguardar.
Ensinar o corpo humano com vídeos do YouTube e fazer resumos das aulas com um tweet. Demorar cada aula pelo tempo que cada aluno demora a aprender. A educação já não é o que era?
Estamos a assistir a uma revolução na forma de educar os nossos alunos? Os exemplos e as opiniões de especialistas dizem que sim. A mudança não só é uma realidade, como uma necessidade. A Quartz debruça-se sobre o conceito de blended learning — um programa de educação em que o estudante aprende, pelo menos em parte, com recurso a conteúdos pela via digital e dos media. Estendendo este conceito ao máximo, temos a base da Khan Academy, que disponibiliza vídeos online sobre todas as disciplinas e para todos os anos, com explicações interativas. Dos mais de dois mil vídeos, consta, por exemplo, um sobre “o que são as células” e outro sobre “o que é a inflação”.
Em vez de se medir o tempo passado na sala de aula (duas horas de português, duas horas de matemática, duas horas de ciências da natureza), há quem esteja a propor que a educação se vá orientando pelo tempo que o aluno demora a aprender cada matéria. Ou seja, se o aluno aprender os conteúdos de português numa hora e os de matemática em três, então essa adaptação vai-se fazendo de forma personalizada, em vez de se cumprir o tempo definido a passar na sala de aula. Este é um modelo já seguido em algumas escolas de New Hampshire (EUA), conta a publicação.
A revolução do digital já está em todo o lado e motivou académicos e especialistas a escrever a “Open Letter on the Digital Economy” (Carta aberta sobre a economia digital). Os subscritores recomendam uma série de políticas públicas aos EUA para aproveitarem as vantagens das ferramentas digitais. Uma das áreas em destaque é precisamente a educação. “Temos de reinventar a educação, sobretudo nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Temos de nos afastar de uma aprendizagem mecânica e temos de nos basear mais nas nossas capacidades tão únicas, como a criatividade e as relações interpessoais”, lê-se no texto.
“Durante as últimas décadas o nível de educação estagnou e, ao mesmo tempo, a necessidade de competências que estão ligadas à explosão das tecnologias digitais continua a aumentar”, recomendam os subscritores, entre os quais estão professores da Universidade de Toronto, da Harvard Business School e os vencedores do Prémio Nobel de Economia de 2007 e 2013. “Temos de redesenhar a forma como educamos em todos os níveis, e usar o poder das tecnologias digitais”.
A resistência à mudança sente-se também em Portugal. Em outubro, David Rodrigues denunciava na conferência “A Inclusão nas Escolas” que os professores estão muitas vezes “pouco disponíveis para modificar a sua forma de ensinar”. Em entrevista ao Observador, o professor catedrático na Universidade Portucalense e diretor da revista “Educação Inclusiva” referia que os docentes deviam usar a internet, as redes sociais e os dispositivos móveis para ensinar, já que são ferramentas próximas dos alunos. E exemplificava. “Há professores nos Estados Unidos que pedem um resumo da aula aos alunos com um tweet.
David Rodrigues sugere que se use filmes do YouTube para explicar uma matéria ou que se use o Facebook para comentar uma fotografia e falar sobre um assunto. “Não coloquem as novas tecnologias fora da escola. Aceitem-nas para que elas possam contribuir”, pede o especialista. 
Há professores a pensar: ‘como é que eu vou dar o corpo humano?’ Não é nada difícil, há cinco mil vídeos no YouTube sobre o corpo humano”, explica
“A maior parte dos professores pensa; ‘uma coisa é aula, que tem o livro, o caderno de fichas e o quadro preto, e outra coisa são os smartphones e os tablets. Errado. A escola do século XXI tem de ser diferente porque os alunos são diferentes”, remata o professor. @ Observador

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