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quinta-feira, 13 de junho de 2013

completam-se 125 anos do nascimento de Pessoa

"Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz - Correspondência amorosa completa"



Hoje, completam-se 125 anos do nascimento de Fernando António Nogueira Pessoa, na freguesia dos Mártires, em Lisboa.
O livro com a «correspondência amorosa completa» entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz, mantida de 1919 até à morte do poeta, em 1935, foi ontem apresentado na Casa Fernando Pessoa (CFP), em Lisboa.
O organizador do volume, Richard Zenith, assinalou à Lusa que «mais de metade das cartas de Ofélia Queiroz eram inéditas, até à presente publicação». No total, são publicados 348 documentos, transcritos integralmente, dos quais 156 são inéditos.
Entre os inéditos de "Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz - Correspondência amorosa completa", estão os últimos bilhetes trocados, como o derradeiro, enviado pelo poeta a Ofélia, datado de 14 de Junho de 1935, em que agradece os parabéns enviados na véspera, de forma cordial: «Muito obrigado e identicamente com saudades».
A obra reproduz cada um dos documentos, permitindo ao leitor apreciar a caligrafia do poeta. Parte deste manancial epistolar foi adquirido pelo casal brasileiro Bia e Pedro Corrêa do Lago, num leilão em Londres, «sem disputa, na época, com qualquer instituição ou colecionador privado», como afirmam os próprios, no texto de introdução que assinam. A outra parte foi também comprada, tempos mais tarde, por este casal de colecionadores e divulgadores culturais.
No texto de apresentação da obra, Zenith afirma que esta publicação «revela factos inéditos» e «permite-nos traçar uma cronologia precisa» deste relacionamento, que qualifica como «linhas cruzadas, sem estratégia».
Ofélia, escreve Zenith, era «alegre, transparente, direta, crente (...) quase o oposto» de Fernando Pessoa, todavia, quando se encontram, «atraem-se logo». Conheceram-se em Outubro de 1919, estava Pessoa de luto carregado pela morte do padrasto e, em Novembro, já «trocam bilhetes e ele trata-a por “bebé”».
"Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz", publicado pela editora brasileira Capivara, inclui um texto de Eduardo Lourenço, "Amor e Literatura", um relato de Ofélia Queiroz, registado em 1978 pela sua sobrinha, Maria da Graça Queiroz, acerca da relação com o poeta, no qual recorda a promessa de Pessoa em lhe ensinar melhor o inglês, «depois de casados», um testemunho da sobrinha, que atesta que, «na morte do Fernando, a Ofélia apagou-se ao mundo», e recusou sempre dar qualquer entrevista.
Num dos documentos até agora inéditos, Fernando Pessoa trata Ofélia por «Querida Nininha pequena» e dá-lhe conta de que estará no Largo do Conde Barão [em Lisboa], à espera dela, «no recanto da padaria Inglesa».
O tratamento entre os dois é mimado e ternurento. Fernando Pessoa envolve até, na relação, um dos seus heterónimos, o engenheiro Álvaro de Campos, que se dirige a Ofélia de forma cerimoniosa e refere-se a Fernando Pessoa como «abjecto e miserável indivíduo».
Ofélia e Álvaro de Campos telefonaram-se, assim como Fernando e Ofélia, até que, em Fevereiro de 1931, «um cavalheiro anunciando-se Ricardo Reis” lhe telefona [a Ofélia] a participar que Fernando Pessoa estava incomunicável e não aparecia antes de Março», escreve Zenith que questiona se seria esta uma «forma suave e desculpabilizadora» de Pessoa pôr um ponto final na relação amorosa. Ofélia insistirá em escrever para o seu “Nandinho" ou "Fernandinho", como se dirigia ao poeta, mas em resultado de reatamento.
A obra "Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz" foi apresentada, ontem, na CFP, em Campo de Ourique, no âmbito do Festival Desassossego, com a presença do ensaísta Eduardo Lourenço, o investigador Richard Zenith e os editores Bia e Pedro Corrêa do Lago. @ LUSA

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