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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Filtrar o UV!

O melanoma é a forma mais comum de cancro em adultos jovens (25-29 anos) resultando da transformação maligna dos melanócitos. Os locais mais frequentes do seu aparecimento são a perna na mulher e o dorso no homem. Calcula-se que 30% dos melanomas surja em prévia lesão pigmentada sendo potencialmente a forma mais perigosa de tumor da pele. A sua incidência está a aumentar em todo o mundo. Estima-se que em Portugal a incidência é 799 novos casos por ano e considerando todo o Mundo é de 199627. A mortalidade em Portugal estima-se em 219 mortes por ano considerando todo o Mundo é de 46372 mortes por ano.
A radiação ultravioleta (UV) é o principal fator ambiental envolvido na alteração da síntese de melanina nos melanócitos, principalmente regulada pela tirosinase. A melanina tem propriedades fotoprotetivas mas o seu excesso (biologicamente tóxico e mutagénico) aumenta o risco de melanoma. Os raios UVB provocam mutações diretamente no DNA e os UVA promovem o desenvolvimento de melanoma através de stress oxidativo, criação de radicais livres e degradação da vitamina D. Os Protetores Solares diminuem os efeitos da radiação solar sobre a pele, sendo muito eficazes na proteção contra os UVB, mas com eficácia variável para os UVA. Os protetores solares que contêm dióxido de titânio ou óxido de zinco podem proporcionar alguma proteção UVA. A capacidade de refletir ou absorver a radiação, a foto estabilidade, a remanescência e a quantidade de produto aplicada determinam a eficácia do protetor solar.

São fatores de risco de melanoma:
1 – excessiva exposição aos UV particularmente a intermitente: principal fator de risco modificável;
2 - existência de múltiplos nevos atípicos (assimétricos, bordo irregular, cor heterogénea/escura, diâmetro superior a 5 mm, evolução recente: regra ABCDE);
3 – tipo de pele: clara (geralmente associada a cabelos e cor de olhos claros);
4 - história familiar: cerca de 1 em 10 pacientes com melanoma tem um membro da família com história de melanoma;
5 – genéticos: as mutações mais comuns no melanoma familiar ocorrem no gene p53; recentemente foi descoberta uma mutação no gene BRAF e o gene CDKN2A tem sido associado com o melanoma familiar;
6 – imunossupressão;
7 – idade: os efeitos da exposição solar são cumulativos.
A adolescência é um período crítico para a prevenção do cancro da pele porque os adolescentes apresentam as menores taxas de proteção da pele comparativamente a todas as idades, aumentam os seus hábitos de exposição à radiação UV recebendo grandes quantidades desta radiação e são menos influenciados pelos conselhos paternos/maternos. Por estes motivos, colocam-se em risco de desenvolver fotoenvelhecimento acelerado e mais tarde cancro da pele.

A necessidade de uma prevenção mais eficaz do melanoma é reconhecida em todo o mundo: o melanoma está com um crescimento muito rápido a nível mundial. Por esse motivo é urgente alterarem-se comportamentos de risco como a excessiva exposição solar e cumulativamente em horários inadequados e adotar medidas de proteção tais como exposição solar lenta e progressiva, respeitar a “regra da sombra”, evitar a exposição solar entre as 11h e as 17h, nunca expor crianças com menos de 3 anos ao sol, evitar exposições ao sol superiores a 2 horas e nestas circunstâncias renovar de 15m a 30m a aplicação do creme solar com FPS≥30 e proteção UVB e UVA, vestir roupa adequada, colocar chapéu de abas largas e colocar óculos de sol com proteção UV quando a exposição tem que ser feita por períodos prolongados ou nas horas críticas. Os rastreios e o autoexame também não devem ser esquecidos.
A melhor forma de evitarmos o cancro é prevenindo o seu aparecimento!                                  

Carmen Madureira

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