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quarta-feira, 21 de março de 2012

21 de março: dia da poesia

O CRESCER ousou escolher um poema para oferecer aos seus leitores.
Para quem quiser, há versões cantadas interpretadas pela Dulce Pontes ou pelo Carlos do Carmo ou pela Simone de Oliveira ou até pela Mafalda Arnauth:

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

No teu poema existe a dor calada
lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.

No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.

José Luís Tinoco

2 comentários:

Lita disse...

De quem é o poema?

Rita Caldas disse...

Poema de José Luís Tinoco.
Um poema ma-ra-vi-lho-so!
A melhor versão cantada, para mim, é a da Simone de Oliveira.