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domingo, 17 de outubro de 2010

nós por cá

É uma metáfora, claro!

- Também sou mineiro... Tirem-me daqui!, gritou ao meu ouvido, hoje, um colega da escola.
Não é uma piada "tuga" de mau gosto nem desconsideração pelos desafortunados trabalhadores do Chile.
Devo dizer que a nossa escola está em obras (pertencemos agora a um Agrupamento) e, nesta fase, já alberga 2.250 alunos. A construção vai de vento em popa mas tem provocado as maleitas de qualquer obra em casa. No fim, há-de ficar bem. O pior é mesmo o "durante", pois nos movimentamos em corredores entaipados e os serviços centrais estão à distância de um intervalo. Ir à secretaria, ao bar, à casa de banho, ou à sala dos professores é uma verdadeira aventura para quem tem aulas no pavilhão situado no extremo oposto.
A par de todas as mexidas salariais e ajustes de tarefas a que estamos sujeitos, nós, por cá, vamos desesperando.
Então, respondi ao meu colega:
- Eu até te tirava, mas creio estar numa situação pior do que a tua:
. como trabalho no pav D, não tenho tempo para ir ao bufete, nem à sala de profes, nem à casa de banho;
. levo o lanche, tomo café da máquina, descanso e trabalho num gabinete emprestado pela malta da Biologia, vou à casa de banho das alunas (e ainda tenho que expulsar de lá os rapazes que espreitam "Xô, meninos, o que estão aqui a fazer?" e levar o papel higiénico na mão - “Está bem assim ou quer mais, setora?”, pergunta-me a diligente funcionária);

. já ganhei alergias ao pó das obras, ao cheiro das canetas dos quadros brancos e todos os dias tenho que lavar toda a roupa que visto, pois nada resiste ao pó;
. os meus ouvidos já não distinguem o barulho que vem do exterior do pavilhão do barulho do interior da sala de aula (É mais uma perfuração ou são os garotos a entrar?; É o Sr. Silva da obra ou é o Zé do H a falar?; Já tocou ou são vocês que já não aguentam mais?);
. já apanhei todos os vírus dos miúdos pois as janelas do pav D não abrem uma vez que estão preparadas para receberem o ar condicionado que há-de haver (esperemos!);
. estive a ter formação em QIM não só para aprender a trabalhar com os QIM que a escola há-de ter mas também para poder mudar de escalão (!?), fora de horas, longe, num espaço sem as mínimas condições;
. ando com o meu pc às costas (muitas das vezes levo-o e não há projector disponível) para mostrar coisas novas e diferentes;
. a net não funciona no pavilhão em que trabalho e no outro tem dias (também tem fios desligados!);
. não tenho cacifo por perto, ando permanentemente  com a casa às costas;
. ia mudar agora para o antigo 10º escalão e congelaram-me;
. como sou secretária, vou a reuniões com EE fora das minhas horas de trabalho e não recebo horas extras;
. saio da escola, de reuniões onde estão mais de trinta pessoas a opinar, às dez da noite;

e, tal como tu sabes e sentes, sei e sinto que “estão mexendo no meu bolso”.
Amigo, também bati no fundo!
Arranja lá a “cápsula fénix” a ver se alguém nos acode.

Abraço,
MC

3 comentários:

Anónimo disse...

E é só na vossa escola? LOL

Lina (ESAS)

Anónimo disse...

Partilho contigo os cafés e também estou na fila de espera da cápsula...
A ESÁS perdeu o seu encanto.
Aguardo para ver se vai ter algum.
CM

mc disse...

Esperemos por melhores dias, à superfície, para ver se passamos ao estrelato! :)